Como Eu Ouço

Quando o aprendiz curva o seu mestre
A obra só conseguirá ser fiel à sua essência quando totalmente concebida e organizada pelos seus originais criadores. No entanto, por vezes, há visões que se distanciam e conseguem reformular toda a matéria de forma a que a melodia ganhe novos contornos, proporcionando a criação de um gémeo falso que muitas vezes se afigura qualitativamente superior ao seu esboço. Aqui vos apresento uma lista de exemplos bem conseguidos do que se pode facilmente transformar numa missão de alto risco, dada a natureza histórica de certos hinos musicais que marcam a nossa existência. Um aplauso para quem consegue casar a sua arte com a de outrem, nunca hipotecando a identidade de que deve padecer qualquer artista que se preze.
Jeff Buckley – Hallelujah
Um tema intocável que apenas poderia ser engrandecido por aquela que tenho na memória como a melhor voz masculina de sempre. Que me perdoe Freddy Mercury, mas Jeff Buckley é a personificação de uma alma que suplanta o melhor dos técnicos, sendo que jamais alguém possa assemelhar-se ao seu modo ímpar de executar como quem chora. Tal grandiosidade aliada à genialidade de Leonard Cohen resultam numa peça indispensável à audição da humanidade.
The white stripes – Jolene
Um tema talhado para ser interpretado por uma mulher dolente sublimado pela monstruosidade camaleónica destes senhores artistas.
Gary Jules – Mad world
O tema principal da brilhante trilha sonora do filme Donnie Darko. Uma interpretação crua que engrandece as palavras devastadoras de um tema arrepiante. Uma forma curiosa e inteligente de recriar o original dos Tears for fears.
Fiona Apple – Why try to change me now
Num tributo a Cy Coleman, o tema outrora interpretado por Frank Sinatra ganha uma nova vida através da singularidade da atormentada e frágil Fiona.
Yael Naim – Toxic 
A sensualidade escondida num extraordinariamente produzido e galardoado tema de Britney Spears.
Elvis Costello – She
O romantismo e serenidade de uma interpretação madura e aveludada do original de Charles Aznavour.
Johnny Cash – Hurt
O veterano despe o tema dos Nine Inch Nails, acompanhado por um piano e um violão tenso que realça a dureza da poesia.
Tori Amos – Smells like teen spirit
Uma arrepiante transfiguração de um tema nunca antes olhado de forma tão desconstruída.
Sinéad O’Conner – Nothing Compares to you
Para quem desconhece o facto de que este tema é um original de Prince, pela força que ganhou na voz de uma artista que se imortalizou através deste êxito confessional.
Nirvana – The man who sold the world
O toque único de uma alma controversa que ousou recriar David Bowie com mestria.
The SundaysWild horses
O original dos Rolling Stones enche-se de nostalgia e saudosismo na versão delicada e sincera de um grupo que deixa saudades.
Toploader – Dancing in the moonlight
Um brilhante reflexo de tantas coisas que não compõe o panorama musical da actualidade.
The Fugees – Killing me softly
Um orginal de Lon Lieberman que atingiu o seu êxito comercial através da voz de Roberta Flack. O minimalismo instrumental reconfortado pela declamação intensa da intensa Lauryn Hill.
Faith no more – Easy
A versão orginal dos The Commodors, liderados por Lionel Richie, ganhou nova vida num tema que os Faith No More tinham disponibilizaram como uma faixa extra do álbum Angel Dust e que acabou por se impor autonomamente.

 

Mikkel Solnado – Primavera
 A simplicidade enobrece um tema onde menos parece ser tão mais. Ouvir o artista interpretar como quem nos abraça com palavras confere uma verdade esmagadora ao original dos The Gift.
Até já
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