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Entrevista – Pedro Mendes: «As pessoas terão acesso a canções muito diferentes»

Prometendo deixar a sua marca no mundo da música nacional, Pedro Mendes lançou recentemente o seu single Só Te Sei Amar a Ti, revelando assim um pouco do seu disco a lançar em breve. Para dar a conhecer um pouco mais do seu trabalho, o Quinto Canal traz até aos seus leitores mais uma entrevista exclusiva.



Para quem não o conhece, quem é o Pedro Mendes?

Sou uma pessoa simples que tenta encarar a vida de uma forma positiva, com empenho e determinação. Sou alguém que defende que temos de lutar sempre por aquilo em que acreditamos e que a resiliência tem de ser uma constante, por maiores que possam ser as contrariedades.

Gosto de me sentir ocupado e, por isso mesmo, são múltiplas as tarefas e ocupações que tenho no meu dia-a-dia. Para além do tempo que dedico ao meu trabalho, enquanto professor de Ed. Especial, dedico muito tempo à “Música”, a nível da escrita, ensaios para outros projetos, trabalho em estúdio e por aí a fora.
E depois, outras ocupações como a formação em algumas áreas de educação, o desporto, alguns projetos de cariz social e afins.

Os meus dias costumam ser longos e ocupados, mas nem de outra forma imagino a minha vida.

Só Te Sei Amar a Ti é o seu primeiro single. Fale-nos um pouco mais sobre esta música.

O Só Te Sei Amar a Ti, essencialmente, é uma balada, talvez um pouco triste, pois foca-se no aspeto da perda… Mas que acredito consiga “dizer algo diferente” a várias pessoas, na medida em que dela se podem fazer várias interpretações e assim, permitir a cada um (a) que a oiça, senti-la de forma diferente. Assisti a esta “história” de perto e achei que merecia ser contada… e assim fiz, na forma de uma música. Quero acreditar que é uma homenagem às pessoas que a viveram, pois foram e continuam a ser muito importantes para mim.

É um tema que esteve para não ser sequer trabalhado pois não estava no conjunto de músicas iniciais. Surgiu porque em conversa com o produtor, César Correia, chegámos à conclusão que estava a fazer falta uma música mais calma, uma balada, que pudesse complementar as restantes. Depois de ponderar entre outras, achei que “esta” tinha algo especial, marcante e… assim surgiu.

Não esperava, sinceramente, que viesse a tornar-se o single de estreia. Mas estou satisfeito que assim tenha acabado por acontecer pois é uma música especial.

Como tem sido a receção do público a este single?

Felizmente tem sido muito positiva. Quando escrevemos e compomos uma música esperamos sempre que ela deixe a sua “marca” nas pessoas e… acho que isso está a acontecer. Tem sido muito interessante ler as mensagens que me têm enviado ou deixado nas redes socias. É muito gratificante sentir o apreço das pessoas que já a ouviram.

Quais foram as suas principais inspirações para esta música?

Como disse antes, não é baseada em algo vivido por mim, apenas fui um espetador. Diz respeito a familiares meus, pessoas que foram e continuam a ser únicas na minha vida, que deixaram uma marca que não se apagará jamais.

Um casal que esteve junto praticamente uma vida inteira… décadas, até que, infelizmente, por motivo de doença a morte surgiu nas suas vidas. Na altura, recordo que foi duro assistir à forma como essa minha familiar lidou com a perda, pois faltava e continua a faltar-lhe algo, uma parte de si… e, então, alguns anos mais tarde, dessa memória surgiu esta letra.

Cada um acredita naquilo que quiser, mas acho que quando chegar o “último adeus” (faz parte da letra desta canção) se reencontrarão e continuarão a sua “história”.



Como surgiu o gosto pela música na sua vida?

Parece uma daquelas respostas padrão, mas é a mais pura das verdades. Não me lembro de mim sem música, foi algo de que sempre gostei, que esteve sempre presente e no qual me tentei envolver, desde muito miúdo.

