Entrevista QUINTO CANAL a Joana Teles. Despediu-se ontem da Praça da Alegria depois de ter substituído durante praticamente um mês Sónia Araújo. Estivemos por isso à conversa com a apresentadora da RTP1 que nos falou sobre o seu percurso em televisão em 10 respostas.

A entrevista exclusiva QUINTO CANAL a Joana Teles está online!


É um dos ativos valiosos da RTP, tendo já feito parte dos mais variados programas. No seu currículo aparecem Só Visto!, 5 Sentidos, Há Conversa ou Há Volta!. Atualmente faz companhia aos telespetadores no Aqui Portugal, formando uns dos trios mais divertidos da televisão nacional. Ao lado de Hélder Reis e Catarina Camacho demonstra que é possível comunicar com classe e entuasiamo sem perder o propósito de serviço público do primeiro canal.

1. Fazendo uma rápida pesquisa pela Internet, é possível constatar que estudou enfermagem durante 3 anos. Como decidiu mudar de rumo e seguir a área da comunicação?

Foi o acaso que me levou até à RTP. Nunca almejei ser apresentadora de televisão, ainda que houve tempos em que o tivesse sonhado, uma vez que sempre gostei de comunicar. Acontece que quando chegada a hora de decidir a área profissional e porque achava que jamais conseguiria entrar na televisão, escolhi uma outra área que também sempre me fascinou. As ciências, com destaque para a área da saúde. Em 2006 a RTP promove em antena um casting à procura de novos rostos. Como sempre gostei de me pôr à prova e cruzando com o facto de gostar da área, decidi inscrever-me. Fizemos várias provas de seleção durante esse ano e no dia 6 de março de 2017, estava eu em pleno estágio curricular, recebo um telefonema do Hugo Andrade. Lembro-me bem da conversa:

“Tenho uma notícia boa e outra menos boa para te dar. A primeira é que és um dos novos rostos da RTP.  A segunda é que tens de vir a Lisboa amanhã para seres apresentada na Gala dos 50 anos da RTP”

A minha vida mudava ali.

2. Apresenta o Aqui Portugal há já vários anos. De que forma é que o programa a continua a desafiar?

São já 5 anos de Aqui Portugal que encerra em si o desafio dos desafios que um programa pode ter. A começar pelo local. Estamos na rua, com tudo aquilo que isso acarreta. Muita estrada, condições meteorológicas muitas vezes adversas e vários desafios estruturais para contornar. Temos depois o público ao vivo e a sua reação imediata. Sente-se logo tudo ali, naquele contacto e não há lugar para simpatias. Ou gostam ou não gostam. Felizmente sempre fui muito acarinhada por todos. A duração do programa também encerra em si um desafio.

Fazer 8 horas de televisão é de uma dureza considerável. Não só física como psicológica. A necessidade de estarmos sempre com o mood em alta, com energia, boa disposição, a um ritmo de exterior, em que convidados podem faltar, em que surge uma pessoa que vem ter connosco com uma história incrível e que minutos depois entra em direto e com o desgaste natural de um programa com largas dezenas de pessoas envolvidas.

Não há telepontos, não há guidelines. Há um cuidadoso estudo prévio do programa que nos permite ter liberdade para dar a informação do local em questão e dos convidados, adicionando boa disposição, coerência, ritmo e alegria!

3. Se fazer uma dupla em televisão é difícil, um trio torna a tarefa ainda mais complicada. Qual o segredo para se respeitar os timings de cada um de vós sem atropelos?

Já fazemos televisão há muitos anos e já nos conhecemos muito bem. Somos também muito amigos e isso reflete-se. Até conhecemos bem os nossos silêncios e, sobretudo, temos os três uma característica essencial para quem quer fazer boa televisão. Sabemos ouvir.

4. Devido ao facto de Sónia Araújo ter testado positivo à COVID-19, foi chamada pela RTP para conduzir A Praça da Alegria. Como se sentiu com esta escolha?

Apreensiva pela saúde da Sónia que, assim que soube bem, me tranquilizou e felicíssima com a oportunidade! É muito gratificante saber que gostam do meu trabalho e que tenho o que é preciso para apresentar um programa com o peso e importância que a Praça da Alegria tem.

5. Conduzir diariamente um programa no day-time seria o concretizar de um sonho para si? É algo que ambiciona?

Mentiria se dissesse que não. Amo a televisão do imediato, a da comunicação pura. A televisão feita para as pessoas e com as pessoas. Gosto da liberdade que o day-time dá, onde o teleponto só nos guia e gosto de saber que é uma televisão que mais do que fazer companhia, acrescenta, informa e entretém.

6. Se pudesse apresentar um programa em horário nobre que esteja ou tenha estado na antena este ano (em Portugal), qual escolheria? Porquê?

O The Voice Portugal. O formato é puro entretenimento e está brilhantemente produzido e realizado. O imenso trabalho de bastidores é notório e quando assim é, a energia que passa é absolutamente vibrante! Dos jurados aos apresentadores, o programa é incrível!

7. 2020 está a terminar e foi um ano de muitas incertezas, inclusivamente para o meio televisivo. Formatos suspensos, programas sem público, máscara nos rostos dos apresentadores. O que espera de 2021? Existe algum projeto planeado de que nos possa falar?

Desejo sobretudo que seja um ano de estabilidade. É disto que todos precisamos. Em relação a projetos televisivos, ainda não tenho nada definido. Em televisão, saber esperar é um trunfo. E eu sou paciente.

8. Há quatro anos perguntámos-lhe qual o momento mais caricato que lhe tinha acontecido em direto. E o mais complicado? Aquele que foi mais difícil de gerir emocionalmente?

Um dos momentos mais caricatos foi durante o programa Há Volta. Temos sempre vários desafios (convidados e apresentadores) e um deles é com palavras proibidas. O desafio surge em oráculo para o espectador ver, eu sei que não posso dizer aquela palavra, mas o convidado não faz ideia. Agora é imaginar falar de chouriço com um convidado que só produz a iguaria, mas sem poder dizer “chouriço”. A cara do convidado foi impagável!

9. Da nova grelha da estação pública, quais os formatos que nunca perde?

Tento não perder o The Voice Portugal e irreverente Faz Faísca.

10. Como vê a troca de cadeiras que têm existido entre a SIC e a TVI?

Com bons olhos, já que faz parte do negócio televisivo e dá enorme dinâmica a este meio. Mexe com todos os canais, cria novas abordagens, sinergias e potencia novos formatos e formas de fazer televisão.


10 apresentadores de televisão numa palavra:

Catarina Camacho – Espontaneidade
Catarina Furtado – Plenitude
Cristina Ferreira – Inovação
Fátima Lopes – Equílibrio
Hélder Reis – Polivalência
João Baião – Energia
Manuel Luís Goucha – Consistência
Tânia Ribas de Oliveira – Coerência
Tiago Góes Ferreira – Criatividade
Vasco Palmeirim – Irreverência


Recorde agora a Entrevista Quinto Canal Joana Teles em 2016:

“Sinto a pressão de fazer mais e melhor. Por mim e pela confiança que me foi depositada por parte da RTP”.

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