Como Eu Ouço

Viver através de outrem

Sia Kate Isobelle Furler é uma artista multifacetada que consegue encarar a música dos dias que correm de uma forma tão ampla como personalizada. A australiana foi trilhando um caminho discreto de participações sensatas e projectos em nome próprio cravejados de um bom gosto singular, até ser finalmente carregada ao lugar que sempre lhe pertenceu através de composições vitoriosas para alguns dos nomes mais sonantes da cena mainstream da actualidade.

A voz quente e cinematográfica de Sia chegou ao grande público graças às suas colaborações com o duo Zero 7, tendo participado nos três álbuns do projecto e celebrizado alguns dos seus singles de maior sucesso. A inovação do projecto inglês alcançou os mais diversos públicos, muito por culpa do seu brilhante desempenho nos singles de estreia Destiny e Distractions, inseridos no seu primeiro álbum Simple Things, lançado em Abril de 2001. Posteriormente, Sia repetiu a proeza nos temas Somersault e Speed Dial Nº2, ambos integrados em When it falls, lançado em Março de 2004. No terceiro álbum do projecto, The garden de 2006, Sia acaba por assumir a vocalização de 6 temas, tendo Throw it all away e You’re my flame sido lançados como single no Reino Unido e na América do Norte.

Sia

Foi em 2001 que Sia se atreveu a lançar o seu primeiro registo em nome individual, com o álbum Healing is difficult. O álbum foi recebido de braços abertos pela crítica, no entanto a falta de apoios e promoção por parte da sua editora da altura fizeram com que Sia tivesse que procurar novos parceiros para continuar a mostrar a sua música. Temas como Little Man e Drink to get drunk tornaram-se célebres em diversos clubes nocturnos do Reino Unido e o single Taken for granted acabou por atingir o 10º lugar do UK Singles Chart. O álbum revela uma mistura eclética entre Jazz e R&B, sendo pintado por paisagens electrónicas e a voz inesquecível de uma jovem artística que teve como mote a morte do seu namorado para a composição de um trabalho rico em inovação e intelectualização de sentimentos negros.

2003 é o ano em que Sia regressa com um refinado Colour de Small One. Neste registo, Sia acaba por refinar as suas qualidades inquestionáveis como compositora de grandes temas, começando assim a aproximar-se de um público mais abrangente e tocando de forma mais próxima as almas de quem tem uma audição menos elaborada. O tema Breathe me acabou por globalizar o seu trabalho, sendo que integrou a banda sonora da série Six Feet Under, um dos episódios da série Luther e a setlist do Victoria’s Secret Fashion Show de 2006. O segundo single Where I belong, foi também integrado na banda sonora do segundo filme da saga Spider Man.

Depois de lançar um álbum ao vivo, Lady Croissant, com alguns dos seus maiores êxitos e um novo tema, Pictures, a australiana confirma o seu talento com Some People Have Real Problems de 2007. Vários dos temas incluídos no trabalho sonorizaram séries como Private Practice e Dollhouse, permitindo a Sia transmitir o seu inquestionável talento a novos públicos. Tv is my parent foi o DVD lançado pela australiana com um majestoso concerto ao vivo e diverso material exclusivo, tendo o mesmo ganho o galardão para Best Music DVD nos ARIA Music Awards de 2009. O álbum Some People Have Real Problems foi também nomeado para o prémio de Best Breakthrough Artist Album.

Foi no seguimento do seu contacto com o manager de Christina Aguilera, para gravar o tema Death by chocolate, que Sia foi contactada pela própria para colaborar em temas do seu álbum Bionic, tendo assinado a autoria de temas como You Lost me ou Bound to you, inserido na banda sonora do filme Burleque e nomeado para o Globo de Ouro para melhor banda sonora original no mesmo ano. A 18 de Junho de 2010, Sia edita We are born, do qual viu diversos temas serem banda sonora de séries como Nikita, The Vampire Diaries e Gossip Girl. Nesse ano, os ARIA Music Awards concederam 6 nomeações à australiana, das quais arrecadou o galardão para Best Independent ReleaseBest Pop Release e Best Video para o tema Clap your hands, realizado por Kris Moyes.

É em 2012 que Sia se consagra como uma das melhores cantautoras e compositoras da sua geração, ao globalizar êxitos como Titanium ou She wolf de David Guetta, Diamonds de Rhianna ou Wild ones de Flo Rida. Sia colaborou também com Kesha, Ne Yo e Maddona, tendo composto diversos temas que acabaram por não integrar o mais recente MDNA. Sia repetiu também a colaboração com Aguilera, tendo sido um dos seus reforços na primeira temporada do concurso americano The Voice, e composto o glorioso tema Blank Page do mais recente Lotus, tema esse, que teria sido gravado anteriormente por Leona Lewis mas arrebatado por Aguilera.

É através da cena mainstream que começamos a consciencializar-nos do talento intemporal de uma artista que sempre viveu escondida pelo rótulo Indie, estando a privar-nos de um trabalho recheado de brilhantismo que apenas nos é dado a conhecer através de nomes mais familiares. A realidade é que é pela mão de Sia que nascem hinos do último ano que conhecemos de cor, algo que nos obriga a ter a decência de conhecer mais da sua obra que, diga-se de passagem, é francamente mais requintada do que a dos nomes anteriormente mencionados.

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