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Entrevista – Carluz Belo: «Concretizar este álbum realiza-me»

Com o seu primeiro disco de originais já lançado, Carluz Belo faz um balanço dos primeiros dias de Menino da praia no mercado, Em mais uma entrevista exclusiva do Quinto Canal, que trazemos agora até aos nossos leitores.


Em alguma palavras, como se define o Carluz Belo?

Sou alguém que sempre se fascinou pela arte musical e encaro-a como a minha forma predileta de comunicar com o mundo.

Lançou recentemente Menino da Praia, o seu primeiro disco de originais. Que balanço faz destas primeiras semanas de lançamento?

Não poderia estar mais feliz. Foi uma jornada com muitas aventuras ao longo de cerca de 10 anos. Cresci muito com todo o processo. Concretizar este álbum realiza-me não só pelo músico que hoje sou, mas também pelo miúdo que fui, cheio de sonhos, sem saber se alguma vez este projeto iria ver a luz do dia.

E como tem sido a receção do público a este disco?

Além de ser um grande marco a nível pessoal e profissional tem sido ótimo receber o feedback das pessoas que vão escutando o álbum e que se sentem tocadas pelas canções. Esse carinho dos fãs é sempre uma agradável surpresa que me faz sorrir.

Em que elementos se inspirou para a elaboração deste primeiro trabalho discográfico?

O contacto com a natureza é um dos principais catalisadores das experiências que vou tendo no mundo. As paisagens do litoral do Minho sempre me foram muito queridas, porque as identifico como casa e normalmente permitem-me abrir caminho à criatividade. A natureza traz-me a mesma liberdade que sinto ao compor e ao interpretar os meus temas.

Composto por 13 canções, qual é para si a faixa mais marcante do álbum?

Todas são especiais à sua maneira, pois cada uma tem uma tonalidade diferente. Contudo, Ao Virar de Cada Esquina foi a canção que mais sobreviveu a todas as alterações ao alinhamento do disco. Todos os outros temas acabaram por ser substituídos ao longo dos anos. Ao Virar de Cada Esquina foi o segundo single em novembro de 2017 e uma canção sobre vulnerabilidade e esperança, mais atual do que nunca.


Recuando um pouco no tempo, como surgiu o gosto pela música?

Sempre me senti fascinado pelos genéricos de TV, canções infantis, Eurovisão e jingles publicitários. Tinha curiosidade em saber quais os instrumentos musicais que produziam cada som que ouvia. Apesar da insistência dos meus pais em inscrever-me numa escola de música ainda em miúdo, recusei sempre, por não querer encher de regras aquela arte que eu estava a descobrir. Mais tarde, aos 18 anos, senti então necessidade de aprender mais e fui estudar, ficando mais enriquecido enquanto músico.

Sempre foi um sonho seu ser cantor?

Não. O primeiro talento que me identificaram foi o de desenhador e talvez por isso tenha feito Belas Artes no Porto. Na adolescência, a minha primeira paixão de palco foi de facto o teatro, mas quando entrei na faculdade comecei a compor nos tempos livres e essa paixão nunca mais me abandonou. Julgo que interpreto apenas porque componho melodias e escrevo poemas para essas canções. Provavelmente não seria cantor se não tivesse esta vontade de comunicar as minhas próprias ideias e emoções.

Quais são as suas maiores referências no mundo musical?

Em Portugal, o António Variações e a Lena d’Água marcaram-me imenso desde miúdo, pela delicadeza da sua linguagem pop. No Brasil, os Legião Urbana são a banda que me fez querer ser músico por inteiro, pela paixão e verdade com que cantavam em Português. No mundo anglo-saxónico devo destacar Rufus Wainwright, Sufjan Stevens e a eterna Kate Bush.

Com os tempos de pandemia que atravessamos, como pode o mundo da cultura reinventar-se para sobreviver?

A cultura tem feito um grande esforço para se manter à tona apesar de todas as dificuldades inerentes às restrições dos dias que vivemos. É importante que os vários agentes culturais se continuem a articular entre si cada vez melhor, para não deixarmos morrer a arte e a cultura, uma vez que sem elas correríamos o sério risco de perdermos uma parte fundamental da essência humana. Acredito que vai correr tudo bem.



Da música para a televisão, costuma acompanhar algum programa em especial?

Por vezes. Tem sido interessante assistir ao crescente acompanhamento à cultura que a RTP tem feito. O Eléctrico é dos programas de que mais gosto. Também gosto de acompanhar o 5 Para A Meia Noite, Horas Extraordinárias e o clássico Herman José, com o seu Cá Por Casa. Além disso, também costumo acompanhar o Festival RTP da Canção e da Eurovisão, alguns noticiários e várias séries em streaming.

Acredita que podia ser dado um maior destaque musical no mundo da televisão?

Tanto na televisão como em outros meios de comunicação tem sido difícil de se atribuir mais espaço, não só à música, mas à arte e à cultura em geral. Penso que terá muito a ver com a pressão das audiências e das vendas que os vários grupos económicos infelizmente vão enfrentado.

Que conselhos gostava de dar para quem quer começar a dar os primeiros passos na música?

Serem sempre fiéis à sua intuição, cultivarem-se muito a nível musical e artístico e nunca perderem a sua essência.

Com o tão aguardado disco já no mercado, quais são agora os planos para o futuro?

Para já gostaria de fazer chegar este Menino da Praia ao máximo de pessoas, para que possam desfrutar dele tanto quanto eu. Para 2021, desejo muito saltar para o palco com os meus músicos e poder celebrar estas canções com as pessoas, um pouco por todo o país.

 


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