Zerline ocupa o capítulo cinco da novela Os Inocentes de Hermann Broch – compilação de poemas e narrativas sobre a degradação de valores da aristocracia decadente da burguesia ascendente, na Alemanha, entre guerras, que antecipa a ascensão do fascismo e do totalitarismo na Europa.
O vigor literário deste capítulo cinco, que coloca em primeiro plano a personagem de uma velha criada e a sua história, contada a um interlocutor constrangido e praticamente mudo, deu origem a um monólogo já clássico. Esta é uma inesperada história de amor, a mais bela de todas, segundo Hannah Arendt, de uma mulher que é uma criada que é uma mulher.
Num triangulo amoroso, levemente inspirado nas personagens de Don Giovanni, o enigma de Zerline são as palavras ditas por quem não as tem de direito, e por uma mulher que é velha e nova, livre e submissa, vítima e carrasco. O mal não anda longe. Descolada do livro original, esta é uma história envolta em sombras, presságios e futuros sombrios.
CAL – Centro de Artes de Lisboa09 e 19 de outubro.
