Será que alguma série não americana consegue singrar na hegemonia que este país tem no panorama televisivo? Continnum parece ser a resposta.

Criada por Simon Barry e produzida pela Reunion Pictures, esta série de ficção científica teve início em Maio deste ano e foi transmitida no Canadá pelo canal Showcase. A história tem início no ano utópico e futurístico de 2077, em Vancouver, onde os governos caíram e quem assume o poder são as corporações ricas. O avanço tecnológico é de tal forma vasto que não existe qualquer sinal de habitats naturais e civilizações inteiras são submetidas ao controlo excessivo por parte de quem tem o poder. Toda a ação começa com a suposta execução de oito terroristas, liderados por Edouard Kagame (Tony Amendola) – conhecidos como «Liber8» -, que é afinal uma forma de estes viajarem no tempo até 2012. O objetivo deste grupo é evitar que as corporações tomem o poder e as pessoas percam todas as suas liberdades. Mas o plano tem um entrave: a CPS Protector (polícia do futuro) Kiera Cameron (Rachel Nichols) embarca acidentalmente nesta viagem. Apanhada de surpresa, Cameron decide lutar contra estes terroristas com a ajuda do detetive Carlos Fonnegra (Victor Webster) e do jovem Alec Sadler (Erik Knudsen) um expert no que toca a computação.

A ideia não é de todo original e a série poderia perder muito, especialmente por não ser americana. A prestação dos atores não é nada de extraordinário e é inconstante, havendo por vezes alguns diálogos forçados e, em contrapartida, algumas cenas marcantes. Os efeitos visuais predominam na série e são agradáveis pois nada parece ser muito forçado ou falso.

Continuum prima sem dúvida nos pequenos detalhes da história. Primeiramente existe a questão dos terroristas. Por certo mataram milhares de pessoas e criaram o caos, mas queriam ser ouvidos e libertar os cidadãos da opressão exercida pelas corporações e pela polícia. Existe aqui uma dicotomia entre os bons e os maus: os maus que acabam no fundo por serem bons pois querem apenas viver em liberdade e os bons que acabam por ser maus pois controlam as pessoas excessivamente. Existe depois a questão de viajar no tempo: se pudesses voltar atrás o que mudarias? É exatamente esta ideia que rege toda a história pois Kiera vai deparar-se muitas vezes com a possibilidade de mudar os acontecimentos e assim alterar a ordem da história da sua realidade temporal.

Episódio a episódio, a história desenvolveu-se pacificamente com o tempo devido e com muitas cenas de ação. E tudo isto culminou num episódio final em que o criador presenteou os fãs com pormenores que alteraram por completo a ideia que se tinha da história. Afinal, quem é Alec Sadler, o inteligente jovem que detém um conhecimento informático acima da média? E até que ponto a vinda de Kiera para o ano 2012 foi acidental?

As expetativas em relação à série foram superadas e conquistou muitos fãs, apesar de não ser exibida num canal com muitas audiências. Existem rumores que os produtores estão a preparar a segunda temporada e que a série vai entrar no mercado americano mas nada ainda muito concreto. Continuum merece sem dúvida uma continuidade nem que seja apenas para concluir a história e ver até que ponto consegue se manter fiel a ideia original. Resta esperar que não caia no esquecimento e fique incompleta.

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