Durante quatro meses de cada vez que ligava o computador tinha lá uma pasta no Ambiente de Trabalho com o nome The Ides of March. Disseram-me que o filme estava excelente e, por isso, sempre tive uma certa curiosidade de ver, mas a falta de tempo e a quantidade de filmes que vi no início do ano para estar a par da maioria dos nomeados na altura dos Óscares, e a quantidade excessiva de séries que acompanho também não ajudou.

Na última quinta-feira e depois de vários acontecimentos infelizes dei por mim em casa sem internet e sem televisão. Pensei “pronto é desta que vou ver estes filmes e séries todos que tenho aqui”. Não consegui ver tudo, mas já adiantei alguma coisa e comecei logo por este filme do qual me tinham falado tão bem. Em primeiro lugar, com Ryan Gosling no papel principal sabia que não ia ficar desiludida. Sou uma daquelas pessoas que defende que o rapaz devia ter sido nomeado para os Óscares, pelo excelente papel que desempenhou no Drive. Sei que a maioria odiou e podem atirar pedras à vontade, mas eu adorei.

Voltando ao primeiro, e em jeito de contextualização… Chegou aos cinemas em Novembro de 2011, e podemos inserir na categoria de filme político. O guião foi escrito por George Clooney, Grant Heslov e Beau Willimon. Nos papéis principais estão George Clooney e Ryan Gosling.

O filme retrata um pouco a história das eleições nos EUA, onde um chefe de campanha júnior, Stephen Meyers, interpretado por Ryan Gosling, trabalha para o governador da Pensilvânia e candidato à presidência Mike Norris, papel atribuído a Clooney, e é posto à prova em várias ocasiões durante a campanha em Ohio. Profissionalmente encontra o caminho do sucesso, mas será realmente o mundo por trás das eleições? É preciso ser corrompido, e ir contra todos os valores para triunfar? Estas são várias perguntas que ficam após o final.

Pessoalmente estava à espera de muito melhor. O papel desempenhado por Gosling podia estar um pouco mais explorado, são muitas as situações em que podia ter mostrado um pouco mais do ator. Em relação a Clooney percebe-se perfeitamente que neste filme quis deixar a ação principal para os outros, e dedicar-se mais à realização e guionismo do filme. Nesse aspeto, surpreendeu-me pela positiva.

Na última cena vemos Meyers a preparar-se para uma entrevista de televisão, e passam-lhe pela cabeça todos os momentos em que foi posto à prova, e que foi contra os seus valores e princípios. O filme acaba com o jornalista a pedir-lhe para fazer um pequeno resumo do que foi a campanha em Ohio. Percebemos que Meyers não sabe o que vai responder, e fica a ideia de que tudo o que fez lhe está a pesar na consciência. Não gostei desta última cena, gosto de filmes que me fazem pensar, mas não de filmes que não sei como acabam. Isto não era uma mera ação secundária… desde o início que tudo se baseia nesta campanha presidencial, e ficamos sem saber o que realmente acontece, porque se Meyers conta a verdade sobre toda a campanha política vai tudo por água abaixo.

No geral e como já devem ter percebido… não gostei do filme. Com tudo o que me disseram estava à espera de mais um Drive. Sempre adorei filmes sobre política norte-americana, mas este foi dos poucos que não adorei. Fica a promessa de algo melhor nos próximos tempos escrito e dirigido por Clooney.

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