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Entrevista – Especial «Órfãos da Terra»: Duca Rachid e Thelma Guedes

Quase a estrear em Portugal, o Quinto Canal traz até aos seus leitores um pouco da história de Órfãos da Terra, a nova novela da Globo, numa série de artigos especiais. Em contagem decrescente para a estreia, apresentamos hoje uma entrevista exclusiva com as autoras da trama, Duca Rachid e Thelma Guedes, entrevista essa com cortesia da Globo Portugal.

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Como surgiu a inspiração para construir a história de Órfãos da Terra?

Thelma Guedes (TG): Houve um período em que, a todo momento, chegava uma notícia, uma imagem, uma reportagem nova sobre o conflito no Oriente Médio, e isso nos tocou bastante. Eu sou filha de nordestinos – meus pais vieram para o Sudeste para fugir da seca do Nordeste. Eles também se sentiam como refugiados. Estamos fazendo uma novela amorosa, humana. É um novelão, com vilão, tramas se desenrolando, e, nesse contexto, tem a questão do refúgio.

Duca Rachid (DR): A gente ficou muito sensibilizada com as histórias que vinham não só da Síria, como da África. Também pelo fato de sermos descendentes de imigrantes. Meu avô era libanês. Minha avó veio de Portugal. Minha família é metade árabe, metade portuguesa. Ao pesquisar sobre esse assunto, tivemos contato com histórias de pessoas de vários lugares, ouvimos relatos impactantes, e isso foi nos comovendo muito. A gente foi pensando em como contar essa história do ponto de vista do folhetim, da influência cultural e da história de superação dessas pessoas, que é muito bonita. Órfãos da Terra é uma novela com uma grande trama de amor e que se desenrola nesse contexto, que é bem atual.

A novela fala muito das misturas das culturas e dos povos que formam uma única nação, o Brasil. Teremos personagens de diferentes continentes. Podem falar um pouco sobre isso?

TG: Eu acredito muito no potencial do nosso país, que é uma terra miscigenada e acolhedora. Muitas culturas somadas formam o povo brasileiro. A nossa intenção em retratá-las é valorizar as nossas origens e reforçar o conceito chave da novela, de que todos nós pertencemos a uma só ancestralidade.

DR: A dramaturgia vem para trazer essa mensagem de que não existem fronteiras geográficas que limitem a nossa empatia com o próximo. Além de brasileiros, congoleses, sírios ou libaneses, somos cidadãos desse planeta. Na trama, vamos trazer o que o nosso povo tem de melhor, que é o carinho em acolher, nossa vocação para tirar das adversidades lições de vida e de superação, além, é claro, do nosso reconhecido bom humor.

Thelma Guedes e Duca Rachid na apresentação à imprensa de «Órfãos da Terra»

E qual é a mensagem que a novela pretende passar?

TG: Desde a nossa primeira novela, a gente sempre buscou o tema da compaixão, a premissa do caminho do meio. Joia Rara tinha isso muito forte, Cama de Gato e Cordel Encantado também. A mensagem principal dessa vez é a empatia, se colocar no lugar do outro e pensar no Brasil como um país grande, rico, receptivo, como sempre foi. O Cristo Redentor está de braços abertos. Todo mundo que vem aqui gosta, porque é um lugar alegre e acolhedor. E, mesmo passando por problemas, somos esse povo feliz e miscigenado.

DR: A novela também mostra que o planeta em que a gente vive é esse, não temos outro. Por enquanto, a gente tem que viver aqui e conviver com as diferenças. A metáfora que a gente pode usar é o abraço: abrace o diferente. Não vamos perder a empatia, os valores humanos e empáticos, como a compaixão.

Como está a correr a parceria com o diretor artístico Gustavo Fernández?

DR: A nossa parceria com o Gustavo é histórica e muito feliz. Teve início em Cama de Gato e, mais recentemente, em Cordel Encantado. O eu trabalho é minucioso e muito competente, o que colabora muito para o resultado final do produto.

TG: Nós escrevemos a obra, mas ficamos sempre atentas às cenas que vão ao ar. Várias vezes, tanto em ‘Cama de Gato’, quanto em ‘Cordel Encantado’, nós nos surpreendíamos positivamente com algumas cenas, que, após finalizadas, descobríamos que haviam sido dirigidas por ele. Ficamos muito seguras e satisfeitas de entregar essa novela aos cuidados do olhar sensível e coerente do Gustavo.

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