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Em Foco: o que esperar do futuro da TVI?

Em 2000 a TVI conseguiu mudar o panorama audiovisual em Portugal. Com o Big Brother e uma clara aposta na ficção nacional, os telespetadores não tiveram dúvidas na altura de carregar no comando para que pudessem visualizar os seus formatos preferidos na televisão. Ao longo dos anos, as audiências acompanharam o crescimento da estação de Queluz de Baixo, algo que, nos últimos tempos, se tem complicado. Afinal, e com a grave crise financeira que afeta o país, os grupos de comunicação social tendem a ser dos primeiros a ressentirem-se dela, até porque vivem principalmente das receitas de publicidade. A agravar esta realidade está, obviamente, o desenvolvimento dos canais temáticos que, em grande parte, não têm facilitado a vida das generalistas.

Os portugueses querem hoje acompanhar outro tipo de formatos, pretendem ver outras realidades nos ecrãs nacionais e, nesse seguimento, o cabo tem sido uma boa alternativa para lhes fazer companhia. As duas estações privadas em Portugal vivem tempos difíceis. Tanto uma como outra têm hoje de fazer escolhas e tomar decisões mais cautelosas, com um menor risco, de forma a que o prejuízo não seja tão grande.

O facto de a TVI perder atualmente no horário entre as 19h00 e as 00h00 justifica-se por diferentes razões. Por um lado, pela aposta da SIC em produtos nacionais, por outro, devido ao sucesso das novelas da Globo. De salientar também o desgaste das histórias do canal da Media Capital, nomeadamente Morangos com Açúcar. O facto de se apostar no diário da Casa dos Segredos para anteceder o Jornal das 8 não terá sido bem pensado, ainda por mais tendo em conta que, no ano passado, esta ideia não resultou com Mónica Jardim. Iva Domingues e João Mota viram assim o seu espaço ser reduzido a quinze minutos, algo que não faz grande sentido tendo em conta a forma como a dupla foi apresentada à comunicação social.

Louco Amor perde para Dancin’ Days, Doida por Ti continua em terceiro lugar, Doce Tentação não vai além dos 25% de share. Culpa da Gfk? Não acredito.

As mudanças no sistema de medição de audiências eram necessárias e, por isso, não se pode pensar que o atual estado das generalistas seja motivado por esta alteração.

Sente-se pressão na SIC e na TVI, e José Fragoso foi uma das vítimas, tal como avançou a TV Guia desta semana. O diretor de programas da estação de Queluz de Baixo não terá aguentado os sucessivos cortes no orçamento e a diminuição das audiências, o que o levou a sentir-se mal. Luís Cunha Velho assumiu assim as funções de diretor interino até que o antigo profissional da RTP recupere.

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Mas afinal, que estratégia poderá optar a TVI para que toda esta situação alarmante se inverta? Se as novelas não resultam, os diários da Casa dos Segredos perdem para a concorrência na maior parte das noites, e se a Informação nem sempre lidera, qual o caminho a seguir? Neste momento, e tendo em conta o seu peso na antena da estação, só consigo ver uma dupla capaz de alterar este ciclo: Cristina Ferreira e Manuel Luís Goucha.

Não estará neles a grande solução do canal da Media Capital? E que tal um novo formato que fosse conduzido por ambos aos domingos à noite, com diários durante a semana?

Numa estação de televisão onde o ambiente é, de todo, diferente daquele que se vivia há alguns anos atrás, o que esperar?

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