Quarta-feira, 17 de Janeiro de 2018
Quinto Canal

Em Entrevista – João Arroja

Chama-se João Arroja, e desde cedo provou que uma das suas grandes paixões é comunicar com os que o rodeiam. Ficou conhecido com a sua vitória no casting para o Curto Circuito, no entanto, o seu afastamento do programa acabou por surpreender tudo e todos.

O 5º Canal esteve à conversa com um profissional versátil, que já passou por diferentes áreas de trabalho.

Fica a conhecer melhor este apresentador e aquilo que ele sente agora, depois de sete meses de dedicação ao conhecido Curto Circuito!

I

Quem é o João Arroja?

Sou eu!!! É um ser irrequieto, que não pára sossegado e que é hiperativo, muitos consideram-no uma eterna criança, outros chamam-lhe maluco. É uma pessoa que preza o convívio e o contacto directo com as pessoas, que teve uma educação feliz graças aos seus pais e respetiva família, e que faz de tudo para tentar roubar sorrisos às pessoas deixando-as bem dispostas e confortáveis na sua presença. Um dos seus maiores defeitos é a teimosia, ser explosivo e não suportar pessoas com a mania de superioridade. Por vezes perde a noção do ridículo devido à sua excentricidade.

Em suma: ama a sua família e adora os seus amigos.

O melhor adjectivo que lhe foi dado até hoje foi o de Teresa Guilherme que quando o conheceu classificou-o como «O Furioso Dramático».

Como nasceu o teu sonho pela televisão?

Desde muito pequeno. Aliás julgo que tinha 6 anos na altura em que disse que queria ser ator por causa do Harrison Ford no papel de Indiana Jones. Ainda hoje é um dos meus atores favoritos. Como fui sempre muito brincalhão, comunicativo e extrovertido, a arte da animação e entretenimento sempre me fascinou.

A curiosidade faz parte da minha personalidade e como o verbo descobrir integra a minha evolução e crescimento como ser humano sempre quis viver aventuras e novas experiências. Desde muito cedo que o bichinho da representação esteve sempre presente em mim mas nunca foi levado para primeiro plano. Após ter ganho o CCcasting2011 os planos alteraram-se.

O teu primeiro projeto em televisão foi o Curto Circuito. Achas que o programa é uma escola para os «novos apresentadores»?

Na minha opinião é uma oportunidade única que se deve aproveitar ao máximo quando se consegue e enquanto dura. Felizmente aprendi lá muito, principalmente com alguns operadores de câmara, colegas de produção e respetiva equipa técnica que sempre me apoiaram e ajudaram desde o início.

O Curto Circuito é dos únicos programas que dá a possibilidade de as pessoas poderem formar-se em televisão e agarrarem novas oportunidades. Sinceramente – e por experiência própria – não considero uma escola mas sim uma boa oportunidade de estágio profissional.

 Vê este vídeo:

Como recordas a fase de casting do Curto Circuito?

Muito nervoso e “confiançudo” ao mesmo tempo. Tinha plena consciência que era amador e que tinha muitas coisas para aprender e melhorar. O Tiago Góes que era um dos concorrentes fortíssimos e que esteve na final comigo. É um excelente profissional nesta área, que sempre me fez tremer durante o casting; aliás, nós muitas vezes chegámos a comentar um com o outro dizendo que ele tinha a formação que eu não tinha e que eu tinha a loucura que ele não tinha. Na altura desconfiava que, de todos, eu era o mais extrovertido e brincalhão mas não sabia se era isso que procuravam num novo apresentador para o CC. Felizmente correu bem, ganhei e aproveitei a oportunidade enquanto durou.

Alguma vez consideraste que podias ter hipótese de vencê-lo?

Claro que sim, é preciso acreditar, se não for eu a acreditar em mim quem acreditará?! Temos de acreditar sempre em nós próprios porque senão nunca teremos sonhos e objectivos.

Qual o momento que mais te marcou nesta grande aventura?

O momento que me mais me marcou foi, sem dúvida, ganhar o CCcasting porque até essa altura nunca tinha conseguido algo que desejasse há tanto anos, nunca me tinha inscrito nos castings anteriores por pensar que nunca seria escolhido. Foi mesmo um sonho tornado realidade e até chorei em direto, algo que nunca pensei que pudesse acontecer. Já critiquei outros por o fazerem e depois “pimba”, aconteceu-me! «Cuspi para o ar e caiu-me em cima».

Conseguiste criar uma boa relação com os teus fãs. Quais os ingredientes necessários para alcançar tal sucesso?

Eu julgo que sim, arranjo sempre tempo para responder a todos. Ainda me lembro, no início, de um colega da produção do CC me dizer que nunca teria tempo para responder a todos os fãs, pois até hoje consegui demonstrar o contrário, se calhar por serem só apenas 10. «Atenção! Estou a brincar!» Não sei se será sucesso mas o fundamental é sabermos lidar com as pessoas que nos admiram e que nos querem bem, e até mesmo com aquelas que nos odeiam. Penso que não há ingredientes, julgo que tudo faz parte da personalidade e da atitude da própria pessoa. Graças aos meus pais e à minha família sempre tive uma boa educação e sempre fui extrovertido, por isso o ingrediente depende sempre da educação que nos dão e do meio ambiente onde crescemos.

