Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2018
Quinto Canal

Só Séries: 5ª temporada de «Orange is the New Black» terá sido um fracasso?

Orange is the New Black é uma das séries mais antigas e promissoras da Netflix e um dos motivos que levou ao seu enorme sucesso. A nova temporada parecia promissora mas a verdade é que não correspondeu às expectativas. [SEM SPOILERS]

Quebrando um pouco a tendência das temporadas anteriores, o início da quinta temporada de Orange is the New Black coincidiu com o final do último episódio até então exibido. A morte de uma das prisioneiras despoletou uma onda de protestos que acabou com várias criminosas a encurralarem dois guardas, um deles que tinha entrado armado. Uma das prisioneiras agarrou na arma e é imediatamente pressionada para disparar contra ele. E o que poderia ter servido de mote para uma das temporadas mais fortes a nível emocional, acabou por se tornar numa tentativa fracassada de comédia.

orange is the new black

Penso que a pressão sentida por aquela prisioneira simbolizou a pressão que os escritores tinham em cima, porque de tantas ideias que poderiam usar, acabaram por escrever um roteiro sem nexo onde já nem as cenas de flashbacks – que tanto nos ajudaram a compreender aquelas personagens – fizeram sentido. O motim poderia ter sido muito bem aproveitado para apostar fortemente na componente emocional e no potencial que aquelas atrizes têm. A verdade é que chegou a uma certa altura em que já ninguém sabia porque se estava a fazer aquela revolta e em que interesses pessoais começaram a ter mais atenção do que realmente a causa em si. Os motivos eram fortes e as exigências das prisioneiras eram fidedignas, mas até mesmo o espectador ficou na dúvida sobre o porquê da revolta das prisioneiras.

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Orange is the New Black sempre se distinguiu pela quebra de tabus e pela capacidade de conciliar várias protagonistas (e as suas histórias), intercalando sempre drama e comédia de forma suave. Nesta nova temporada o que se viu foram piadas forçadas e momentos supostamente cómicos que deixaram apenas os espectadores constrangidos. É que nem o facto de terem usado Angie (Julie Lake) e Leanne (Emma Myles) serviu. As duas prisioneiras mais aluadas tiveram alguns momentos engraçados mas não tiveram o estofo necessário para realmente fazer rir. A única cena que me fez rir – puxou um pouco pelo meu lado geek – foi quando algumas das prisioneiras fizeram um teste online para saberem a qual Casa de Hogwarts pertenciam.

As grandes personagens em destaque nesta temporada foram mesmo Suzanne “Crazy Eyes” (Uzo Aduba), Taystee (Danielle Brooks) e Gloria (Selenis Leyva). Tiveram nas suas costas o peso emocional da quinta temporada e não desiludiram. A primeira porque entre a realidade e a fantasia da sua cabeça, lá dizia uma ou outra coisa que nos deixou com a lágrima ao canto do olho. A segunda porque me fez literalmente chorar, especialmente no último episódio (se a Danielle não ganhar um prémio vou ficar muito triste). E a última porque tentou cuidar de todas as prisioneiras ao remediar a situação do motim e acabou dividida entre a lealdade a elas ou à sua família, quebrando completamente as forças quando percebeu que nada conseguia fazer para ir ter com o filho.

Já que renovaram esta série, custava muito terem renovado Sense8?

Pautada pela forte mensagem de apoio à causa Black Lives Matter, a quinta temporada de Orange is the New Black poderia realmente ter sido revolucionária. A caracterização da sociedade americana e das diferenças sociais está de facto presente mas perde imenso a força uma vez que o roteiro não conseguiu acompanhar a sua importância. Penso que a pressão de terem colocado tanta história num espaço temporal tão curto tenha realmente quebrado o que OITNB tinha de bom até agora (os treze episódios ocorrem nas 72 horas a seguir ao início do motim). O final poderá ser um bom sinal porque indica que vai existir um reset completo de histórias e personagens. Resta ver se os criadores arriscam tudo ou ficam escondidos no porão.

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SOBRE O AUTOR

Licenciada em Ciências da Comunicação pela Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve, desde cedo adquiri um enorme interesse por séries. Tento ver um pouco de tudo e apresentar aqui no Quinto Canal o que se passa no panorama televisivo.