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Após ter acompanhado as histórias das prisioneiras em Orange is The New Black (podem ler o artigo aqui), foi-me sugerido ver Wentworth, uma série que me apresentaram como do mesmo estilo. Resolvi seguir este conselho e a verdade é que Wentworth consegue ultrapassar em muito Orange is The New Black e assume-se mesmo como um drama capaz de provocar lágrimas nos mais fortes.

Baseada na série Prisoner, dos anos 80, Wentworth, localizada no ano 2013, é uma série australiana do canal SoHo e apresenta algumas das prisioneiras dessa antiga produção, no início da sua passagem pela prisão de máxima segurança. Bea Smith (Danielle Cormack) é uma mãe carinhosa e uma esposa em sofrimento que se vê à mercê do seu marido. Quando esta decide por um fim à vida dele, a filha acaba por descobrir e avisar a polícia do sucedido. Bea é então acusada de tentativa de homicídio e vai parar a prisão Wentworth. Lá, ela encontra-se no meio de uma disputa de poder entre Franky Doyle (Nicole da Silva) e Jacs Holt (Kris McQuade), duas prisioneiras que estão em constante guerra, para qual arrastam as outras mulheres, que muitas vezes acabam por sofrer o preço de participar nessa guerra. Bea vai conhecer a realidade de uma prisão de mulheres, os seus dramas e as suas lutas pessoais, ao mesmo tempo que vai perdendo a ligação com a filha e o controlo sobre a sua pessoa, à medida que a sua personalidade muda de ternurenta e atenciosa para agressiva e impiedosa para quem a trata mal lá dentro.

wentworth

A história é um dos pilares desta série e que recebe muitos elogios pois está muito bem conseguida e apresentada. Ficamos não só a saber os dramas pessoais das protagonistas mas também as ações que levaram algumas daquelas mulheres a receberem as suas sentenças. E existe uma fluidez no discurso e uma abordagem muito interessante a vários temas da sociedade: descriminação, racismo, homossexualidade, maus tratos no casamento, uso de drogas, entre muitos outros. A força da história só pode ser complementada pelas participações soberbas das atrizes. Tenho que confessar que fiquei fascinada pelo trabalho feito pela atriz principal. Conseguiu na perfeição interpretar uma personagem que tem uma personalidade boa e forte e que se vai perdendo ao longo do caminho. Vimos no seu olhar a violência física e psicológica pela qual passou e no final vemos como desiste de ser feliz e como se assume como uma Bea agressiva, má e intransigente.

É interessante verificar como mais uma vez uma série não americana consegue cativar o público e destacar-se na vasta lista de produções dramáticas. Wentworth deixa de lado a componente cómica de Orange is The New Black e mostra crua e friamente o pesadelo que é viver numa prisão do género. Toda a sua história tem uma brutalidade artística que me emocionou várias vezes. O final é simplesmente de cortar a respiração e para quem, como eu, tinha esperanças que Bea conseguisse vencer a batalha contra uma das “rainhas” da prisão e sair imune de toda essa violência, verificamos que a própria se resignou ao seu destino. É de partir o coração.

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