II

Foste afastado do Curto Circuito sete meses depois de teres dado início a um novo ciclo do programa. Como te informaram sobre a tua saída?

Disseram-me que não estava a corresponder às expetativas do CC, acrescentando que já tinha feito o suficiente e que deveria seguir novos caminhos.

Estavas à espera de tal decisão?

Tive os meus pressentimentos.

Como é que reages às declarações de Pedro Boucherie Mendes quando ele afirma que não evoluíste como o pretendido?

Reajo bem, são apenas opiniões, o facto de ele afirmar não quer dizer que eu tenha de concordar. Cada um tem a sua maneira de visualizar e interpretar as situações fazendo o seu próprio juízo de valor dentro de cada contexto. Como o Pedro Boucherie Mendes até à data nunca me tratou mal, respeito a sua afirmação. Cada um é livre das suas próprias convicções. Aliás, à parte de isto tudo, como não tive oportunidade de o fazer pessoalmente, só tenho de lhe agradecer pela oportunidade que me deu durante estes 7 meses na SIC Radical.

O que te diferenciava dos teus colegas apresentadores?

Não querendo parecer arrogante ou convencido, talvez o facto de querer arriscar mais, ser mais excêntrico, audacioso em certas atitudes, capacidade de dar a volta em certas e determinadas situações, ter sempre resposta na ponta da língua, lidar melhor com a improvisação do que com o teleponto, ser irreverente e procurar sempre a originalidade de modo a não ser mais um apresentador mas sim ser o João Arroja. Basicamente ser como sou e como sempre fui: verdadeiro!

Achas que cumpriste a tua missão na condução do Curto Circuito?

Julgo que sim, só não fiz mais porque não me permitiram, dentro de todas as condicionantes do CC sempre houve restrições e limites.

III

Sei que já experimentaste diferentes áreas de trabalho, principalmente no mundo da comunicação. Com alguma experiência em rádio, representação, música e apresentação, qual a área que mais te agrada?

Sem dúvida que prefiro a televisão porque dá livre acesso para tudo, até mesmo para a música e representação. Claro que a magia da rádio também tem a sua importância. Na altura em que fiz rádio diverti-me imenso, na Popular FM 90.9MHz, no programa Revolução Caramela, mas não foi assim nada muito profissional. Foi um projeto muito descontraído, sem qualquer formação.

Considero-me uma pessoa muito expressiva e bem disposta o que, na televisão, acaba por ter mais impacto. Sinto-me mais confortável a representar sentimentos do que a descrevê-los.

Quais os teus planos para o futuro?

De momento estou a dedicar-me inteiramente aos meus projectos musicais e a outros que têm vindo a surgir. Sou vocalista dos Boca Doce, projecto musical que transforma músicas clássicas portuguesas em versões de punk rock. Continuo ainda nos Shivers, a primeira e única banda portuguesa de Rock Popular Caramelo (www.shiversonline.com). Sou DJ de Rock dos anos 90 com algumas misturas, de modo a reviver a música da minha infância.

Quando surge oportunidade sou convidado para apresentar Galas, Eventos e Festivais. Tenho participado e tenciono continuar a participar em curtas metragens.

Estou ainda a finalizar um programa de música com o Marco Almeida (excelente profissional na realização e edição de vídeo), o HeadRoom: (http://www.youtube.com/watch?v=OuVvyG2a3JI). Pretendo dar continuidade ao Repórter Caramelo (http://www.youtube.com/watch?v=J-fRtdNRsg8&feature=related). Tenciono fazer um série de comédia e ao mesmo tempo um talk-show.

Se correr bem espero poder fazer programas de entretenimento, ou então trabalhar como ator representando personagens dramáticas para mostrar a minha outra faceta que o público não conhece. Estarei sempre aberto a novas oportunidades e a novos desafios, continuando a ir a castings.

Tenho mais alguns projectos em desenvolvimento mas não os posso revelar. Aguardem por breves novidades e acompanhem-me na minha página oficial: http://www.facebook.com/joaoarrojaoficial.

Qual o teu maior sonho?

Ser actor de Hollywood, este sim é um sonho que será muito difícil de se realizar. Tenciono apenas continuar a trabalhar em televisão na área do entretenimento e à parte continuar com os meus projectos musicais. Afinal, se eu fizer o que gosto vou considerar-me uma pessoa feliz e realizada nos meus sonhos.

Costumas visitar os sites de televisão? Qual a tua opinião sobre os principais projetos nesta área? É importante o papel destes na divulgação do trabalho daqueles que fazem parte da «caixinha mágica»?

Sempre que tenho tempo ou interesse em pesquisar algo em concreto visito.

Acho que todos os projectos têm o seu fundamento quando se acredita em algo. Basta trabalhar e lutar por isso, mesmo que não se dê o devido valor na altura talvez mais tarde surja o reconhecimento. Sem dúvida que estas plataformas dão a conhecer o outro lado da moeda, por isso é sempre gratificante para todas as pessoas desta área exporem a sua opinião e também de nos darmos a conhecer um pouco mais a todos aqueles que nos acompanham e que nos seguem.

Uma mensagem para os leitores do 5º Canal…

«Sejam sinceros e verdadeiros porque o mundo está cheio de hipocrisia e cinismo.»

Obrigado e boa sorte João Arroja!

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