Este é o segundo álbum de originais lançado pela cantora portuguesa.


 Elisa acaba de desvendar o nome do seu próximo álbum de originais, Incoerente, bem como a capa, com edição marcada para 28 de maio. O novo trabalho conta com dez faixas, das quais já são conhecidas Asas, Como é fraco o coração ft. Tiago Nogueira, É a tua vez e Conversar.

O nome do disco não surge por acaso. Ao longo do álbum, as canções afastam-se constantemente umas das outras, na forma como soam, na maneira como são escritas e até na emoção de onde nascem. Há temas mais delicados e outros mais diretos, momentos de maior silêncio e canções que crescem quase sem aviso. Em vez de tentar unir tudo dentro da mesma fórmula, Elisa escolheu deixar cada música existir exatamente como precisava de existir.  Incoerente nasce precisamente dessa liberdade, da recusa em tornar tudo linear.

A vitória no Festival da Canção, em 2020, colocou Elisa num lugar de exposição rara para uma artista em início de percurso. A não realização do Festival Eurovisão da Canção acabou por interromper esse momento, mas trouxe também distância suficiente para perceber que não queria construir a sua identidade artística à velocidade da expectativa. Entre No Meu Canto, o álbum de estreia editado em 2021, e este novo disco, houve tempo para experimentar, falhar e voltar a aproximar-se da música sem a pressão de corresponder imediatamente ao olhar dos outros.

Esse percurso sente-se em Incoerente. Há uma maturidade mais silenciosa no disco, mais interessada em deixar espaço para dúvida, imperfeição e contraste. Algumas canções parecem quase sussurradas; outras aproximam-se de um lado mais cru e emocionalmente exposto. Ainda assim, existe um fio invisível que atravessa o álbum do princípio ao fim: a forma particular como Elisa interpreta cada palavra, sempre num equilíbrio raro entre delicadeza e intensidade.

No centro permanece a voz, uma das mais distintas da nova geração portuguesa, e uma capacidade interpretativa que nunca depende do excesso para criar impacto. Elisa canta muitas vezes como quem guarda alguma coisa para si, e talvez seja precisamente aí que o disco ganha força.

Este novo momento estende-se também ao palco. Depois de se ter cruzado com Tiago Nogueira em Como É Fraco o Coração, um dos temas portugueses mais tocados atualmente nas rádios nacionais, Elisa prepara agora uma série de concertos especiais em formato de dueto ao lado do vocalista d’Os Quatro e Meia. O projeto estreia a 29 de maio, no Funchal, e continua em 2027 com apresentações em Ovar, Lisboa, Bragança e Coimbra. Os espetáculos irão cruzar momentos partilhados, revisitações inesperadas e temas a solo, num encontro pensado para deixar as músicas respirarem de outra forma.

Natural da Madeira, Elisa venceu o Festival da Canção com Medo de Sentir e editou, em 2021, o álbum de estreia No Meu Canto. Desde então, tem vindo a construir um percurso feito de forma discreta, mas consistente, afirmando-se como uma das vozes mais particulares da pop portuguesa atual.  Incoerente chega agora como o retrato mais completo dessa evolução, um disco que não tenta esconder as mudanças, as hesitações ou os desvios que o atravessam e que encontra precisamente aí a sua força.