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Uma das séries sensação deste verão (e digo sensação considerando a forte promoção que teve) chegou finalmente ao pequeno ecrã. E perante todas as críticas positivas que já vinham antes da sua estreia, devo confessar que fiquei desiludida com o primeiro episódio.

Baseada numa produção televisiva dinamarquesa/sueca com o mesmo nome, The Bridge foi desenvolvida por Meredith Stiehm e Elwood Reid, sendo exibida por toda a rede FX. A história centra-se nos homicídios em série cometidos por um serial killer (pelo menos para já é essa a única hipótese apresentada), que ocorrem tanto em território americano como mexicano. O nome da série aponta precisamente para o elo de ligação entre esses países, nomeada na ponte que une El Paso (Texas, E.U.A.) e Juaréz (Chihuahua, México). Os polícias responsáveis por essas localidades cedo se apercebem da necessidade de juntarem forças na procura deste assassino. Por um lado está a detetive Sonya Cross (Diane Kruger), membro do departamento policial de El Paso e que sofre de síndrome de Asperger, e por outro o detetive Marco Ruiz (Demián Bichir), que pertence à força policial mexicana. A par das suas histórias e das histórias das vítimas, mais duas personagens ganham destaque: Charlotte Millright (Annabeth Gish), uma viúva rica que após a morte do seu marido descobre alguns segredos sobre as suas atividades além fronteira, e Steven Linder (Thomas M. Wright), um homem solitário e muito suspeito, que vive no deserto perto da fronteira.

the bridge

A história tem logo à partida um forte teor social. Seria ingénua negar que aborda um assunto americano demasiado problemático e que poderá encontrar aí a sua estrada para o sucesso. Ao tratar o assunto da imigração mexicana, do cruzar a fronteira ilegalmente e do poder exercido pelos cartéis de droga na fronteira, está sem dúvida não só a sensibilizar para o problema gravíssimo que a sociedade americana enfrenta, como a quebrar barreiras do preconceito e chegar a mais pessoas. Por outro lado, e considerando a forte componente policial que a série tem, os criadores fizeram uma boa jogada ao ir mostrando aos poucos a história pessoal das personagens principais. Consequentemente, fiquei bastante intrigada ao tentar perceber o que estaria de errado com a detetive Sonya pois não nos é logo explicado o porquê do seu estranho comportamento, apesar de tudo indicar algo ligado ao autismo. Desta forma, o interesse é mantido e dá espaço para que em outros episódios possam ser explorados componentes mais pessoais de cada personagem. Contudo, isto tem também um lado negativo. Ao não termos o conhecimento prévio de certas informações, algumas cenas podem passar ao lado e tornar maçador tentar perceber aquilo que nos está a ser mostrado mas não explicado. Um exemplo disto é a apresentação das cenas da personagem Charlotte Millright, pois o que aparentava ser apenas uma pequena aparição, torna-se numa presença constante ao longo do episódio, sem que faça qualquer sentido isso acontecer. Claro que no final ficamos com uma certa impressão do que se poderá estar a passar mas é maçador tentar perceber as associações, apesar de ser interessante ver a forma como os criadores tentam manter o suspense.

Em relação ao elenco, o nome que se destaca é sem dúvida Diane Kruger. Apesar de ainda não estar completamente convencida com a sua prestação, faz um trabalho bastante bom ao interpretar uma personagem tão complexa. Quem parece estar completamente à vontade nas suas interpretações são Thomas M. Wright e Demián Bichir. Porém, os diálogos são na sua generalidade forçados e denota-se uma falta de química entre atores, o que impede que haja um fluxo natural de diálogos e atuações. Relativamente ao plano visual da série, tenho que admitir que está muito bem aproveitada. Tem planos muito bem captados, a câmara não se apresenta num plano estático e a fluidez da ação é acompanhada pelo movimento da câmara de uma forma muito inteligente.

The Bridge é uma série que tem à partida a fórmula de sucesso. Porém, face à forte mediatização que sofreu, tenho receio que não consiga cumprir as expectativas. Resta esperar e ver se conseguirá prender o público e tornar-se a cabeça de série das produções televisivas deste verão. Por cá, a série estreou em simultâneo, no dia 13, em todos os canais da FOX (prova da forte mediatização de que falei) e está a ser exibida ao mesmo tempo que nos E.U.A.. Não percam, sábados às 22:20h na FOX.

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