A polémica que envolve o futuro da estação pública continua. Depois de, na semana passada, ficarmos a par da possível concessão da RTP1 e do fecho da RTP2, nos últimos sete dias a saga continuou. Por outras palavras, a administração da estação pública demitiu-se, o que levou a uma grave contestação por parte dos trabalhadores.

Não queremos um CA [Conselho de Administração] de marionetas de Relvas, ou presidido por um homem de mão de Relvas. Tal como o plenário reclamou, por amplo consenso, a nomeação do novo CA deve ser objecto da decisão plural do parlamento e não do diktat unipessoal de um ministro desacreditado, sob a inspiração de intrigas das secretas.

Foram estas algumas das declarações da Comissão de Trabalhadores da RTP, que afirmou que a aceitação por parte do governo da demissão do Conselho de Administração apenas veio reforçar a tentativa de Miguel Relvas, responsável pela tutela dos canais estatais, em controlar o futuro dos mesmos.

Passado uma semana, o medo e a instabilidade que se vivem nas televisões e nas rádios públicas continuaram. Mesmo para os que pensavam, até à data, estar seguros, o futuro não se avizinha fácil. A concessão do primeiro canal a uma empresa privada e o fim da RTP2 significará o despedimento de milhares de funcionários, situação que tem levado a várias contestações por parte da Comissão de Trabalhadores.

Paralelamente, algumas das caras responsáveis pela informação da RTP pronunciaram-se sobre o assunto. Por exemplo, Berta de Freitas adiantou à Notícias TV o seguinte: «Estes são dias de tensão e ansiedade, mas não são inéditos. O tempo do Dr. Morais Sarmento também foi um período complicado. Quando estas notícias saem, o que mais me choca é esquecerem a memória do que é a RTP e verem apenas números e orçamentos. A RTP não é uma coisa abstrata. A RTP são pessoas. E é o futuro dessas pessoas que também está em causa.»

Os 1500 trabalhadores da estação pública tentam agora reivindicar pelos seus direitos. Também nós deveríamos fazer o mesmo. Para além de grupos no Facebook, é necessária alguma ação, algo que nem todos os portugueses estão dispostos a ter. Afinal, críticas todos fazemos, mas nem todos somos capazes de agir. O que vejo nos funcionário da RTP, pelo menos, é que se estão a unir em prol de algo que é seu, de algo que criam diariamente, de algo que dependem para viver. O futuro do primeiro e segundo canais deveria dizer-nos respeito a todos nós mas, infelizmente, não e isso que se verifica.

Uma semana depois, a RTP continuou a marcar os mais diversos jornais de informação e noticiários televisivos. Nos próximos dias, duvido que este destaque se altere. A pergunta: «O que irá acontecer ao canais estatais?» ainda é colocada por milhares de pessoas!

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