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Só Séries: O domínio das bruxas em «Salem»

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Ainda estava eu a recuperar do final de American Horror Story Coven, quando descobri que iria estrear uma nova produção televisiva sobre bruxas. E tal não foi o meu espanto quando anunciaram que o nível de horror nesta série seria mais elevado do que em AHS. Para tirar todas as dúvidas, resolvi ver esta nova produção e deixem-me que vos diga, nunca uma série me provocou tanta mistura de sentimentos.

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Criada por Adam Simon e Brannon Braga para o canal WGN America, Salem é uma adaptação ficcional de eventos históricos. Situada no século XVII, a série inspira-se nos verdadeiros julgamentos e perseguições às bruxas feitas naquela zona na altura. A trama centra-se na história de Mary Sibley (Janet Montgomery), uma mulher de ascendência pobre que tem uma relação secreta com John Alden (Shane West). Quando este parte para a guerra, Mary fica desamparada e pouco depois descobre que está grávida. Numa altura em que as relações não matrimoniais davam direito a julgamento e tortura, Mary é aconselhada por Tituba (Ashley Madekwe), uma misteriosa e poderosa mulher, a tirar o filho e iniciam posteriormente um ritual satânico para remover o filho de Mary da sua barriga. Anos mais tarde Alden regressa, apesar de toda a população e Mary inclusive o considerarem um homem morto, e depara-se com uma vila totalmente diferente, a viver no medo das ações das bruxas. Cotton Mather (Seth Gabel) é o padre da vila que apregoa a palavra de Deus e condena as ações levadas por aquelas a que ele chama de “agentes do diabo”. Ao mínimo sinal de ação satânica Mather não hesita em presidir um julgamento sem ter receio de estar a condenar pessoas inocentes.

Em relação à veracidade dos factos históricos, confesso que não tenho o conhecimento total do que aconteceu na altura logo não posso afirmar se a série faz uma adaptação rígida ou não. Contudo, pelo que tenho lido e acompanhado, a série carece de muitos detalhes históricos importantes e muitos espectadores afirmam que é até um ultraje à memória dos inocentes que morreram devido a esses julgamentos. Contudo, a história da série está bem escrita e apesar de ser um pouco monótona ao início consegue desprender-se aos poucos e poucos e criar uma trama interessante.

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Por outro lado, as atuações deixam muito a desejar. Tirando a protagonista que consegue desempenhar na perfeição um papel duplo – por um lado de bruxa maquiavélica e por outro de mulher que sofreu por amor – mais nenhum ator me conseguiu cativar tanto. Admiro bastante a prestação de Seth Gabel que interpreta um padre com duplos valores morais e que vive atormentado pelo seu conhecimento sobre bruxas. De resto, muitos dos diálogos e prestações parecem mecanizados e custam só de ver. São de facto muito medíocres.

Os feitos visuais são também um dos pontos fracos desta série diminuindo bastante o impacto que as cenas teriam se tivessem uns efeitos dignos. Contudo tenho que confessar que nada disso tira o sentido de horror da série. Aquele tipo de cenas q estava à espera de ver em American Horror Story vejo agora em Salem. E mais que as próprias cenas em si, é o contexto criado para que essas cenas consigam provocar medo nos espectadores. A partir do momento que vejo uma mulher possuída a andar no teto ou uma boneca enfeitiçada ou até mesmo rituais satânicos nojentos sei que estou perante uma história de bruxas a sério. E acreditem, a série consegue ser nojenta a um ponto imaginável. A par das cenas mais obscuras, os produtores também não se inibiram de mostrar cenas violentas e de carácter sexual. Felizmente, este tipo de cenas consegue ser colocado na perfeição em concordância com a história e não são em demasia.

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Se deixarem de lado a veracidade dos factos de uma produção televisiva (que volto a relembrar é pura ficção) e um facto de não ser uma série de excelência, Salem é uma produção digna para quem gosta de histórias de bruxas que não rocem o drama juvenil. Esqueçam The Vampire Diaries, The Secret Circle, The Witches of East End ou até mesmo Charmed. Salem é uma série para adultos e mostra cenas para adultos (que podem ou não ter o estômago para aguentar a série).

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A título de curiosidade, a intro é uma música nova de Marilyn Manson, que fará parte do seu novo CD. Intitulada Cupid Carries a Gun, a música vai de acordo com toda a aura negra da série. Assistam aqui à intro:

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