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Entrevista – Especial «Órfãos da Terra»: Gustavo Fernández

Dando a conhecer um pouco mais sobre Órfãos da Terra, com estreia marcada para a próxima semana na Globo, o Quinto Canal traz até si mais uma entrevista, desta vez com Gustavo Fernández, diretor artístico da trama, e o primeiro neste cargo associado à globo. A nossa entrevista é uma vez mais cortesia da Globo Portugal.

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Do ponto de vista da direção, como define Órfãos da Terra?

É uma novela romântica e com muita ação dentro da trama. As histórias acontecem muito rápido, com ganchos e viradas o tempo todo. As tramas parecem que se resolvem, mas tomam outro caminho. E acredito que é aí que o público vai se surpreender com a novela.

Que estética conceitua esta novela?

No que diz respeito à imagem que vai para a tela, pude contar com a parceria do Alexandre Fructuoso, diretor de fotografia. Nós definimos uma linguagem muito própria para os primeiros momentos marcantes da trama. No campo de refugiados, optamos por uma imagem mais sépia e dramática. Já no núcleo de Aziz, o tom predominante é o branco e verde oliva, deixando o ar mais sóbrio, com muita influência mediterrânea. Já quando o núcleo protagonista desembarca no Brasil, a novela ganha mais cor com uma paleta plural e diversificada, retratando esse país que acolhe as diferentes culturas.

Como é dirigir uma novela com tantas culturas diferentes?

É um desafio em vários aspectos. O principal é dar credibilidade a esses núcleos, que precisam realmente representar cada uma das culturas. A gente “fez” a Síria, o Líbano, a Grécia e Londres… tudo no Brasil. Eu gosto de pensar nisso. É estimulante. O facto de a gente não ter viajado para esses países, de não ter ido para esses lugares, talvez tenha tornado a novela ainda mais realista. Se a gente tivesse viajado, talvez optaríamos por lugares turísticos, lugares mais facilmente identificáveis. Aqui, a gente pode se concentrar na essência e procuramos locações que traduzissem essa essência. Era o maior desafio. E o que me deixou mais feliz foi a reação do Kaysar Dadour, ex-participante do Big Brother Brasil 18, e refugiado sírio, no campo de refugiados cenográfico e em várias locações. Ele chegava e dizia “caramba, mas está muito igual“. Teve uma vez em que estávamos fazendo uma cena dele fumando narguilé com os amigos. Ao ver um figurante caracterizado de árabe, ele já chegou falando com ele em árabe. O maior desafio virou a coisa que mais está nos dando prazer e nos emocionando.

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Como contar uma história de amor, tendo como pano de fundo a questão do refúgio?

Uma das coisas que eu mais acho bacana na novela é a forma como ela é escrita. Ela é um folhetim clássico, com todos os recursos que conhecemos, mas acho que tem uma releitura adaptada para a cultura desses personagens. Os gatilhos que detonam um folhetim aqui são detonados em função desses personagens. Além do fato deste amor acontecer num campo de refugiados, um lugar improvável. Mas quando pesquisamos, descobrimos muitos casos de pessoas que se encontram, se casam e se relacionam em situações similares às de Laila (Julia Dalavia) e Jamil (Renato Góes). Também temos a preocupação de não reforçar estereótipos. A maneira como o tema vem sendo tratado é muito consistente. Para nos aproximarmos dessa realidade, teremos, por exemplo, refugiados reais em cena, tanto na figuração quanto no elenco, como é o caso de Kaysar Dadour e também o Blaise Musipère, ator congolês que faz um haitiano.

O que mais o atraiu neste projeto?

É muito bom fazer um projeto que é dramaturgicamente consistente, e ainda se propõe a levar uma mensagem para as pessoas de compreensão, de fraternidade, de respeito ao que nos é diferente, que nos é desconhecido. É um tema muito contemporâneo, não só no Brasil, mas no mundo.

Como é que o humor está presente nessa novela?

O humor está presente na novela como um todo. Há alguns núcleos onde isso será mais marcado como, por exemplo, o núcleo da Vila Mariana, onde as famílias de judeus e árabes são vizinhas, e a relação entre eles vai ser apresentada com um misto de animosidade e leveza. Mas, em algum momento, eles vão se aproximar, para dar essa ideia de fraternidade e transmitir uma das mensagens centrais da novela, de que todos somos filhos da terra e temos uma só ancestralidade.

Como está a correr a parceria com as autoras Thelma Guedes e Duca Rachid?

Nossa relação tem sido de muito trabalho, mas muito prazerosa artisticamente. Thelma e Duca são autoras muito sensíveis e interessantes. Desde o início conversamos muito sobre tudo o que diz respeito ao produto e isso gerou uma relação de muita confiança, bem bonita. Acredito muito no que estamos realizando como uma equipe.

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Recordamos que a estreia de Órfãos da Terra acontece na próxima segunda-feira, dia 27 de maio, e poderá ler aqui a nossa entrevista exclusiva às autoras da novela, Thelma Guedes e Duca Rachid

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