Cult

Acabadinha de sair do forno, Cult era inicialmente uma forte aposta do canal The CW para conquistar muitas audiências. Contudo, o resultado não foi o esperado.

Cult é daquelas produções que tem tudo para dar certo pois tem o fator fundamental e que carece em muitas outras séries: uma história. Procurando um pouco um conceito de Inception, a série aborda o fanatismo dos fãs em relação a uma série. «Cult» é na verdade o nome dado à série que se passa dentro da série. Confusos? Não fiquem porque a única confusão que se pode gerar é mesmo ao ler a descrição da série porque em cada episódio está bem explícito o que estão a acontecer dentro e fora da série. E, na minha opinião, é aí que reside o brilhantismo todo desta produção, pois os criadores souberam conjugar toda a complexidade da história e torna-la simples aos olhos do telespectador.

A história tem início quando Jeff Sefton (Matthew Davis) é contactado pelo seu irmão Nate (James Pizzinato), que se sente perseguido por fãs de «Cult», após ter descoberto uma série de mensagens escondidas em cada episódio. Jeff não vê qualquer indício de perigo para o irmão e não o leva a sério até este desaparecer misteriosamente. Na tentativa de encontrar o irmão, Jeff tem acesso à pesquisa que este fez e começa a ter noção da dimensão do fanatismo por «Cult». É com a ajuda de Skye Yarrow (Jessica Lucas), uma assistente de produção da série que procura incansavelmente detalhes sobre o criador da série, que Jeff se aproxima de Nate, ao mesmo tempo que descobre toda a rede de comunicação e de acontecimentos gerados por os fãs mais extremistas. A par desta busca contínua, vamos acompanhando os bastidores de «Cult», principalmente pelas ações da atriz Marti Gerritsen (Alona Tal) e do ator Roger Reeves (Robert Knepper), que representam respetivamente Kelly Collins e Billy Grimm em «Cult».

Cult

No meu ponto de vista, toda esta complexidade na história está bastante bem aproveitada e Cult retrata uma situação que a muitos passará despercebida: quais os limites do fanatismo? Porque a verdade é que se gerou um culto que tira as suas próprias interpretações do que vê e age de acordo com o que é transmitido. E mais preocupante ainda é a capacidade de comunicação que os criadores têm com os espectadores, ao colocarem mensagens propositadas para que os fãs as descubram. Não são todas as produções que conseguem ter este tipo de relação com os fãs mas muitas aproveitam isso para o seu sucesso. Fringe é na minha opinião a produção que mais se destaca neste contexto. As constantes mensagens, segredos e detalhes colocados de propósito em cada episódio levaram à criação de muitos fóruns online e sites onde os fãs colocavam as suas descobertas e partilhavam as suas interpretações. Eu própria após cada episódio procurava descobrir o que tinha sido transmitido. Contudo, estas mensagens em Fringe foram sempre relativas à história. Em Cult o problema é que os fãs fanáticos estão a roubar, raptar e matar em nome da série que assistem, legitimando que é tudo vontade do mítico, e misterioso, criador da série Steven Rae.

Não obstante a todo este brilhantismo, Cult não convence. A principal razão são os atores principais, pois as suas prestações roçam o medíocre. A dupla principal carece de química e atuação de Davis é muito mecânica. O único que se destaca é Robert Knepper, conhecido por ter interpretado T-Bag em Prison Break, que concentra em si todo o carisma da série.

A resolução dos enigmas em cada episódio é algo que também carece de mais realismo pois as soluções são demasiado evidentes, as respostas estão expostas facilmente e tudo parece demasiado óbvio. Seria interessante manter um pouco mais o suspense.

É com muita pena da minha parte que assisto ao afastamento total do brilhantismo da série por esta não conseguir compensar nos outros patamares. Cult tem sem dúvida muitos argumentos para continuar e seria louvável que os produtores conseguissem tapar estas lacunas o quanto antes. Resta esperar e ver o que o futuro trará a esta produção.

“These things just snap right off…”

Outras Notícias