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Entrevista – Especial «Bom Sucesso»: Rosane Svartman e Paulo Halm

Prometendo agarrar os telespetadores ao pequeno ecrã desde o primeiro momento, a novela Bom Sucesso é a próxima grande aposta da Globo em Portugal, a estrear em maio. Em contagem decrescente para a data de estreia, o Quinto Canal traz até aos seus leitores uma entrevista especial com os autores da novela, gentilmente cedida pelo próprio canal.


Rosane Svartman é cineasta, autora, diretora e doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Na Globo, dirigiu Casseta e Planeta e Garotas do Programa, além de ser autora de séries como Guerra e Paz e Na Moral. Assinou a redação final de Dicas de um Sedutor e ainda Malhação: Intensa como a Vida. Já Paulo Halm é autor e diretor. No cinema, dirigiu o filme Histórias de amor duram apenas 90 minutos, o documentário Hijab – Mulheres de véu, entre outros. Como autor escreveu filmes como Pequeno dicionário amoroso I e II‘ e ainda Dois perdidos numa noite suja, com o qual ganhou prémio da Academia Brasileira de Letras, entre outros.

Juntos, Rosane e Paulo assinaram a novela Totalmente Demais, indicada ao Emmy Internacional de Melhor Novela  em 2017, e ainda Malhação Sonhos, que concorreu ao Emmy Kids nas categorias Digital em 2016 e Melhor Série em 2015.

Qual a principal premissa da novela Bom Sucesso?

Rosane – Queremos falar sobre quão preciosa e única é a vida. A morte é a única certeza que a gente tem, e não precisa ser um tabu falar disso, especialmente porque, com a consciência de que nossos dias são finitos, podemos valorizar mais cada momento.

Paulo – Desejamos trazer a concepção de que a gente deve viver intensamente até o último minuto. Falamos sobre a descoberta de potenciais e sobre a redescoberta de pequenos prazeres. Acho que saber viver é o grande desafio do ser humano.

Como surgiu a inspiração para contar esta história?

Rosane – A primeira inspiração veio de um estudo do IBGE que mostra que aumentou o número de mulheres que são chefes de família. Começamos a pensar em quem são essas mulheres, se elas têm tempo para pensar em si próprias, como deve ser o dia a dia delas, e daí veio a ideia de trazer essa personagem feminina, a Paloma. Outra inspiração veio há dois anos quando trabalhei como curadora da Bienal e fiquei muito entusiasmada com aquele ambiente, unindo milhares de pessoas em torno do universo dos livros. Achamos que trazer o mundo da literatura era uma inspiração e uma homenagem ao que a gente faz, que é contar histórias.

Paulo – Nós somos leitores vorazes e gostamos de dialogar com várias narrativas dentro do audiovisual. Em Malhação Sonhos trouxemos o teatro e a música. Em ‘Totalmente Demais’, o cinema e a poesia. Agora, é a vez da literatura. Esse universo é muito rico e tem tudo a ver com a história de Paloma, uma mulher sonhadora e que tem a fantasia de viver suas próprias histórias. Além disso, quando começamos a escrever, encontramos o livro “A morte é um dia que vale a pena viver”, da Doutora Ana Claudia Quintana Arantes. Temos um diálogo contínuo com a obra, que fala da mesma coisa que levantamos na novela: aproveitar ao máximo a vida. Aparentemente, é uma temática densa, mas trazemos uma abordagem leve e alto astral.

Como surgiu a ideia de retratar o universo de Bonsucesso?

Rosane – Visitando a região da Leopoldina, achamos que era o lugar ideal para a nossa protagonista, pois Bonsucesso é um bairro que tem semelhanças com muitos outros pelo país. É de origem operária, possui muitos imigrantes, tem uma história grande. Além disso, a gente adora a poesia deste nome.

Paulo – A gente entende como sendo um bairro do Rio, mas que poderia estar em qualquer lugar do Brasil. O título da novela é um trocadilho, porque estamos falando do bairro e, ao mesmo tempo, fazendo um desejo de boa sorte. É um brinde à vida que a novela propõe.


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Como será a relação entre Paloma (Grazi Massafera) e Alberto (Antonio Fagundes) e como esse encontro conduz a novela?

Rosane – Paloma sente que viveu mais intensamente no período que achava que tinha seis meses de vida do que nos últimos anos. É assim que ela para e reflete sobre os rumos que os dias dela estão tomando. Ela vai atrás da pessoa que está com a doença terminal, o Alberto, e ele fica perplexo com tamanha explosão de vida dela. Alberto pede que ela o ensine a viver e um aprende muito com o outro. O encontro desses dois mundos diferentes inicia a história e a partir disso surgem os ingredientes do melodrama, como o triângulo entre Ramon, Paloma e Marcos.

Paulo – O encontro deles é a semente da novela. Quando Paloma descobre que vai morrer, ela se dá conta de que sua vida até então era muito limitada e que pode viver muito além disso. Ela vai ter muitas experiências que talvez não tivesse oportunidade, e Alberto vai aprender a valorizar os pequenos prazeres da vida. A partir disso, vêm todos os encontros e desencontros da história.

O que o público pode esperar da novela?

Rosane – Adoramos misturar cenas de forte emoção com cenas leves, porque a vida não é todo dia um drama e também não é todo dia tão leve e fácil. Essa mistura é o ingrediente característico do nosso texto.

Paulo – É uma novela leve, com humor e reflexão. É uma temática universal, e optamos por uma linguagem contemporânea e divertida.

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