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K Filme: «Ready Player One» – Distopia Geekiana

Ready Player One

Ready Player One, um filme apaixonante, repleto de ação, uma brilhante distopia adaptada de um livro igualmente brilhante, realizado pelo grande Steven Spielberg. Acima de tudo, vi este filme como uma maratona de Easter Eggs, lindamente projetados, que encantou todos os fãs de anime, cultura pop e videojogos.

Escrito por Ernest Cline, Ready Player One foi o livro que deu origem ao filme homónimo, lançado em 2011, contando a história de um mundo no ano 2045, a passar por uma grande crise energética, destruição e muita pobreza. Uma distopia que já em 2011 não parecia tão distante, em que a única maneira de escapar à brutal realidade da inevitável auto-obliteração da sociedade moderna era o OASIS.

A adaptação faz sem dúvida jus à sua origem literária, sendo que pela primeira vez na vida vou afirmar que gostei mais do filme do que do livro. A obra é uma viagem com uma história envolvente, uma aventura abrasadora, mas quando tudo isto é complementado com a vertente visual da 7ª arte, fica tudo mais colorido e vivaz. A adaptação trouxe-nos um universo de coisas boas com planetas de coisas ótimas.

Segue então uma lista das coisas que me fizeram escolher este filme como o tema da minha primeira rúbrica:

Banda Sonora

Sendo eu uma eterna apaixonada por música, Ready Player One trouxe muita coisa boa para os meus ouvidos. I Hate Myself For Loving You da Joan Jett na corrida para a primeira Chave, ou Blue Monday 88’ , New Order, quando Parzival entra pela primeira vez naquilo que considero ser a melhor discoteca da história do cinema – Distracted Globe. Este filme fez com que tudo o que estamos a ver fizesse sentido com o que estamos a ouvir. Aquele sentimento de Retro Wave futurista, foi um paradoxo sonoro sem igual. Contudo houve um senão, as músicas dos trailers não tiveram lugar no filme e a verdade é que todos queríamos ver a corrida pela primeira Chave ao som da Tom Sawyer,de Rush, e a primeira entrada no OASIS cantada pela World In My Eyes, dos Depeche Mode.

CGI e Character Design

Mais um ponto a favor deste filme foi o CGI vivo e hiper-realista. As personagens são lindas, com cores vibrantes, uma vez que naquele mundo cada um pode ser o que quiser, as personagens principais escolheram ser únicas, bem talhas e cheias de estilo. Cada vez que entrávamos no OASIS parecia termos entrado no videojogo com os melhores gráficos possíveis – e no fundo era o que estava a acontecer.

Cada parte do OASIS que nos mostravam era mais interessante e com mais pormenor que a anterior, culminando num mundo quase perfeito aos olhos de um geek.

Personagens

As personagens de Ready Player One são sem sombra de dúvida o melhor dos dois mundos, a realidade e o videojogo. Temos o herói principal que é exatamente com o que muitos de nós nos identificamos, com uma história de vida não muito fácil, e uma segunda vida online muito mais viva do que a real. Parzival/Wade é assim um pouco de todos nós.

Art3mis é a verdadeira  girl gamer, insegura, mas de personalidade vincada e com vontade de deixar a sua marca no mundo. O resto dos High Five não se ficam atrás e são o grupo genérico com que muitos de nós fazemos party no World Of Warcraft – o miúdo de 11 anos que joga melhor que nós, o irmão mais velho que tem a gear que tanto queremos mas não temos paciência para tanto farm e a rapariga que só joga com personagens masculinas e não admite que é uma rapariga até ao dia que combinamos encontrarmo-nos todos numa convenção.

Depois temos o grande génio criador do OASIS que é o ultimate, super sayan Geek Master e mais, ele é o sábio guia do herói na sua quest. Por último quero fazer referência ao vilão mais genérico e com as intenções mais óbvias. Confesso que esperava um pouco mais do vilão, mas no fundo as suas intenções fazem todo o sentido na premissa.

Easter Eggs

Nem sei por onde começar, talvez pelo início. Início este quando o primeiro trailer de Ready Player One saiu e a comunidade Geek explodiu a tentar descobrir quantos Easter Eggs tem o filme. Infelizmente, alguma parte da comunidade ficou um pouco dececionada com o facto de alguns Easter Eggs presentes no filme não fazerem parte da coleção original do livro, contudo eu estou com o lado da comunidade que bateu palmas na sala de cinema à medida que ia vendo as minhas adoradas personagens de infância (e de agora) a aparecerem na grande tela. Todavia, estas aparições não vieram apenas em forma de personagens, vieram também no formato t-shirt, stickers, roupas, veículos, músicas, gear, videojogos, filmes, banda desenhada, etc.

Deixo-vos um “pequeno” vídeo com a contagem dos Easter Eggs, talvez aqui encontrem algum que deixaram escapar no meio do êxtase.

Distopia ou Viagem ao Futuro?

Distopias são grande parte da minha coleção de livros e filmes, a ideia de um mundo alternativo, suficientemente perto do nosso, apenas com uma ténue linha a separar a realidade da ficção é algo que agrada a muitos públicos, contudo julgo que este caso não é por si só tão distópico quanto queremos pensar.

 

Ready Player One – Distopia Geekiana

A parte boa de uma distopia é que esta está longe da realidade, logo, podemos sonhar em viver num mundo assim porque muito dificilmente vamos viver o suficiente para ver o mundo chegar àquilo. O OASIS é o sonho de qualquer gamer, ter um mundo para onde podemos ir quase na totalidade, criar uma vida, relações, um mundo onde temos batalhas, quests, etc., mas se pensarmos bem, já o fazemos. A realidade virtual é agora uma realidade, a ciência está a evoluir de forma a que quando chegarmos a 2045 vamos conseguir ter um OASIS.

Em suma, resta apenas questionarmo-nos se é isso que realmente queremos ou se é para lá que caminhamos? Um mundo alienado que interage maioritariamente através de Avatares.

Ana Teresa Rodrigues

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