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Em Foco: «A Tua Cara Não Me É Estranha» – mais do mesmo?

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Volvida a comemoração dos 20 anos da estação de Queluz de Baixo, várias foram as notícias que marcaram a semana. Entre a vontade da RTP em apostar na ficção nacional, nomeadamente numa produção de longa duração, a preparação da estreia de Cheias de Charme já nesta segunda-feira na SIC, ou mesmo o início de uma nova temporada de A Tua Cara Não Me É Estranha na TVI: muito se falou nos últimos sete dias.

Por outro lado, ficámos igualmente surpreendidos pelo facto de o canal da Media Capital, seguindo a política da concorrência mais direta, ter transmitido a passadeira vermelha na gala do seu aniversário. Quem vestia o quê, quem acompanhava quem, quem tinha marcado presença, foram algumas das coisas que os telespetadores ficaram a saber. A crise foi esquecida, os luxos foram emprestados e os sorrisos foram visíveis entre as mais diversas estrelas da estação de Queluz de Baixo.

Entretanto, é de realçar que durante os próximos meses os nossos domingos à noite vão ser preenchidos com o mesmo programa de sempre! Para quem acompanha a emissão da TVI, A Tua Cara Não Me É Estranha vai estar na grelha de programação do canal até ao verão. Novos convidados e novas imitações serão alguns dos ingredientes da próxima temporada do concurso, com data de estreia marcada para 5 de maio. No entanto, até que ponto esta informação corresponde a uma novidade?

A Tua Cara Não Me É Estranha

Na semana passada, Luís Cunha Velho foi confrontado pela TV Guia sobre o facto de a TVI apostar nos mesmos formatos a cada ano que passa. «Isso é surpreender?», questionou o jornalista Paulo Abreu. O diretor geral da estação de Queluz de Baixo respondeu o seguinte: «É. A Tua Cara Não Me É Estranha é um produto falhado? Não. É um sucesso. A criatividade não existe com facilidade. Quando a TVI vai aos mercados, à procura de formatos, eles nem sempre existem.»

Desta afirmação podem ser retiradas algumas conclusões. Por um lado, torna-se perceptível o porquê de as estações não arriscarem: falta de dinheiro. Por outro, também é evidente que o caminho mais fácil acaba por ser precisamente a aposta nos produtos cujo sucesso é praticamente garantido. Por fim, de salientar que é o telespetador que fica a perder tendo em conta que a caixinha mágica deixa de surpreender.

Nos dias que correm a margem de erro tem de ser muito reduzida, algo que até compreendo. Mas quem faz televisão tem de partir da máxima de que é preciso inovar, uma das mensagens que mais tento transmitir no Em Foco. Se não se tem x, então tenta-se fazer com y outro tipo de conteúdos. Afinal, com pouco também se pode arriscar. Somos Portugal e Não Há Bela sem João são programas que não exigiram um grande investimento e que, pelas suas audiências e receitas das chamadas telefónicas, devem com certeza trazer proveito à TVI. Porquê não fazer o mesmo no horário nobre: experimentar?

Somos Portugal

Por mais talento que os concorrentes de A Tua Cara Não Me É Estranha possuam ou por mais profissionais que sejam Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha, quando se vai chegar à conclusão de que é preciso mudar?

Quanto o concurso esgotar? Penso que ao fim e ao cabo o objetivo deva ser esse.

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