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Em Foco: Portugal fora do Festival Eurovisão da Canção

Depois de tantas tentativas de arcar com um lugar mais honroso na Eurovisão, ou de tantos cantores terem tentado a sua sorte neste evento musical, a RTP anunciou que em 2013 Portugal não vai ter a oportunidade de participar no certame. As restrições orçamentais que o canal vai sofrer para o ano que se avizinha levaram a que a direção do mesmo tomasse uma decisão: colocar um ponto final numa tradição com vários anos no nosso país.

Sim, sem dúvida que o Festival da Canção já não é o que era. Os telespetadores já não se sentam em família à espera de ver a prestação do artista ou banda nacional que represente o nosso povo, a nossa história, os nossos costumes. O próprio conceito deste evento mudou, bastante! Se, no passado, existia a possibilidade de ouvir quem, de facto, soubesse cantar e encantar, os últimos anos provaram-se escandalosos. Veja porquê nos seguintes vídeos:

Igual a estes exemplos existem tantos outros. Nunca ninguém avisou que a modernidade não seria bem vinda à Eurovisão mas, parece-me cá para mim, que os limites foram excedidos por vários países. Que conceito quiseram os diferentes grupos passar quando arriscaram colocar-se em cima de um palco com máscaras estapafúrdias e músicas irritantes? As atuações de Portugal podem não ser um exemplo para ninguém, contudo nunca chegámos a um extremo tão negativo.

Opiniões todos temos, e existem algumas que vão de encontro à minha, enquanto outras tantas não estão totalmente de acordo. Os Homens da Luta, por exemplo, desiludiram-me bastante. No entanto, quem é que votou neles para representar Portugal em Dusseldorf, na Alemanha? Os portugueses, claro! Presumo desta forma que muitos daqueles que quiseram que a dupla Falâncio e Jel dessem nas vistas na Europa tivessem como objetivo alertar as consciências para a grave situação que já se vivia em Portugal. Essa tentativa acabou por sair furada, uma vez que se a atuação dos Homens da Luta deu nas vistas não foi pelos melhores motivos. Paralelamente a estes humoristas, existem casos como os de Sabrina ou Sofia Vitória, que dificilmente nos orgulham.

Agora não são precisas lamentações. Se uns criticam a RTP por deixar de apostar num evento que já tem história nas nossas vidas, o que é totalmente legítimo, outros apenas se preocupam em lançar achas à fogueira para sublinhar que até no Festival cortam. Na realidade, este último grupo não está minimamente preocupado se existe ou não a possibilidade de a música nacional vingar na Eurovisão, mas sim em falar mal do país.

A RTP defende-se da seguinte forma: propõe-se a «realizar um evento que permita concretizar o lançamento de novos valores, que possam ser os principais intérpretes da indústria musical portuguesa do futuro, e que traga, de novo, dignidade à participação de intérpretes e compositores nacionais num programa de serviço público abrangente e de qualidade».

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Fará esta decisão sentido? Apesar de tantas críticas que se façam, a verdade é que o passado já lá vai. Sem dúvida alguma que o certame em causa marcou milhões de seres humanos, mas este «até já» não é assim tão dramático. Aliás, de certa forma, até vem aliviar determinadas consciências. Se a participação portuguesa não estava a ir pelo melhor caminho, se Portugal não fazia boa figura lá fora, porque não aproveitar esta «má notícia» para trabalhar e formar os artistas interessados em concorrer ao Festival?

Sinceramente, se é para cantores como os que concorreram em edições anterior à Eurovisão nos representarem, então prefiro que o nosso país não participe neste evento de música. Custa-me concluir isto, mas é a mais pura das verdades!

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