O plano de cortes que a RTP tem levado a cabo nos últimos meses parece não ter sido suficiente para que o seu futuro fosse assegurado pelo governo. Depois de tantas dúvidas, eis que esta semana ficámos a saber que a estação pública pode vir a ser concessionada, existindo já alguns interessados. De acordo com Nuno Santos, diretor de informação do primeiro canal, em declarações à TSF: «O conselho de administração e os directores apresentaram um plano de sustentabilidade e reestruturação, plano aprovado e que está a ser cumprido. E é um plano duro, com muitas implicações nos custos, não nos colocamos de fora do esforço que o país está a fazer para sair da crise. À luz desse plano de reestruturação, apresentado e aprovado pelo governo, temos dificuldade em compreender agora que apareça este cenário em cima da mesa.»

Toda a história e serviço público da RTP são assim colocados em causa, algo nunca visto noutro país da Europa. Portugal arrisca-se assim a perder parte da identidade de um canal que já conta com 55 anos. Aquele que despertou a curiosidade de milhares de pessoas no dia 7 de março de 1957, prepara-se agora para sofrer uma mudança nunca antes vista. Os custos inerentes ao funcionamento da RTP estão na ordem do dia e, por esse motivo, o governo quer concessionar a estação.


Esta decisão, que ainda não é «oficial», implica igualmente o fecho da RTP2. Apesar das baixas audiências, muitos têm sido os portugueses a manifestar-se sobre o assunto, tendo-se inclusivamente criado um grupo no Facebook «Contra o fim da RTP2». Curiosamente, todos se lembram agora da importância deste projeto, mesmo aqueles que nunca se preocuparam sequer em assistir aos conteúdos que nele foram e são transmitidos. Se falarmos em  Sociedade Civil, Zig Zag, Câmara Clara ou  o Hoje (talvez os mais conhecidos), será que os portugueses vão identificar alguns destes programas?

Seja qual for a resposta, mais uma vez demonstramos ser um povo que, mesmo não tendo uma opinião formada sobre o assunto, criticamos. De certo que, mesmo que a RTP2 continue, poucos vão ser aqueles que passarão a olhar para o canal com outros olhos. Para muitos, esta é a estação que mesmo em sinal aberto, fica esquecida no comando da televisão.

Não sou espetador assíduo deste canal, mas durante a semana tenho por hábito acompanhar alguns documentários, séries e outros programas, como o famoso Ingrediente Secreto. O que penso sobre este possível fim é simples: se se perder um canal isso significará mais uma derrota para a televisão portuguesa. Com a crise que afeta a carteira das estações em sinal aberto, a RTP2 tende a diferenciar-se da concorrência ao oferecer outro tipo de conteúdos.

Por outro lado, esta notícia vai significar despedimentos, não só na televisão pública, como igualmente nas rádios estatais, estando por outro lado em análise o futuro da Antena 3. «Se isto sucede à RTP2, a Antena 3 também está em risco», explicou Camilo Azevedo, da comissão de trabalhadores da estação pública.

António José Seguro, o líder do Partido Socialista, já adiantou que quando o seu partido estiver no governo voltará a existir um serviço público de televisão protegido. «Eu quero ser muito claro: quando o PS for Governo voltará a existir um serviço público que se seja prestado por uma televisão pública com uma gestão rigorosa e que sirva os interesses nacionais», revelou ao Diário de Notícias.

Será mesmo assim? Apesar de a RTP dar lucro há dois anos consecutivos, muitos outros aspetos se sobrepõem a esta realidade. O Estado precisa de encaixar alguns milhões, e a redução do défice começa a dar muitas dores de cabeça aos políticos. O que se passará a seguir? Vetará Cavaco Silva esta medida do governo? Quais as mudanças que se esperam na RTP/RDP?

Sejam quais forem, uma coisa é certa: vão existir consequências!

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