É claro que com o passar dos anos, este gosto foi sendo melhorado, a nível de formação musical e envolvimento em alguns projetos musicais (bandas e assim), até chegar aqui, à fase em que resolvi arriscar a solo.

O seu primeiro single segue uma linha romântica. Será este o registo a seguir nos próximos lançamentos?

Não, não acho que seja, por si só, essa a linha de continuidade. Eu gosto de escrever sobre variados temas e tentei que isso ficasse bem marcado neste álbum. O conjunto de músicas criado aborda temas muito diferentes, como se irão aperceber. Há dois ou três temas mais românticos, mas que não definem o álbum na totalidade.

As pessoas terão acesso a canções muito diferentes que têm por base uma linha Pop/Rock e em algumas, atrevo-me a dizer, sentirão algumas influências da música tradicional portuguesa.

Já existem planos para o lançamento do primeiro disco? Que informações nos pode avançar sobre esse projeto?

O álbum está fechado. São 13 temas no qual tanto eu como a equipa que me acompanhou trabalhámos imenso. O objetivo foi sempre o mesmo: conseguir criar boa música, que conseguisse cativar e alcançar públicos diversificados.

A Pandemia tem-nos trocado um pouco as voltas. Esperava, nesta altura, que já estivesse lançado. Mas, até agora, apenas foram publicados 2 temas. Neste momento está dependente da editora o lançamento nas várias plataformas digitais… mas acredito que esteja para muito breve essa novidade.

Em tempo de pandemia, como pode a cultura reinventar-se para sobreviver a estas adversidades?

A Cultura está e estará sempre presente, independentemente das fases boas ou menos boas que atravessemos. Mas não é uma resposta fácil ou linear. Neste momento, como é óbvio, muitas pessoas ligadas a este sector estão a passar por uma fase muito difícil, na medida em que é um meio que precisa do público… e se impossibilitas a presença do público torna-se difícil assegurar caminhos viáveis para alguns profissionais.

Como também já nos apercebemos os apoios sociais são muito escassos… Muitos profissionais têm estado a reinventar-se, através da criação e dinamização de conteúdos pela via digital e não só. Se calhar é uma ilusão, mas espero, muito sinceramente, que muito em breve (e já é tarde), a nível político, se desencadeiem meios de apoio concreto, ou seja, garantias, condições e meios de valorização dos vários profissionais associados a este meio. Não se pode declarar constantemente que a Cultura é vital para sociedade e depois virar costas como se nada fosse.


Focando agora as atenções na televisão, costuma estar a par das novidades deste universo?

A televisão e os “Media”, de forma geral, são aspetos a ter em conta para todos aqueles que tentam percorrer o caminho da Música, e não só. Há que estar de alguma forma a par, até porque muitas das oportunidades surgem nesse meio.

Portanto, sempre que o tempo me permite, tento ler e estar a par das novidades.

Acompanha algum tipo de programa televisivo em especial?

Séries e filmes são a minha escolha de eleição. Mas, naturalmente, os programas informativos e alguns de entretenimento, principalmente nos fins-de-semana, também acabam por ganhar a minha atenção.

Deveria a televisão apostar mais em formatos dedicados à música?

Sim, deveria. Mas em formatos diferentes daqueles a que nos tem habituado nos últimos anos. Há fórmulas que começam a estar gastas, como os “talent shows” ou os programas que apenas consideram o mesmo género musical.

Não quer dizer que não tenham qualidade, muito pelo contrário, aquilo que acho é que parece que as televisões ficaram “presas” nessas fórmulas e não procuram outras. Basta olhar para o mercado internacional, para nos apercebermos que já há algum tempo se tem estado a optar por programas em que a Música é a base, mas em formatos diferentes e inovadores.

Mas, atenção, nem precisamos de copiar formatos estrangeiros, pois acredito que em Portugal tenhamos diretores de programas, produtores, entre outros profissionais ligados ao mundo televisivo, com visões criativas, capazes de criar os nossos próprios formatos.


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