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Em Foco: O resultado de mais uma gala «à moda da TVI»

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Longe vão os tempos em que a família TVI era vista como uma grupo de profissionais que, para além de manter uma relação de trabalho, conseguia criar verdadeiras amizades. Sorrisos, gestos carinhosos ou elogios eram tecidos a diferentes apresentadores, atores e jornalistas, por aqueles que davam a cara pela estação de Queluz de Baixo. As grandes estrelas do canal subiam ao palco e executavam vários números de canto, dança e representação. Na altura, José Eduardo Moniz comandava a TVI e, sem dúvida, o ambiente que se fazia passar para o ecrã dos telespetadores nacionais era muito diferente daquilo que se vê agora.

Apesar disso, na última quarta-feira a Missão Sorriso fez companhia aos portugueses durante todo o dia. No horário nobre a Gala das Estrelas tentou transmitir a mensagem de que, afinal, na TVI ainda se respirava alguma estabilidade, harmonia ou se mantinha uma boa relação entre a maior parte dos trabalhadores do canal. Infelizmente, esta pintura já não existe mais. Desta vez o medo e a ansiedade pelo futuro tornaram-se superiores a todos os vestidos e jóias luxuosas que foram emprestadas para que as caras da estação pudessem brilhar. O desemprego e o corte dos contratos de exclusividade falaram mais alto e, de certa forma, estiveram espelhados nos rostos que diariamente entram em nossa casa.

Gala das estrelas

O que mudou? A liderança da TVI já não é a mesma. A estação de Queluz de Baixo vence as manhãs das generalistas, dá cartas na área da Informação e ainda bate a concorrência com a terceira edição da versão portuguesa de Secret Story. O problema reside antes na ficção, a qual tem vindo a perder audiências desde o último ano. Doida por Ti mantém um público fiel, mas não se consegue impor frente ao Preço Certo e a Fina Estampa. Por outro lado, Louco Amor e Doce Tentação perdem para Dancin’ Days, Gabriela e Avenida Brasil. A SIC voltou ao primeiro lugar com as suas novelas brasileiras e portuguesas, não dando hipótese à TVI para voltar a ser a preferida dos portugueses nesta área.

Esperam-se algumas alterações no próximo ano. Com os números em queda, é necessário fazer algo para inverter uma situação pouco positiva. A Gala das Estrelas já pode ser vista como uma forma de voltar a unir a família TVI, de dar uma hipótese aos profissionais para que voltem a sentir aquilo que, na altura de José Eduardo Moniz, os fazia sorrir. O método é o mesmo, mas o resultado pode não ser igual.

Quem é que garante que os telespetadores voltem a dar preferência à estação de Queluz de Baixo… para tudo? Com a televisão temática o panorama do audiovisual português mudou e, como tal, o futuro tornou-se numa incógnita. Talvez com um pouco mais de imaginação as perspetivas não sejam assim tão negativas.

Tudo depende da criatividade e da forma como a atenção do telespetador é criada.

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