«A Balada da Criada Zerline» em cena no Centro de Artes de Lisboa

Zerline ocupa o capítulo cinco da novela Os Inocentes de Hermann Broch – compilação de poemas e narrativas sobre a degradação de valores da aristocracia decadente da burguesia ascendente, na Alemanha, entre guerras, que antecipa a ascensão do fascismo e do totalitarismo na Europa.


O vigor literário deste capítulo cinco, que coloca em primeiro plano a personagem de uma velha criada e a sua história, contada a um interlocutor constrangido e praticamente mudo, deu origem a um monólogo já clássico. Esta é uma inesperada história de amor, a mais bela de todas, segundo Hannah Arendt, de uma mulher que é uma criada que é uma mulher.

Num triangulo amoroso, levemente inspirado nas personagens de Don Giovanni, o enigma de Zerline são as palavras ditas por quem não as tem de direito, e por uma mulher que é velha e nova, livre e submissa, vítima e carrasco. O mal não anda longe. Descolada do livro original, esta é uma história envolta em sombras, presságios e futuros sombrios.

CAL – Centro de Artes de Lisboa09 e 19 de outubro.

André Kanas

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Diretor, Redator e Gestor de conteúdos das redes sociais do QC | Responsável pelas coberturas musicais e televisivas do QC | Integrou o QC em 2013, dado o seu gosto pelo mundo televisivo e não só, sendo que já navega e escreve no universo de blogues e sites de entretenimento desde 2007.

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