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Existe aquele tipo de séries que engloba em si todas as condições para ser uma produção de sucesso, capaz de fazer frente a vários títulos cinematográficos. The Borgias é o exemplo atual de uma série de sucesso.

Já tinha mencionado anteriormente esta série quando falei de Da Vinci’s Demons e do facto de tentar aproximar-se de The Borgias, falhando totalmente nesse aspeto. Primeiramente porque The Borgias é exibida no canal Showtime (cuja lista de produções televisivas está recheada de sucessos tais como Dexter, Homeland, Shameless, Californication, Weeds, Queer as Folk, The L Word, Nurse Jackie, entre outros), o que significa que existe à partida uma liberdade maior no que toca a quebrar barreiras de pudor e suscetibilidades. Depois porque seguiu um pouco o modelo de The Tudors (série do mesmo canal), sem nunca perder a sua essência. E por último, porque procurou atrair um outro público: o dos videojogos. Desde cedo aproximou-se da saga de Assassin’s Creed, recriando muito do ambiente experienciado pelos jogadores.

Criada por Neil Jordan e fruto de uma co-produção canadense-húngaro-irlandês, esta série estreou em 2011 e desde então tem tido um caminho ascendente, chegando à atual terceira temporada. A história incide sobre a ascensão de Rodrigo Borgia (Jeremy Irons) a Papa Alexandre VI e das ações da sua família para chegar ao poder e, principalmente, para o manter. Rodrigo conta com a ajuda dos filhos Juan (David Oakes), Cesare (François Arnaud) e Lucrezia (Holliday Grainge), no seu plano de ter o controlo de toda a Itália. Esta família é um marco do Renascimento, tendo residido em Roma no século XV, e é relembrada pelo governo corrupto que exerceu e por vários crimes, desde assassinato, adultério e incesto.

Os Bórgia the Borgias

A história parece simples – é apenas a procura de poder por parte de uma família – e bastante fácil de percecionar mas o que cativa imenso são as histórias paralelas e as pequenas ramificações que se vão criando com o decorrer dos eventos, à medida que cresce o descontentamento com os Borgias e as conspirações contra os mesmos. Os criadores conseguiram captar toda a essência da época, escondendo assim as pequenas lacunas históricas que contém (algo perfeitamente normal numa produção do género pois a série é apenas baseada nos acontecimentos mais importantes da história original). Se por um lado indiquei que em Da Vinci’s Demons essas lacunas estavam muito presentes pois não havia um outro peso forte na balança, em The Borgias isso torna-se quase irrelevante pois a balança está equilibrada.

Algo que ajuda a esse facto é a prestação notável de todos os atores, que interpretam as suas personagens de uma forma original e carismática. Jeremy Irons é um excelente ator e esta produção serve para provar isso mesmo. Irons comanda uma equipa que toda ela, apesar de não ter outros nomes sonantes da televisão, é de muito boa qualidade.

Como referi anteriormente, e como consequência do canal em que é exibida, denota-se nesta série uma liberdade no que toca à exibição de conteúdos de violência e sexo. Nenhuma das duas está em demasia, sendo que ambas estão bem encontradas e produzidas. Existe aliás um certo toque artístico na maneira como mostram tanto umas como outras. Existe muito a alusão ao sangue e à sua cor vermelha, uma vez que para os Borgias chegarem ao poder, muito sangue foi derramado. Mas tal alusão é feita de uma forma artística, contribuindo para o belo da série e para a sua qualidade.

Os efeitos visuais são também eles muito bons e bem utilizados. Uma característica da série é utilizar cenários físicos ao invés de criações por computador, o que proporciona ao espectador uma experiência visual agradável.

Aconselho o visionamento de The Borgias não só aos fãs de séries históricas mas também àqueles que procuram um produto televisivo de qualidade. Sem dúvida, o passar dos anos consolidou a importância e o sucesso da série e resta esperar que consiga manter a sua qualidade e essência nas próximas temporadas.

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