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Só Séries: Desaparecimentos estranhos em «The Leftovers»

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Com o início de mais um verão, chegam à televisão novas séries que poderão passar despercebidas a muitos espectadores precisamente por serem exibidas nesta altura. De maneira a fugir à competição da Fall Season e a cativar um público diferente, de vez em quando surgem produções que conseguem vingar no panorama televisivo. The Leftovers é então uma das grandes revelações deste verão.

Criada por Damon Lindelof, cocriador de Lost, e Tom Perrotta, escritor do livro homónimo que deu origem à série, para o canal HBO, este drama apresenta uma premissa interessante iniciando a história com o misterioso desaparecimento de 2% da população humana. Três anos depois, e sem nenhuma justificação científica encontrada, as pessoas que ficaram procuram ultrapassar esse dia e seguir com as suas vidas. A história tem como referência central a família Garvey, composta por Kevin (Justin Theroux), chefe da polícia local de Mapleton; Laurie (Amy Brenneman), que abandonou a família e juntou-se a um culto conhecido como The Guilty Remnant (Os Remanescentes Culpados); Tom (Chris Zylka) o filho mais velho que abandonou a família e se juntou a um outro culto liderado por Wayne Gilchrest (Paterson Joseph), considerado um santo é procurado pela polícia; e por Jill (Margaret Qualley), a filha mais nova que está a passar por uma fase complicada na sua adolescência e que age muitas vezes de forma impulsiva, sempre com a ajuda da sua amiga Aimee (Emily Meade). À parte desta família, existem muitas outras personagens que vão tendo algum destaque ao longo dos episódios, tal como Matt Jamison (Christopher Eccleston), um padre que proclama que as pessoas que desapareceram estão a pagar pelos seus crimes, Megan Abbott (Liv Tyler), uma mulher perturbada que acaba por se juntar ao culto de Laurie, e ainda Lucy Warburton (Amanda Warren), a Mayor da cidade que procura a todo o custo manter uma coexistência pacífica entre os populares e seguir em frente após o evento ocorrido.

the leftovers

A história tem tudo para ser mais um drama a prender a atenção do espectador. Tal como Lost, vamos conhecendo as personagens à medida que o tempo passa e muitas das primeiras impressões que retemos acabam por ser destruídas quando nos é apresentada todo o contexto emocional das personagens. O próprio evento em si, o facto de 2% da população ter desaparecido sem qualquer explicação, é um forte ponto de inspiração para a criação de inúmeras ramificações da história. Contudo, até agora ainda está tudo muito confuso, muito solto, as histórias aparecem sem contexto e sem explicação e o espectador fica bastante ausente dos eventos, a tentar interpretar tudo o que está a acontecer. Creio que tal como eu, muitos espectadores já estariam à espera de mais uma ou outra dica sobre as pessoas que despareceram e a verdade é que a série é sobre aqueles que ficaram. E sobre este drama, sobre esta incapacidade de recuperar alguém que nos foi retirado, a série é excelente porque contempla todas as nuances de quem procura seguir a sua vida.

O elenco é composto por muitas caras conhecidas do pequeno e grande ecrã e isto poderia ser um fator determinante para o seu sucesso. Porém, a química entre as mesmas está ainda muito fraca e alguns diálogos e prestações tendem a parecer forçados. Há atores que conseguem cativar e interpretar de forma impressionante a capacidade emocional que corresponde à sua personagem. Mas no geral, sinto que o elenco pode dar muito mais à série.

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A composição visual da série está bastante boa, com planos geniais e movimentos de câmara suaves. Existe de facto um grande cuidado e tem sem dúvida imensa qualidade neste aspeto. Para dar ainda uma maior enfâse na qualidade da composição dos planos, é-nos apresentada uma banda sonora interessante e cativante, capaz de intensificar ou suavizar as cenas, conforme nos vão sendo apresentadas. Existem cenas de ação, cenas de sexo e utiliza-se uma linguagem com recurso aos ditos palavrões, não fosse esta uma série do canal HBO.

Para demonstrar o forte potencial que The Leftovers tem, foi criado um genérico no mínimo brilhante, contemplando algumas pinturas normalmente associadas às que estão em igrejas, onde figuram as principais personagens da série e aqueles que perderam, numa mistura de som e cor excelente.

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A nova série da HBO tem tanto para dar, tanto para mostrar ainda, que receio que tamanha expetativa acabe por não se concretizar. É sem dúvida uma série que prende o espetador ao ecrã e que precisa de atenção e interpretação por parte deste. Por isso, pode não ser do agrado de toda a gente. Não é apenas entretenimento. É quase uma obra de arte. Está é ainda a ser esculpida. Veremos o resultado final…

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