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Herman José: «A passagem pela SIC não me fez bem à carreira, só à carteira» – 7 Dias/7 Entrevistas

Com anos e anos de carreira Herman José é talvez o artista mais completo e versátil que Portugal alguma vez conheceu. Dono de um talento inesgotável e de um sentido de humor único, iniciou-se na televisão ao lado de Nicolau Breyner.

Passou pela RTP, SIC e TVI onde apresentou, em 2009, Nasci P’ra Cantar, regressando mais tarde à casa que o viu nascer. Atualmente apresenta Herman 2012. A música, o teatro, a escrita, a televisão e os espetáculos ao vivo fazem parte integrante da sua vida. Controverso e viajante nato, guarda certamente muitas histórias e experiências inacreditáveis. Ao longo dos anos criou algumas das mais conhecidas personagens de humor.

O 5º Canal entrevistou o grande artista e dá-lhe agora a conhecer um pouco mais da sua vida pessoal e profissional.

Seja bem-vindo ao final da primeira série da iniciativa 7 Dias/7 Entrevistas.

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I

Quem é o Herman José?

Um cidadão normalíssimo que teve a felicidade de conseguir viver da sua arte.

Sempre se viu a fazer o que faz ou havia outros sonhos para além do mundo do espetáculo?

Ser herdeiro único do Sultão do Brunei.

O mundo da televisão apareceu na sua vida por acaso ou era já um objetivo?

Desde que me lembro que sonho com o palco. Eu diria que foi quase uma inevitabilidade.

Em 1972 foi abordado pela PIDE e obrigado a escolher entre a nacionalidade portuguesa e a alemã. Acabou por não partir devido à revolução do 25 de abril. Se o fim da ditadura não tivesse acontecido seria hoje, na Alemanha, um grande artista como é em Portugal?

Não sou futurólogo, mas acredito que vivendo na Alemanha não teria sofrido às mãos de um estado disfuncional e pouco democrático.

Disse, no ano passado, que 2012 era o ano em que se iria tornar cidadão português. Já o é?

Ainda não. Estou à espera que inventem um «simplex» para as nacionalizações.

II

Iniciou o seu percurso em televisão com Nicolau Breyner em Senhor Feliz e Senhor Contente. Que ambições carregava nessa altura?

Sonhava ser uma espécie de Vasco Santana do século XX. Transformei-me no Herman José do século XXI, já não é mau !

Com três décadas de carreira tem certamente muitas histórias para contar. Qual o momento mais caricato que viveu em televisão?

Uma entrevista ao Mark Knopfler em que as respostas não passaram de «sim», «não» e «talvez»…

De todas as personagens que já interpretou qual considera que ainda hoje está bem presente na memória dos portugueses?

O Serafim Saudade e o José Esteves.

E qual a mais bem conseguida de todas aquelas que já protagonizou ao longo da sua carreira?

O Diácono Remédios.

É considerado por muitos como o grande artista português. Vê-se como tal?

Nem por isso. Vivo obcecado pelo futuro e falta-me fazer tudo.

III

Disse numa entrevista ao Correio da Manhã que se arrependeu de ter deixado a RTP em 2000. Porquê?

Porque a passagem pela SIC não me fez bem à carreira, só à carteira.

Foi na SIC que viveu 8 anos da sua carreira. Foi feliz ao longo desse tempo?

Os primeiros cinco anos foram excelentes.

Herman SIC foi uma das suas grandes marcas em televisão. Porquê o seu fim?

Decisão da direção de programas que substituiu a que acreditava em mim.

Se tivesse de escolher entre televisão, teatro, música, espetáculos ao vivo ou o cinema, qual seria a sua escolha?

Espetáculos ao vivo – sempre !

Em algum momento da sua carreira se sentiu esquecido pelo público português?

Nunca. Sou um tipo cheio de sorte.

Depois da SIC surgiu um projeto inovador na TVI – Nasci P’ra Cantar. Disse ter sido recebido como um príncipe na estação. Não continuou na estação por opção própria ou por falta de convites para novos desafios?

O meu grande apoiante José Eduardo Moniz, saiu entertanto da estação…

O Herman 2010 marca um regresso à casa mãe. Que significado teve para si?

O regresso ao orgulho artístico, à serenidade, à qualidade.

Numa outra entrevista dada em 2010 disse que gostava de voltar a ser feliz na televisão. Conseguiu, com o programa na RTP, reencontrar esse estado de espírito?

Absolutamente.

Atualmente a estação de Queluz de Baixo apresenta na sua grelha um dos programas de entretenimento com mais audiência do momento. Acompanha as galas? Acha que este é uma espécie de nova versão daquele que era o seu programa?

Já nada me move na TV comercial generalista. Só vejo por obrigação.

Já foi convidado para participar no formato?

Não, mas imagino que por cerimónia. Sabem que tenho a camisola da RTP vestida.

IV

Vê com bons olhos o futuro da televisão e do mundo do espetáculo em Portugal?

Que remédio !

Se tivesse possibilidade, qual seria a primeira coisa que mudava na televisão portuguesa?

Transformava a RTP numa BBC.

Muita polémica tem sido lançada em torno da empresa que agora está responsável pela medição das audiências em Portugal. Qual é a sua opinião sobre o assunto? Tem em atenção os resultados audiométricos do seu programa?

Estamos numa fase de transição. Com o crescimento da TV por cabo, todos ralham e ninguém parece ter razão.

Se tivesse de escolher um momento da sua carreira, qual seria?

O ano de 1992, em que recebi a Comenda de Mérito Cultural pelas mãos do então presidente Mário Soares.

Uma mensagem para os leitores do 5º Canal.

Relax & enjoy, que a vida são dois dias !

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Obrigado e muita sorte para o futuro!

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