Série documental «Nuclear Family» estreia na HBO Portugal

Esta é uma série documental de três partes, que estreia dia 27 de setembro na HBO Portugal, e que acompanha a cineasta Ry Russo-Young enquanto ela aponta a câmara para o seu próprio passado, para explorar o significado da família.


No final dos anos 70 / início dos anos 80, quando o conceito de família gay era inconcebível para a maioria, Ry e a irmã Cade nasceram de duas mães lésbicas, através de um doador. A idílica infância de Ry foi ameaçada por um inesperado processo que teve um enorme impacto na sua vida e na da sua família e que ainda hoje continua a ter. Uma exploração do amor, da lealdade, da perda e do poder imutável da família em todas as suas configurações, Nuclear Family analisa com eloquência a dinâmica que enriquece e complica os laços de amor. Esta série documental foi realizada por Ry, uma premiada cineasta, e produzida pelo vencedor de um Oscar e de um Emmy, Dan Cogan, da Story Syndicate e Warren Fischer.

Combinando um vasto portfólio de vídeos caseiros, cobertura de imprensa e entrevistas surpreendentes com familiares, amigos e adversários, Ry contou uma história que é profundamente pessoal e amplamente universal. Depois de uma carreira de realizadora de histórias de ficção, em filmes com guião, Ry reinventou a sua própria abordagem para contar histórias, desenterrando um episódio da vida real, que foi tão dramático e profundo quanto a ficção e que revela o quão precário e precioso o próprio ato de amar as nossas famílias pode ser.

Em 1979, Sandra Russo e Robin Young apaixonaram-se e decidiram formar uma família, numa época em que o casamento entre pessoas do mesmo sexo não era legal e em que os “bancos de esperma”, com doadores anónimos, não recebiam casais gays. Em vez disso, cada mulher deu à luz uma filha usando diferentes doadores, ambos gays, que viviam no norte da Califórnia e a quem foram apresentadas por um amigo em comum. As duas filhas, Cade e Ry, foram criadas na cidade de Nova Iorque por Russo e Robin, que lhes disseram que não tinham pais, mas sim homens que “ajudaram a concebê-las”. Nos primeiros anos da sua infância, as meninas e as mães visitavam os doadores algumas vezes por ano. O relacionamento de Ry e das suas mães com o doador, Tom Steel, foi inicialmente caloroso, mas foi-se desgastando e tornou-se cada vez mais tenso com o tempo, até 1991, quando Steel processou as mães de Ry por paternidade e direitos de visita.


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O processo judicial histórico que se seguiu começou quando Ry tinha nove anos e durou outros quatro, ameaçando a própria existência da sua família. Naquela época, como Russo não era a mãe biológica de Ry, ela não era considerada mãe em termos legais e a lei considerava-a uma estranha no processo, pelo que não pôde estar presente no tribunal. Historicamente, os tribunais davam mais importância à biologia e as mães lésbicas debatiam-se com uma longa história de perda da custódia dos filhos. A ameaça que Tom representou foi imediata e existencial.

Com uma intimidade crua, humor e suspense, Nuclear Family conta a história extraordinária de uma família lésbica de primeira geração, desde as suas origens na contracultura fora da lei, ao ataque do sistema judicial dominante e defesa final dos direitos e existência de Ry e das suas mães, terminando numa decisão legal histórica, que mudaria a forma como as famílias gays eram vistas para sempre. Acima de tudo, esta história de conflito é também um conto sobre empatia, enquanto Ry investiga as ambições e desejos das mães, do doador de esperma e de todos os seus amigos e inimigos, enquanto luta para ouvir e aceitar as suas perspetivas divergentes. Num mundo com o pensamento profundamente polarizado, Nuclear Family apresenta uma forma de lidar com os conflitos para qualquer pessoa que lute com questões não resolvidas nas suas próprias famílias, nas suas próprias vidas e no nosso mundo mais amplo.


André Kanas

http://www.facebook.com/andrekanas

Diretor, Redator e Gestor de conteúdos das redes sociais do QC | Responsável pelas coberturas musicais e televisivas do QC | Integrou o QC em 2013, dado o seu gosto pelo mundo televisivo e não só, sendo que já navega e escreve no universo de blogues e sites de entretenimento desde 2007.

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