Ele é uma cara bem conhecida da informação SIC e entrou em Carnaxide, há doze anos, aquando da criação do canal informativo da estação. Apaixonado pela arte de comunicar, está atualmente responsável pela Edição da Manhã e acorda os portugueses para os colocar a par das notícias que estão na ordem do dia. Estreou-se no jornalismo com 14 anos e passou por diversas rádios, jornais e até mesmo pelo CNL, antigo Canal de Lisboa. Estivemos à conversa com o jornalista no ano em que o terceiro canal faz 20 anos!

Não podes perder a entrevista exclusiva do Quinto Canal com… João Moleira!

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I

Quem é o João Moleira?

Ainda estou em processo de descoberta, mas até ao momento é alguém que faz por cumprir o seu papel o melhor que sabe e pode.

Sempre foi um sonho apresentar noticiários em televisão?

Não. Sempre foi um sonho comunicar. O meu imaginário até passava mais pela rádio do que pela televisão.

Já em criança brincava aos jornalistas. O que via de tão cativante na profissão?

Era a mais de comunicar. De me expressar, principalmente de forma oral, perante os outros e transmitir algo de que não tivessem conhecimento. Eu sabia que queria fazer algo ligado à comunicação. Não sei se era ser jornalista, “entertainer” ou professor, por exemplo.

Com 14 anos, quando se estreou nestas lides, qual a visão que tinha do mundo do jornalismo?

Nessa fase da nossa vida o mundo é muito mais simples, pinta-se com cores suaves e achamos que tudo é possível. Acho que foi dessa forma que entrei nisto, de alma e coração. Foi claramente um caso em que a paixão deu lugar ao amor, mesmo com os desencantos pontuais que surgem quando percebemos que as coisas não são tão fáceis e transparentes.

II

Integrou a equipa do CNL (Canal de Lisboa) depois de já ter passado por diversas rádios e jornais locais. O que ambicionava fazer nessa altura?

Experimentar fazer televisão. Era muito novo, mas já tinha alguns anos de rádios e jornais. O CNL foi uma oportunidade de entrar numa área diferente, na qual o acesso não era muito fácil.

Chegou à SIC Notícias há mais de uma década. Faz um balanço positivo do seu trabalho?

Fez 12 anos no final de junho. Só posso fazer um balanço positivo. Tem sido um processo de longa aprendizagem, mas que tem dado os seus frutos. Sinto-me um privilegiado por estar ao lado dos melhores e por ter a oportunidade de, desde o primeiro dia, fazer efetivamente televisão diariamente em direto. Não há melhor escola.

Tem a responsabilidade de acordar todos os dias os portugueses com a atualidade informativa. Sente que, com a crise, os portugueses tendem a evitar os noticiários?

Não diria evitar, até porque as audiências dos produtos informativos não se ressentem, mas é notório que as pessoas estão fartas do mesmo tipo de notícias e esperam por algo mais positivo. Isso percebe-se muito pelos comentários na rua. Em jeito de brincadeira, até nos pedem para darmos boas notícias porque já estão fartas destas.

Para estar no ar à 6h30 da manhã tem de acordar por volta das três e meia da madrugada. Foi fácil a adaptação ao horário?

Acordo todo os dias às 3 da manhã e mentiria se dissesse que é fácil e agradável, mas é uma questão e hábito. Depois de algum tempo criamos as nossas rotinas.

Já o vimos, algumas vezes, a apresentar também os blocos informativos da hora de almoço. Como consegue conciliar estes dois horários?

É duro, mas faz-se. A Edição da Manhã é muito desgastante porque são 3 horas em direto, não só de notícias, tem muita conversa, muito improviso e isso requer alguma destreza mental. Por norma não apresento os dois espaços no mesmo dia, mas já tem acontecido por necessidade. E quando tem que ser, faz-se com o mesmo empenho e relativiza-se o cansaço.

Já fez muitas horas de emissão em direto, recorda-se de qual foi o momento mais difícil?

Não sei contabilizar quantas, mas são pelo menos 3 horas todos os dias há 12 anos. Nunca me dei ao trabalho, mas são certamente muitas. No meio de todas elas é difícil escolher um momento. Há vários e cada um pelos seus motivos. O arranque da guerra no Iraque foi provavelmente um dos meus primeiros grandes testes pela maratona em direto que foi. Outro, particularmente duro, para mim, foi os atentados de Madrid.

III

Possuí, como se sabe, uma larga experiência nos diretos e na apresentação das notícias, mas certamente que protagonizou já momentos hilariantes. Qual foi, até agora, a sua gaffe mais divertida?

Também são muitas. Há coisas que ao público é difícil perceber porque passam-se ali em equipa, entre o estúdio e a régie. Depois há outras que estão relacionadas com convidados, com diretos, com quedas mesmo à minha frente, com trocas de nomes ou de palavras. Situações inesperadas, para as quais temos de estar preparados, mas que, na realidade, às vezes não estamos. Mais que engraçado, para mim acaba por ser muito aflitivo, porque não controlo o riso facilmente.

Costuma acompanhar as audiências dos noticiários que apresenta?

Sim, claro. Faz parte.

Com o fenómeno GfK, também a informação da SIC saiu prejudicada. Compreende as acusações que são feitas à empresa responsável pela medição audiométrica em Portugal?

Como seria de esperar, as coisas acalmaram. É sempre assim em Portugal. É natural que perante diferenças tão grandes a amostra e o processo em causa sejam questionados e as dúvidas esclarecidas. Neste caso não sei se o foram devidamente, mas parece que já ninguém se lembra muito disso.

IV

É um homem do mundo, com uma necessidade imensa de viajar. Quais os países que ainda lhe falta conhecer?

Ui… tantos! Quase todos! O próximo objetivo pára pela América Latina que é das regiões que menos conheço.

Qual o projeto que gostaria que se seguisse na sua carreira?

Não sei. Nunca tracei grandes planos na minha carreira, as coisas foram acontecendo. Não sei se será o próximo, mas, apesar de gostar muito do que estou a fazer, estou numa fase em que não me importaria de experimentar outros formatos, mais conversados.

 

Já recebeu convites de outras estações de televisão?

Não.

Todos os anos saem licenciados das universidades portuguesas centenas de jornalistas. Sabendo que o mercado está esgotado, que conselho daria aos mais jovens que lutam agora por um emprego na área?

Que não esperem pelo fim da faculdade. Comecem antes, seja na imprensa local, seja nos meios das escolas, mas comecem desde cedo a juntar experiência profissional ao vosso percurso académico, porque esse, por si só, não faz a diferença.

Costuma visitar sites/blogs sobre televisão? Sem sim, quais?

Costumo principalmente visitar as páginas de facebook de alguns desses sites e blogues. Quando vejo algo que me chama a atenção, então acabo por visitar o blogue, como é o caso do vosso.

Uma mensagem para os leitores do Quinto Canal.

Espero que continuem a acompanhar o vosso trabalho, porque é sinal que seguem também o nosso. Obrigado a todos!

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Obrigado e muita sorte para o futuro!

Fotos: João Moleira

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