Quem não conhece Picolé, a palhaça das manhãs da RTP que alegrava ainda mais a Praça da Alegria? Foram os tão conhecidos cortes orçamentais que acabaram por afastá-la da estação pública. Apesar disso, Ana Paula Mota garante continuar a viver a vida da melhor forma e a brindar as pessoas com o seu famoso boneco. O 5º Canal falou em exclusivo com a atriz, que nos explicou alguns dos episódios que a marcaram. Apaixonada pela sua arte, ambiciona um convite para voltar ao pequeno ecrã.

Divertida e controversa, esta é Ana Paula Mota, em exclusivo ao 5º Canal!

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I

A Ana Paula já fez de tudo um pouco, tendo passado pelo cinema, teatro, televisão e até pelo circo. De todos os projectos em que já trabalhou, qual a marcou mais? Porquê?

Todos me marcaram. Em todos aprendi, cada um pelo seu motivo. Mas talvez o circo. É uma vida muito dura, muito agitada, mas também existe uma união e uma partilha diferentes das que existem noutras artes. Mas em todo o lado existem cobras.

Ficou conhecida do grande público sobretudo pela sua participação na Praça da Alegria, como a «palhaça» Picolé. Com uma carreira já de alguns anos, o que faz na atualidade?

Só consigo ser feliz a fazer aquilo que gosto e aquilo que sempre quis fazer. Sou artista a tempo inteiro. Comecei aos quatro anos a fazer palco e profissionalmente há mais de vinte. Atualmente continuo a fazer a Picolé, aqui e ali. Só quem não sabe é que quer ser artista neste País, que só nos valoriza depois da morte. Que é para não ter que nos subsidiar em vida.

II

Porque é que a deixámos de ver nas manhãs da RTP1?

Isso terá que perguntar à RTP, mas quer-me parecer que tem alguma coisa a ver com «prevaricar» a lei e ter trabalhadores a recibos verdes anos a fio, e com uma lei que ia sair na altura que fez com que despedissem várias dezenas de colaboradores. Ou se calhar já estavam fartos de mim e não me achavam piada nenhuma. Aliás eu própria tenho dias em que não me acho piada nenhuma, até olho ao espelho e assusto-me: «Acho que vi uma palhaça».

Esperava por parte da estação pública uma decisão como esta?

Nada é eterno. Só não esperava que me telefonassem às sete da noite, na véspera do meu aniversário, ao fim de sete anos, a anunciar que no dia seguinte seria o meu último dia de trabalho. Mas foi o planeta que concebemos e onde continuamos medievalmente a viver. Depois de envergar a camisola com tanta força esperava só um pouco mais de decência. Mas afinal esperamos todos. Tudo não passa de uma ilusão. Mas na próxima vida quero ser política, assim troco os recibos verdes pelos sacos azuis. Sempre dá para uma casa com piscina.

Acha que atualmente existe espaço em televisão para uma personagem como a Picolé? Se sim, em que moldes?

Existe espaço para tudo, é sempre só uma questão de ter vontade e criar esse espaço.Veja-se o caso do Batatoon, com os meus queridos Companhia e Batatinha.  Mas atualmente pouco se investe no mercado infantil para além do que vem de fora. E acredite que uma pré-adolescente ou uma criança americana (exemplo), nada tem a ver com uma portuguesa. Mas como já vem testado de fora, o produto tem mais garantias. Na altura apresentei vários projectos à RTP.

Gostaria de regressar aos ecrãs nacionais?

Com volta e meia. Com mais assiduidade sim, porque gosto muito de fazer TV e de trabalhar com câmaras. A Ana Paula esteve numa TV por cabo como apresentadora e a Picolé pica o ponto na TV.

Qual o papel que gostaria de desempenhar e que considera ser o grande projecto da sua carreira?

Higiénico. Todos os que surgirem para me fazerem crescer até chegar ao fim do rolo de papel.

A Ana Paula para além de actriz é jornalista. Onde se enquadra a profissão na sua vida?

Eu não sou jornalista. Fiz alguns apontamentos, escrevo, pois sou na realidade tradutora intérprete de francês e inglês. Mas sempre adorei jornalismo, desde o liceu, cheguei a ter uma cadeira. Mas faltou o dinheiro para o resto do conjunto.

III

Já sofreu múltiplos enfartes, que consequências tiveram na sua vida profissional?

Nenhuma. Continuo a mesma doida, alucinada «speedada» de sempre, a 300km/h. E viver, só intensamente.

Faz parte da Associação Raríssimas. De que forma isso a ajudou a lidar com a sua doença?

Sou portadora de uma doença rara e não doente. O que faz com que eu encare isto de ânimo leve na maior parte dos dias. Também passa pela forma como encaro a vida e a morte. A ligação à Raríssimas, passa pela sua Directora e fundadora, Paula Costa, pois teve um filho que padeceu de uma doença rara. Cada vez há mais doenças raras devido ao que afecta o nosso campo electro-magnético, devido áquilo que consumimos estar intoxicado de químicos. E há sempre alguém que está pior do que eu e a Raríssimas, leva ajuda, conforto e alegria. Um ombro amigo.

Qual o maior sonho da sua vida?

Quando concretizo um tenho logo mais uns dez. Mas assim de reprente, gostava de ser raptada por uma nave alienigena, e ir viver noutro sistema solar, ou galáxia. Neste planeta, gostava de ir ao que resta do Tibete (Nepal) e passar uns tempos com os monges. E adorava que a Terra evoluisse espiritualmente, e que a forma arcaica de trocas de dinheiro terminasse. Ah, e que Jesus Cristo viesse finalmente acabar com isto e revelasse que na realidade é um ET e que a igreja católica andou a iludir-nos tanto tempo com a história dos pecados e a interferir na vida sexual de metade do planeta, e que me deixassem consultar a biblioteca do Vaticano.

Uma mensagem para os leitores do 5º Canal.

Nunca se esqueçam do que é ser CRIANÇA. Beijos, abraços e muitos palhaços com estardalhaços. Da amiga Picolé com muito banzé.

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Obrigado e muita sorte para o futuro!

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