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Entrevista – Raoni Carneiro (Diretor Artístico do programa «Sem Cortes»)

Antes de um programa chegar à antena e a casa dos telespetadores, existe uma vasta equipa a trabalhar nos seus bastidores para que tudo corra pelo melhor. Desde operadores de câmara aos diretores, tudo tem de estar perfeito quando vai para o ar. Por isso mesmo, e aproveitando a ocasião da transmissão da segunda temporada do programa Sem Cortes da Globo, o Quinto Canal esteve à conversa com Raoni Carneiro, diretor artístico do formato, para nos falar um pouco mais sobre o mesmo e não só. Aqui fica a entrevista exclusiva.

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Para quem não conhece o seu trabalho, quem é o Raoni Carneiro?

Comecei minha carreira como ator. Com 15 anos me mudei para a cidade de São Paulo para me profissionalizar no Teatro Escola Célia Helena. Na Globo cheguei a atuar em algumas novelas e seriados como A Lua me Disse, A vida Alheia e Gabriela, entre outros. Em 2005 dirigi meu primeiro espetáculo de teatro e, aos poucos, migrei definitivamente minha carreira para direção. Desde então, sou diretor artístico de diversos projetos na Globo, como o programa musical SóTocaTop, o show do  Criança Esperança e os especiais Festeja e Show da Virada além, é claro, do Sem Cortes, programa pensado e produzido exclusivamente para a Globo Portugal.

É atualmente um dos diretores da Rede Globo. Como surgiu a oportunidade de integrar a equipa daquele que é considerado o maior canal de televisão brasileiro?

Minha relação com a Globo começou em 2002, quando fiz uma participação na série Sandy&Junior. Depois dela, tive a oportunidade de trabalhar em diferentes projetos como ator, até que percebi que gostaria de dar um rumo diferente na minha carreira e trabalhar com direção. Depois de alguns trabalhos no teatro, passei a ser chamado para dirigir alguns shows musicais, de grandes nomes como Capital Inicial, Natiruts, Anitta e outros mais. Nesse momento tive a oportunidade de voltar para a Globo na direção de diferentes projetos. Por minha relação com o mundo da música, o primeiro deles foi o especial Roberto Carlos, em 2014, em que participei como diretor especial ao lado de Luiz Gleiser. Com ele, e no mesmo ano, também fui diretor especial do Show da Virada, que dirijo até hoje. Sigo na empresa desde então e no ano passado recebi a missão de desenvolver um projeto novo e exclusivo para Portugal, o programa Sem Cortes.

Sempre foi um apaixonado pelo mundo da televisão?

Sempre fui apaixonado pela arte, em suas diferentes manifestações. Teatro, música, televisão, cinema… Prova disso é o fato de o meu currículo profissional englobar todas essas diferentes áreas. A engrenagem da televisão é algo que me apaixona e desafia e por isso é maravilhoso poder mostrar os bastidores dos Estúdios Globo no Sem Cortes.

Como nasceu a ideia do Sem Cortes?

O Sem Cortes é um programa semanal de variedades, pensado e criado exclusivamente para a Globo em Portugal. Surgiu da vontade de nos aproximar ainda mais dos fãs da Globo no país, permitindo que as pessoas se sintam parte dos Estúdios Globo, por meio de matérias com os bastidores das nossas novelas, a rotina dos atores no set e a dinâmica de programas ao vivo. Além disso, temos várias matérias especiais gravadas em Portugal, que reforçam a relação muito próxima entre os dois países e a forma como as novelas da Globo fazem parte da cultura de ambos. Sempre digo que o DNA é a experiencia de quem visita os Estúdios Globo. E é fascinante receber os fãs para apresentar a fantástica fábrica de sonhos da Globo!

O que podem os telespetadores esperar da nova temporada?

O sucesso da primeira temporada nos faz acreditar que a segunda vai levar ainda mais emoções para quem nos acompanha em Portugal. Teremos muitas surpresas, muitas novidades, o programa vai estar ainda mais ágil e mais dinâmico. Estaremos ainda mais presentes em Portugal. Aos quadros que fizeram sucesso como o ‘Bio’, o ‘Como Faz’ e o ‘Quiz’, somam-se várias novidades, que passam por áreas como música, gastronomia, passeios e perguntas de fãs. No ‘Tempero de Novela’, chefs portugueses de prestígio inspiram-se em pratos clássicos da dramaturgia da Globo para criar novas receitas. No quadro ‘Acústico’, músicos brasileiros e portugueses conversam, tocam, cantam e relembram trilhas sonoras de novelas. O ‘Portugal Secreto’ revela os passeios e os locais preferidos de artistas brasileiros que vivem em Portugal. No ‘Direct’, fãs portugueses e brasileiros residentes em Portugal enviam perguntas para os seus artistas favoritos e, a partir dos Estúdios Globo, eles respondem. Enfim, a segunda temporada está recheada de conteúdos pensados para quem nos assiste em Portugal.

A par do Sem Cortes encontra-se em mãos com outro projeto, o SóTocaPop. Pode revelar algum detalhe sobre o mesmo?

O SóTocaPop é um projeto que tenho muito orgulho de ter criado. É uma programa que consegue classificar a música de maneira atual, sempre ressaltando os talentos nacionais e toda a diversidade de estilos musicais presentes no Brasil. A cada semana, preparamos um programa diferente, seguindo três linhas de recorte para classificar os rankings: música ou artista; rádio ou internet; e região ou género. Conseguimos descobrir diferentes maneiras de olhar a música levando em conta a multiplicidade de mídias e meios de consumo que existem atualmente. Essa dinâmica permite, por exemplo, um ranking com a música mais ouvida na internet, no gênero sertanejo. Outro com a música mais ouvida na rádio, no género funk. São múltiplas possibilidades. E, em 2019, temos duas grandes novidades para a nova temporada. A principal são nossos apresentadores, que esse ano serão vários e vão se revezar no comando da atração, começando pela dupla Iza e Toni Garrido. Depois será a vez de Lucy Alves e Wesley Safadão e a dupla Maiara & Maraísa. Mas teremos muitos outros nomes da música nacional na apresentação do SóTocaTop durante o ano. Outra aposta é contar, a cada sábado, com a presença de cantores que marcaram época com canções que são lembradas até hoje pelo público. Teremos uma apresentação especial deles a cada semana.

Tendo já dirigido diversos projetos televisivos, existe algum em particular que tenha sido o maior desafio profissional até ao momento?

Sou um apaixonado pelo que faço. Encaro todo projeto com o mesmo foco. Me desafio o tempo todo e cada um dos projetos nos desafia em algo. Isso é constante. Mas se tiver que elencar, acho que o Criança Esperança de 2017.

Como diretor, quais são as maiores dificuldades que sente no que toca à criação de novas ideias e conteúdos?

O mundo está muito pequeno em relação à informação. Em um clique sabemos o que esta rolando no Japão, na Austrália e assim vai. Criar ideias e conteúdos é estar o tempo todo aberto a ideias. Mas penso que o mais importante é estar com olhos abertos e ouvidos atentos para o que acontece ao nosso lado.

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