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Aporfest: «Festivais de 2021 começam a ser adiados/cancelados!»

Dando voz a um setor cada vez mais fragilizado por causa das medidas do Covid-19, o Quinto Canal partilha com os seus leitores o mais recente comunicado da Aporfest, a Associação Portuguesa de Festivais de Música, que se impõe face às medidas escassas tomadas pelo Governo para apoiar a cultura.


O comunicado que segue é da inteira responsabilidade da Aporfest, divulgado através do nosso site.

“Festivais de 2021 começam a ser adiados/cancelados! É tempo de serem criadas soluções para a área da cultura pela tutela”

Surgem as primeiras notícias de cancelamentos ou adiamentos de festivais para 2022, como o caso do SWR Barroselas Metalfest, que não teve edição de 2020, não vai ter em 2021 e só regressará em 2022. É tempo de finalmente o setor dos festivais, eventos e cultura ser olhado com estratégia pela tutela e que se impeça que todo o setor e os seus profissionais deixem de existir e deixem de criar aquilo que todos necessitamos, muito mais em tempos de confinamento – CULTURA e ENTRETENIMENTO! Não podemos ser os parentes pobres de um orçamento.

Não existe estratégia eficaz e eficiente pelo Ministério da Cultura – pelo que este ou deve desaparecer ou realmente perceber o setor e torná-lo como noutros países Europeus, Americanos e da Oceânia – em concordância e alinhamento com o setor do Turismo e Economia. 

Mais de 300 festivais anuais trazem riqueza a Portugal advinda do fluxo de público nacional e internacional, algo que se torna mais importante quanto mais o local da sua realização for fora das grandes cidades. Os Municípios dependem dos festivais para fixar jovens, para manter postos de trabalho na Turismo e Restauração. 

Os Festivais sejam eles de pequena ou grande dimensão, em formato ao ar livre ou indoor, mexem com todas as classes etárias e sociais, sendo um importante fator de socialização, que deixando de existir deita a perder uma geração e a sua maturidade assim como a sua Saúde Mental.

Se os transportes públicos e privados, supermercados sujeitam o seu público ao contágio e a Cultura adaptando-se às novas regras não pode realizar os seus espetáculos, porquê? Se à restauração são dadas soluções porque não são dadas à Cultura quando é sabido que não houve qualquer foco de contágio nesta área – provando uma vez mais ser o setor que se adapta perante as circunstâncias mesmo que isso na atualidade não traga receitas.

Quantos postos de trabalho a contrato ou por prestação de serviço não existiram este ano? Esta situação está no limite e teremos um país sem cultura e entretenimento no futuro e a pouca que sobreviva terá tendência a ser desprovida de qualidade. Até quando os profissionais deste setor terão de continua a sacrificar-se sem qualquer luz ao fundo do túnel?

Um setor escrutinado e publicitado pela entidades fiscalizadoras e que por isso agora pergunta: Onde param os impostos pagos através da Autoridade Tributária, Segurança Social e Direitos de autor/conexos se depois não estão disponíveis em prol dos setor? Quem está a ser apoiado e de que forma desde Março? Porque não existem moratórias nos pagamentos fiscais se o setor não tem receitas? Porque obrigam o setor a transformar diariamente a sua programação (provocando constantes gastos na sua comunicação e perda de público) se depois não existem compensações? 

Este setor sempre foi o trampolim de quando o Estado e entidades necessitavam de angariação de verbas perante situações extraordinárias com trabalho e atuações pro bono e agora que o setor necessita, porque não são dados também apoios? 

Queremos esquecer 2020 mas não apagar 2021!


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