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Só Séries: Muito sangue e criaturas estranhas em «From Dusk Till Dawn»

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from dusk till dawn posterA minha curiosidade leva-me imensas vezes a espreitar séries para as quais não tenho tempo de seguir. É um facto: preciso de tempo para ver tudo o que quero ver. Mas mesmo assim lá me desdobro em pausas, novas séries, regressos e animes. E foi num destes ataques de curiosidade que fui ver From Dusk Till Dawn, sabendo eu que isso era o nome de um filme do Tarantino (mais um motivo para ver).

From Dusk Till Dawn: The Series é uma série de terror americana criada por Robert Rodriguez (o mesmo responsável do filme) para o seu canal televisivo El Rey, numa coprodução com a FactoryMade Ventures e Miramax. A história incide sobre os irmãos Seth (D.J. Cotrona) e Richard “Richie” Gecko (Zane Holtz), dois criminosos que procuram fugir da polícia e chegar o mais rapidamente possível à fronteira do México para se encontrarem com o barão da droga Don Carlos (Wilmer Valderrama) e serem livres. Os irmãos vão cruzar caminho com Jacob Fuller (Robert Patrick) e os seus dois filhos – Katie (Madison Davenport) e Scott (Brandon Soo Hoo) – que os vão ajudar a cruzar a fronteira, de forma forçada. O problema é que ao chegarem ao México, entram num bar de strip povoado por vampiros e terão que fazer de tudo para sobreviver até ao amanhecer.

Confesso que vi a série sem antes ter visto o filme e pelo que li na internet fiquei com um misto de sentimentos, o que me levou a ir ver a produção original (como é possível eu ainda não ter visto o filme, certo?). A história é bastante simples até e como filme encaixou de uma forma perfeita porque o clímax ocorre quando os fugitivos entram no bar, dando posteriormente origem à parte com mais ação do filme. Contudo, como um reboot em forma de série era necessário dar um pouco mais de consistência ao que já existia. Ao contrário do que grande parte das críticas têm referido, acho que a procura de explorar um pouco mais o contexto das personagens está a ser muito positiva para o produto final. Alguns fãs têm reclamado que a série não se assemelha de todo ao filme e que a acham demasiado enfadonha. O que não se podem esquecer é que isto é um reboot (uma espécie de reinício da história) em forma de série e para ser religiosamente igual ao filme bastaria apenas 2 a 3 episódios. E pelo contrário, não a acho enfadonha mas sim interessante por ir apresentando pequenos detalhes sobre o contexto das personagens que nos são apresentadas nos filmes.

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Em relação ao elenco, confesso que até gostava do D.J. Cotrona a interpretar Seth mas assim que vi o filme toda a minha admiração foi para o George Clooney, num papel que lhe encaixou perfeitamente. Cotrona procura repetir algumas das posturas e atitudes de Clooney e mesmo sendo criticado por tentar fazer uma cópia da sua atuação, admiro o esforço e capacidade que tem tido para manter o carisma da personagem. Quem me surpreendeu bastante foi Zane Holtz, que interpreta Richie, personagem que no filme foi atribuída a nada mais nada menos que Quentin Tarantino. Tarantino quase que dava um ar de idiota à sua personagem mas Holtz eleva-a a um nível arrepiante. Ele interpreta Richie de uma forma tão assustadora, dando-lhe mais destaque do que teve no filme.

O que realmente me incomoda sobre a série são os vampiros. No filme eles só aparecem na parte final e são claramente semelhantes à imagem de vampiros da época (relembro que o filme é de 1996). Contudo na série já foram apresentadas essas criaturas e sinceramente parecem mais cobras do que vampiros. Aliás, se têm fobia a cobras, não vejam esta série! Tem imensas referências a este animal e pelo que vi até agora de criaturas estranhas, neste caso os olhos e os dentes, são mais semelhantes às criaturas rastejantes do que aos morcegos sanguinários.

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Os efeitos visuais na sua maioria também são um pouco amadores. Estamos em 2014 e a tecnologia evoluiu imenso pelo que não é necessário termos que assistir a certos efeitos medíocres, que contudo, são bem melhores que os utilizados no filme (não há palavras que possam descrever o quão maus são os efeitos e os adereços do filme). Por outro lado, existe uma maior utilização de sangue (que não parece tão falso) e uma menor restrição de cenas “chocantes”. Frequentemente são nos presenteados planos geniais que demonstram toda a qualidade técnica do realizador. A grande barreira imposta na série é a linguagem que diga-se de passagem podia ser bem mais ofensiva, considerando o contexto da história e o exemplo do filme.

Se são fãs do filme é muito provável que não achem piada à série. Por outro lado, se são fãs de histórias de vampiros, é bem provável que se interessem por esta produção. From Dusk Till Dawn: The Series é mais um exemplo na televisão americana de que se está a perder a originalidade na criação de séries e a recorrer-se a adaptações de produções já conhecidas para se ter sucesso. Não obstante, eu acho que até é um thriller interessante e que se pode tornar muito mais, mas que tem imensos entraves para o seu sucesso.

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