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Só Séries: Criaturas sobrenaturais em «Hemlock Grove»

Só Séries

As séries de terror não são o meu forte e se costumam acompanhar a minha rubrica de certo já se aperceberam dessa situação. Contudo, decidi dar uma oportunidade a uma série de sucesso da Netflix. O resultado? Uma série viciante e cativante mas que perdeu toda a sua essência de forma abismal na segunda temporada.

Produzida por nomes conhecidos como Eli Roth, Eric Newman, Lee Shipman, Michael Connolly e Mark Verheiden, em conjunto com a Gaumont International Television, esta série é baseada no livro homónimo de Brian McGreevy.

A temática principal da produção é o horror, tendo como palco a cidade Hemlock Grove, no interior da Pensilvânia. A história é sobre a família Godfrey que realiza experiências secretas através da biotecnologia. Quando começam a surgir mortes inexplicáveis em que os corpos aparentam um grave estado de mutilação, começam a surgir rumores de que existe um animal perigoso na região, podendo ser eventualmente um lobisomem. A misteriosa matriarca da família Godfrey, Olivia (Famke Janssen), terá que lidar com a curiosidade do seu filho Roman (Bill Skarsgård), que pretende descobrir a verdade com a ajuda do cigano Peter (Landon Liboiron) – que toda a gente acredita ser o lobisomem. Fazem ainda parte do elenco Lili Taylor como Lynda (mãe de Peter), Kaniehtiio Horn como Destiny (prima de Peter), Dougray Scott no papel de Norman Godfrey, Penelope Mitchell como Letha (filha de Norman) e Aaron Douglas que representa o xerife da cidade.

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Esta história foi o mote para a primeira temporada e apesar de faltar algum contexto pessoal de algumas personagens era isso que também cativava a atenção do público e que mais mistério deixava no ar. Afinal o que era um Vargulf? Ou um Upir? Existia uma enorme preocupação em utilizar mitologia europeia para dar nome àquelas criaturas sobrenaturais, tão já exploradas em outras séries. E mesmo o cuidado de deixar uma ou outra ponta solta para mais tarde pegar e dar um verdadeiro twist demonstrava algum interesse em criar uma história minimamente cativante. A segunda temporada deitou por terra todo este esforço. Para já porque mudaram de forma bruta a personalidade de muitas personagens (sim, eu sei que as pessoas mudam mas houve imensos exageros). Depois porque começaram a explicar tudo e a não deixar nada por antecipar ou que pudesse criar surpresa. E depois porque deixaram a mitologia para trás e desenvolveram apenas mais uma série sobre criaturas sobrenaturais.

Outra diferença enorme entre temporadas foi a química do elenco. Adorei ver Bill Skarsgård (mais um filho prodígio desta abençoada família) no papel de Roman, capaz de provocar tanto nojo como pena, demonstrando não só as questões da idade da personagem mas também o facto de não saber o que era. A atitude de menino mimado renderam imensas cenas carismáticas e isso tudo se perdeu na nova temporada. Primeiro porque quis deixar de ser o que era – a sério produtores? – e depois porque perdeu o impacto que tinha na história, deixou de ser tão manipulável e passou a ser manipulado. Por outro lado, Famke Janssen continua a conquistar-me no papel de Olivia, cega pela paixão do seu filho e totalmente encarregue de ser a vilã da história. No geral o elenco consegue ter uma química razoável e os diálogos são feitos de forma coerente, apesar de na segunda temporada a qualidade dos mesmos não se equiparar.

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Onde Hemlock Grove primava era no tipo de cenas que mostrava. Normalmente sem tabus nas cenas de sexo e, acreditem, sem qualquer restrição nas cenas de violência. A própria linguagem nos diálogos era muito liberal e os palavrões eram palavras recorrentes em todos os personagens. Confesso que houve cenas que me enojaram bastante e foram mesmo muito fortes visualmente. A primeira temporada contemplou transformações e mortes macabras e muitos corpos e sangue e apesar de ser uma série violenta, não deixava de ter o seu tom artístico. Contudo, tudo isto se perdeu na segunda temporada. As cenas de sexo deixaram de existir praticamente e tudo o que era violento deixou de ter tanto impacto. Possivelmente os criadores receberam muitas críticas em relação ao nível de violência exibida, mas nada se justifica tal mudança brusca.

O som e a imagem eram outros cuidados patentes na primeira temporada que falharam imenso na segunda. A banda sonora, ora instrumental ora com músicas comerciais, que se enquadrava de forma perfeita com as cenas exibidas, passou a ser banal. Por outro lado, o tom escuro da série, os planos utilizados e a própria posição da câmara eram também de uma qualidade imensa e dava todo o misticismo à série. Novamente, tudo foi esquecido na segunda temporada.

É normal existirem mudanças entre temporadas, não só a nível de escrita, da história e de atores, mas é totalmente inadmissível que uma série que tenha conquistado o público por determinadas características as perca desta forma. Hemlock Grove foi uma lufada de ar fresco nas produções sobre criaturas sobrenaturais mas acabou por ir na corrente. A existência de uma terceira temporada ainda não se discute, tal não foi o descalabro. É que por esta altura no ano passado já estava decidido a continuação da série. Resta esperar e acreditar que ainda existe salvação para Hemlock Grove. Volto é a relembrar que a série tem imagens muito fortes, pode ferir as suscetibilidades dos mais sensíveis.

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