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Daniel Oliveira sobre Sócrates: «As personalidades mais odiadas vão ao programa como as outras»

Daniel Oliveira SIC

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Depois de ter assistido a várias reações por parte dos telespetadores à entrevista de José Sócrates, no Alta Definição, o apresentador da SIC decidiu defendê-lo na sua página oficial no Facebook. Para os mais desatentos, muitos foram os que não consideraram o ex primeiro ministro um convidado digno para responder às perguntas de Daniel Oliveira.

A propósito da entrevista de José Sócrates e lendo tantas opiniões distintas defendendo uma coisa e o seu contrário, sinto-me na obrigação de também dizer o seguinte: qualquer ex-primeiro ministro, seja ele qual for, está mais do que legitimado para ser convidado num programa como o Alta Definição. Discutir a relevância de trazer um convidado que governou o pais durante 6 anos, independentemente da forma como o fez, parece-me tão carente de sentido que não me vou perder muito com esse ponto. O Alta Definição é um programa de entrevistas. Ponto. Não é um programa de homenagens, não é um programa de tributo, nem é um programa de informação. É um programa de entrevistas. Ponto.

Que se gere por critérios autónomos que são bastante claros. O facto do público simpatizar, na maior parte das vezes, com os convidados do programa não o torna noutra coisa a não ser um programa de entrevistas. Ponto. O critério da escolha dos convidados é da minha responsabilidade e não responde a nenhum interesse que não seja o de cumprir o desígnio a que o programa se propõe: fazer entrevistas que mostrem o lado humano dos convidados tanto quanto os mesmos se predisponham a isso e o entrevistador o consiga – o que também pode não suceder.

E quando não se predispõem estão no seu direito e é nosso dever exibir a entrevista com o mesmo grau de profissionalismo de sempre. As personalidades que geram mais controvérsia ou, se quisermos, mais odiadas, vão ao programa como as outras: dar uma entrevista. Ponto. E o nosso compromisso ao convidar alguém é aceitar as regras do jogo: nós fazemos perguntas e o convidado responde consoante a sua motivação pessoal, mesmo que as respostas não sejam aquilo que esperamos ou não se crie qualquer empatia. Porque isso seria colocar os nossos interesses pessoais à frente da matriz do formato. Ao abrirmos o leque de convidados ao âmbito político sabíamos que este tipo de reações poderia acontecer.

Fomos criticados quando tivemos o Jerónimo de Sousa (PCP), fomos criticados quando tivemos a ministra Assunção Cristas (CDS-PP), aconteceu o mesmo quando por cá passou Santana Lopes (PSD) e agora com José Sócrates (PS). Com todos, como é público e notório, seguimos a linha de coerência do programa, tratando-o na exata medida de todos os outros. E isso é, para mim, o mais importante. A liberdade que todos se arrogam no sentido de criticar é proporcional à liberdade que um responsável televisivo tem em convidar um ex-primeiro ministro de Portugal para um programa de entrevistas. Ponto. Bom fim de semana a todos.

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