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Especial «Falas Negras» é emitido esta semana na Globo

O especial Falas Negras é composto por 22 depoimentos reais de pessoas que lutaram contra o racismo e pela liberdade, a favor da justiça, em registos biográficos ou em vídeos que a História nos ofereceu.


Essas falas históricas são interpretadas por atores, todas na primeira pessoa, num projeto criado por Manuela Dias, sob a direção de Lázaro Ramos. O programa foi transmitido por ocasião do Dia da Consciência Negra, celebrado no Brasil no passado dia 20 de novembro e poderá ser visto este domingo, dia 29 de novembro, às 21h15, na Globo em Portugal.

Desde os relatos coloniais de Nzinga Mbandi, que datam de 1626, aos ensinamentos pacifistas de Martin Luther King Jr., passando pela veemência de Malcolm X e Angela Davis, até a força de Marielle Franco, ou as dores de Mirtes Souza, mãe do menino Miguel, e Neilton Matos Pinto, pai de jovem João Pedro, mortos recentemente no Brasil, ‘Falas Negras’ mostra que o espírito de luta e de resistência dos povos afrodiaspóricos ultrapassa a barreira do tempo, os limites territoriais, e permanece vivo até os dias de hoje.

“O projeto nasceu durante a pandemia, durante três semanas de episódios tão simbólicos. Teve o assassinato do João Pedro, na semana seguinte o assassinato do George Floyd, e depois teve a morte do Miguel, um assassinato indireto que evidencia de forma quase caricatural a nossa chaga histórica. Isso tudo me mobilizou e propus para a TV Globo que a gente fizesse o especial. Sugeri abrir espaço para essas aspas para mostrar a inconformidade com o que a gente vem vivendo há mais de 500 anos”, explica Manuela.

Ao lado assistente de direção Mayara Pacífico, Lázaro Ramos conduziu durante dez dias os ensaios realizados de forma remota, onde o elenco contou com a preparação da atriz Tatiana Tibúrcio e teve aulas sobre a trajetória dos personagens dadas pela antropóloga Aline Maia, que também é consultora do especial. “Procuramos atores que fossem bons contadores de história, porque o projeto, na verdade, é isso. Ele não tem grandes movimentos de câmera e mudanças de cenários, aposta na capacidade de os atores contarem bem essa história, que é o que vai fazer com que o espectador se envolva com ela”, explica Lázaro.

E todas as falas são muito fortes. Lázaro Ramos confessa que, desde o seu primeiro contato com os textos, ficou mexido. “Quando li o material todo, fiquei parado por um tempo pensando em como que eu ia lidar com aquilo. Mas, ao mesmo tempo, sei que tudo aconteceu de verdade, não tem ficção aqui. É o que a nossa História produziu. Então, senti como um convite para refletir sobre como a gente vê a História. O meu desejo é que as pessoas se sintam motivadas a agir. É a nossa História, foi o que nós produzimos. E aí? O que faremos com isso?”, questiona.


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