Geral Televisão

Quinto Canal: Revista do Ano 2014 – Televisão (pt. 2 – ficção nacional)

Finalizando esta viagem pelos melhores momentos de 2014, o Quinto Canal reservou para este último artigo um dos temas que tanto ocupa a grelha de programação dos vários canais: a ficção nacional.

Mas antes, ainda há tempo para fazer uma rápida análise aos momentos mais marcantes dos últimos seis meses do ano em cada uma das estações. Quem não se lembra de, em pleno verão, acompanhar a habitual emissão do Verão Total ou da Volta a Portugal em Bicicleta na RTP1, época essa que ainda ficou marcada pela estreia de O Preço Certo Especial Verão? Ou então quem não deu uma vista de olhos na estreia do novo reality-show da SIC, O Poder do Amorou se deixou cativar pelos ritmos do Dança Com as Estrelas da TVI?

A verdade é que, depois de um verão mais calmo, as grandes surpresas surgiram a partir de setembro. Na RTP1, a rentrée televisiva ficou marcada pela ida de Vanessa Oliveira para o canal, abandonando a SIC, para assim abraçar um novo projeto, o Há Tarde, na companhia de Herman José. O Agora Nós foi também a grande estreia nas manhãs do canal, e já tem dado fortes provas de como pode vencer a concorrência. Setembro marcou também a chegada de mais uma edição de Chef’s Academy às noites de sábado, e a estreia inédita de The Voice Kids, programas que fizeram companhia aos telespetadores ao longos dos últimos meses de 2014.

Na SIC houve também grandes novidades, com a estreia de Luciana Abreu e Andreia Rodrigues, na companhia de João Baião, na condução do Grande Tarde, o novo programa diário do canal, que estreou em outubro, acabando com o reinado do Boa Tarde de Conceição Lino, após quatro anos de exibição. As noites de fim-de-semana ficaram marcadas pela aposta do canal na ficção aos sábados, e numa nova edição de Factor X aos domingos.

Pelos lados de Queluz, à excepção do MasterChef Portugal e do Rising Star, programas já abordados no primeiro artigo, as grandes estreias aconteceram apenas na área da ficção nacional, que agora ganha um novo destaque nesta Revista do Ano.


RTP1 Ficção

RTP

No que toca à ficção nacional este foi um ano de novas apostas para alguns canais e consolidação para outros. Mas nem tudo saiu como planeado. Depois de ter visto os seus projetos darem frutos, como foi o caso de Bem-Vindos a Beirais e Os Nossos Dias, a RTP1 decidiu, pelas mãos de José Eduardo Moniz, virar a sua mira para um público mais jovem. Foi esta a ideia principal para a série juvenil Água de Mar, podendo existir, de certo modo, parecenças com o sucesso que Morangos com Açúcar tinha trazido para o canal de Queluz anos antes. Os ingredientes estavam lá todos, caras bonitas, jovens talentosos, um ambiente descontraído com escolas de artes à mistura. Só houve um pequeno problema, o horário. A série veio substituir Bem-Vindos a Beirais, que tinha já o seu espaço consolidado no horário nobre, para levar a RTP1 ao fundo. Estreada no verão deste ano, nem com uma mudança radical na história e uma segunda temporada focada na escola de talentos a série da estação pública convenceu os portugueses, tendo sido cancelada com as gravações a terminarem este mês. O público é de marés e aquilo que já foi açucarado noutros tempos parece ter saído salgado desta vez.


SIC Ficção

SIC

Já para o canal de Carnaxide este foi um ano de consolidação no que toca à ficção nacional. A aposta em Sol de Inverno trouxe frutos para o canal privado tendo esta conquistado a liderança durante vários meses no seu horário, batendo constantemente recordes de audiências. A prestação de Maria João Luís como a grande vilã da história deu-lhe também uma maior notoriedade. Em junho deu-se a apresentação da nova novela da noite. Inicialmente intitulada de Lágrimas de Sal, Mar Salgado veio colocar a SIC num outro patamar, sendo atualmente o produto de ficção nacional mais visto em horário nobre pelos portugueses, tendo-se já tornado a mais vista do ano, mesmo tendo estreado apenas em setembro. Depois de ter feito uma pequena participação em Sol de Inverno, Margarida Vila Nova toma o lugar de protagonista na novela assinada por Inês Gomes, onde se junta ainda, diretamente do Brasil, o ator Ricardo Pereira, com Joana Santos e José Fidalgo a fecharem o leque de personagens principais.

Este foi também um ano de exclusividades, pelo menos para a SIC, tendo esta assegurado o seu vínculo com atrizes como Joana Ribeiro, Vitória Guerra, Luciana Abreu e Maria João Luís, que vieram a ter grande destaque no decorrer deste ano, em prol dos trabalhos desenvolvidos.

