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Desde o início do ano que se tornou evidente a tentativa da Netflix de produzir conteúdo audiovisual de qualidade, equiparando-se às produções televisivas do mesmo género. House of Cards foi sem dúvida o ovo de ouro desta empresa, que apostou forte também Hemlock Grove, que também teve sucesso. Orange is the New Black aproxima-se do sucesso das suas antecessoras.

Criada por Jenji Kohan, numa produção da Lionsgate Television, esta série é baseada no livro homónimo, escrito na primeira pessoa por Piper Kerman, relatando as suas experiências na prisão. A história apresenta então Piper Chapman (Taylor Schilling), natural de Connecticut mas residente em Nova Iorque com o seu noivo Larry Bloom (Jason Biggs). Tudo muda na vida do casal quando Piper é sentenciada a 15 meses de prisão por ter transportado uma mala com droga para ajudar Alex Vause (Laura Prepon), uma traficante de droga e sua antiga paixão, há dez anos atrás. Piper vai assim parar a uma prisão feminina e lidar com uma realidade totalmente diferente da sua vida abastada. Dentro da prisão, Piper vai conhecer muitas pessoas que lhe vão mostrar o melhor e o pior de viver numa prisão, entre as quais Miss Claudette (Michelle Hurst), Galina “Red” Reznikov (Kate Mulgrew), Tasha “Taystee” Jefferson (Danielle Brooks), Suzanne “Crazy Eyes” Warren (Uzo Aduba), Nicky Nichols (Natasha Lyonne), Sophia Burset (Laverne Cox), Dayanara “Daya” Diaz (Dascha Polanco) e Janae Watson (Vicky Jeudy). Tudo piora para a protagonista quando reencontra Alex na mesma prisão.

orange is the new black

Quem se der de caras com o trailer pela primeira vez poderá assumir que a série procurará trazer um pouco de L Word mas no contexto de uma prisão. Desengane-se totalmente porque o ponto forte de Orange is the New Black não são as cenas de sexo (praticamente inexistentes) nem os nus constantes. O forte desta série é sem dúvida a sua história, muito bem escrita. Jenji Kohan fez um trabalho sensacional ao conseguir conciliar numa produção televisiva tanta personagem e tantas histórias que se cruzam numa harmonia esplendorosa. As personagens são nos apresentadas sem que nada saibamos do seu passado. Este é-nos revelado aos poucos e em flashbacks, levando a que o espectador vá se apercebendo de como eram aquelas mulheres e o que lhes aconteceu para serem como são agora e estarem no local onde estão. Mais do que mostrar um grupo de criminosas, Orange is the New Black mostra-nos pessoas que cometeram escolhas erradas na vida e que para muitas é tarde demais para emendar. Mostra-nos os dramas de muitas que foram abusadas ou outras que viram no crime uma fuga à vida de miséria que tinham.

A par da componente dramática tem uma forte vertente cómica. É impossível não rir de situações ou comentários que nos são apresentados. E isto mostra também a dinâmica do elenco, que consegue não só exceder-se nas cenas emocionalmente fortes, como consegue também ser excelente nas cenas mais humorísticas. Na minha opinião, a personagem “Crazy Eyes” é quem se excede neste tipo de cenas, provocando imensas gargalhadas com as suas tentativas de sedução a Piper.

Esta série demonstra a componente criativa que a Netflix está a ter no panorama televisivo e é sem dúvida uma ótima sugestão de entretinimento.

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