Ángela, uma mulher surda, torna‑se mãe de uma bebé ouvinte, mas o nascimento da filha intensifica as suas inseguranças quanto à própria capacidade de comunicação e conexão com a família.
Entre preconceitos e silêncios, ela luta por construir um vínculo e um novo idioma familiar num mundo que sente não estar feito para ela.
Acompanhamos a vida de Ángela (interpretada por Miriam Garlo, atriz surda e figura central do cinema inclusivo espanhol), uma mulher com deficiência auditiva que se prepara para ser mãe ao lado de Héctor, o seu marido (Álvaro Cervantes). Apesar do seu amor e vontade de apoiar, Héctor nem sempre compreende plenamente a experiência sensorial e emocional da companheira.
O nascimento da filha – uma bebé ouvinte – intensifica conflitos latentes: o receio de Ángela de não conseguir corresponder às expectativas maternas num mundo projetado para ouvintes, as pressões sociais e médicas para “normalizar” a criança, e as dificuldades de comunicação no quotidiano da família. À medida que a menina cresce e o casal tenta encontrar equilíbrio, Surda revela como a maternidade pode ser simultaneamente um espaço de fragilidade e resistência.
Realizado e escrito por Eva Libertad, Surda tem sido amplamente elogiado pela sua autenticidade e pela abordagem natural à surdez, sem recorrer a condescendência ou dramatismo fácil. O filme esteve em competição na secção Panorama do Festival de Cinema de Berlim em 2025, onde foi distinguido com o Prémio do Público e o C.I.C.A.E. Award, e foi ainda reconhecido com múltiplos galardões no Festival de Málaga. A crítica descreve o filme como uma obra que expande a capacidade do cinema de gerar empatia e reflexão sobre barreiras invisíveis.
Mais do que um drama familiar, Surda é um gesto político subtil, que convida o público a escutar realidades que tantas vezes permanecem à margem – uma estreia a não perder no sábado, 28 de fevereiro, às 22 horas, no TVCine Top.
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