Os bons resultados ao nível do horário nobre fizeram a estação de Carnaxide ponderar numa segunda novela, a ser exibida ao mesmo tempo de Mar Salgado, indo ao encontro do que é feito na TVI. Patrícia Muller foi a autora escolhida para este novo projeto tão aguardado pela SIC e o leque de atores já começa a ser composto, apostando numa trama onde as mulheres assumem um papel importante bem como as relações familiares. 


TVI FicçãoTVI

A estação, que outrora teve a liderança da ficção assegurada, teve neste ano mais uma batalha a travar contra a rival SIC. Depois de ter estreado como principal novela do canal, Belmonte passou para o segundo horário com a chegada de O Beijo do Escorpião. A trama de António Barreira começou bem mas depressa perdeu para Sol de Inverno nos primeiro episódios. Com a passagem para o segundo horário, a novela passou a competir diretamente com Amor à Vida, onde a luta pelas audiências se revelou bastante mais renhida, com a liderança a ser divida diversas vezes com a concorrência. Mesmo assim a história de Belmonte valeu ainda uma nomeação para o Emmy de Melhor Telenovela do Mundo na mais recente edição dos prémios.

O Beijo do Escorpião surgiu também como a grande aposta do canal para 2014, mas uma vez mais as coisas não correram como o previsto. Depois de conquistar a liderança no primeiro episódio, as audiências caíram a pique perdendo constantemente para a concorrência, levando a que o canal reunisse de emergência para realizar alterações à história da trama. Por isso mesmo, depois de as alterações realizadas por José Eduardo Moniz, a novela ganhou novos contornos, e conseguiu fazer frente a Sol de Inverno, assumindo a lideranças em alguns episódios na reta final, registando mesmo no último capítulo a maior audiência de sempre em share da era Gfk no que toca à ficção nacional.

Depois de Belmonte e O Beijo do Escorpião, era a vez de a TVI se centrar em Mulheres. Com estreia a 01 de junho, conseguiu ser o produto de maior sucesso entre os quatro estreados pelo canal em 2014. A novela escrita por Raquel Palermo e Eduarda Maia foi a única a não sofrer alterações nem na história, nem no horário desde que estreou. Assumindo desde sempre a terceira faixa do horário nobre, Mulheres teve um início difícil, especialmente pelo facto de na concorrência se encontrar A Guerreira, um forte produto da SIC que rapidamente cativou os telespetadores e conseguiu registar audiências expressivas, mesmo sendo transmitida à meia-noite. Contudo, com o final desta novela, a trama da TVI conseguiu recuperar em pleno verão, e foi cativando cada vez mais fãs, sendo neste momento a líder do seu horário, deixando bem para trás agora a sua “nova” rival, Lado a Lado.

A terminar este ciclo de estreias na TVI, foi a vez de o canal tomar uma decisão inédita: realizar uma sequela de uma novela estreada por si, mas em 2000. Jardins Proibidos, o primeiro grande sucesso da ficção nacional da estação, foi o produto escolhido. Maior parte do mesmo elenco voltou a ser requisitado, para que a história pudesse ser o mais fiel possível à original, mesmo sendo uma continuação. José Eduardo Moniz foi o responsável por esta decisão, e a verdade é que esta decisão chegou mesmo a criar grandes expectativas nos telespetadores. Mas rapidamente essas expectativas foram dissipadas quando, uma semana após a sua boa estreia (liderando em praticamente todos os dias de exibição), as audiências caíram a pique com a chegada do novo produto da SIC, Mar Salgado, que veio a ser durante as primeiras semanas a rival direta de Jardins Proibidos. A cada dia que passava, a história desiludia ainda mais os telespetadores, e consequentemente os valores desciam, até números nunca antes registados por uma novela do canal no principal horário do prime-time. Por isso mesmo, José Eduardo Moniz voltou a ser chamado pela TVI para que fossem realizadas mudanças radicais na história, o que resultou em vários despedimentos de atores e novas requisições, de forma a elevar os números. Com a chegada do Secret Story 5, a novela passou para o segundo horário, competindo diretamente com Império da SIC. Só aí é que Jardins Proibidos conseguiu ganhar fôlego, conquistando assim a liderança nos últimos dias.

Como será que a ficção nacional do canal se comportará em 2015?


Na primeira edição desta Revista do Ano 2014, dedicada igualmente à televisão, recordamos algumas das personalidades desta área (e não só) que infelizmente partiram ao longo do ano, e nos deixaram nas memórias grandes momentos das suas carreiras. Nesta edição, recordamos agora duas figuras emblemáticas, tanto da SIC como da TVI, que por lapso nosso não foram mencionadas, mas que merecem igualmente todo o nosso respeito e admiração.

Até sempre Emídio Rangel e Rodrigo Menezes.

Emidio Rangel Rodrigo Menezes

DEIXE O SEU GOSTO E PARTILHE:

Artigos Relacionados