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Como fã confessa de séries de ficção científica, não poderia deixar passar a estreia de uma das séries do canal que se dedica a este tipo de produções. E apesar de estar à espera de mais uma série de zombies, o resultado com que me deparei foi uma série que pode ir em qualquer direção e nunca será naquela que estaríamos à espera.

Criada por Ronald D. Moore, o homem por detrás de Battlestar Galactica, e produzida por Steven Maeda (Lost, CSI: Miami) para o canal Syfy, Helix aborda a viagem de um grupo de cientistas do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças a um centro de pesquisa de alta tecnologia no Ártico. O grupo é liderado por Dr. Alan Farragut (Billy Campbell) e composto por Dr. Julia Walker (Kyra Zagorsky), o militar Sergio Balleseros (Mark Ghanimé), Dr. Sarah Jordan (Jordan Hayes) e Dr. Doreen Boyle (Catherine Lemieux). Quando chegam ao local, o grupo depara-se com um cenário duvidoso criado pelo cientista que controla o centro de pesquisa Dr. Hiroshi Hatake (Hiroyuki Sanada). Alan acaba por descobrir que o seu irmão Peter (Neil Napier) é um dos infetados. Aos poucos, o grupo percebe que a sua deslocação a esse sítio remoto era com o propósito de investigar um possível surto de um vírus que se está a espalhar dentro das instalações mas acabam por descobrir que o vírus pode ser a chave para a salvação ou destruição da humanidade.

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O aspeto mais interessante desta série é a sua história e a forma como está escrita, pois foram criados diversos caminhos pelos quais as mini histórias podem seguir. Apesar de carecer imenso de fatores mais credíveis, em relação à caraterização do grupo do CCPD, e de ser ocasionalmente comparada a um drama adolescentes, considero que muitos dos críticos estão apenas focados nos aspetos negativos da série. Não posso confirmar se de facto um grupo do CCPD se comportaria daquela forma perante um surto de vírus mas a verdade é que quando começam a entrar fatores pessoais para a resolução do caso, nomeadamente o facto do irmão do responsável ter sido infetado, ninguém pode prever quais seriam as ações mais prováveis que se tomariam. E neste momento, a história deixou de ser uma possível réplica de produções sobre zombies. Existem mil e uma possibilidades do que se está a passar naquelas instalações e o facto de não sabermos o que se segue é realmente viciante.

Em relação ao elenco, não é composto por nenhum nome sonante mas no geral todos os atores já tiveram participações em outras produções. Billy Campbell e Hiroyuki Sanada, os dois protagonistas, são os atores mais conhecidos e dos quais se esperava melhores performances. Infelizmente, Campbell fica muito aquém do potencial da sua personagem. Não consigo gostar do trabalho dele e acho que torna a série um pouco enfadonha quando tenta ser o herói e o razoável, mas acaba por ser apenas chato. Por outro lado, Sanada faz uma interpretação bastante boa, transparece todo o lado mau e calculista da sua personagem de uma forma muito agradável. A personagem que interpreta é das mais complexas e difíceis de prever e todo o misticismo à volta de quem é o diretor das instalações elevou imenso a fasquia de interpretação, à qual Sanada correspondeu da melhor forma. No geral, as prestações do elenco são consistentes, apesar de no início muitos diálogos e atuações fossem bastante automatizados, sem um pingo de preocupação dos atores entrarem nas suas personagens.

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Sendo uma série de ficção científica, Helix tem que obrigatoriamente ter efeitos visuais. E pertencendo ao canal Syfy, deveriam ser de excelência. Mas infelizmente o canal aposta muito pouco ou quase nada numa equipa de técnicos informáticos boa porque a realidade é que muitos dos efeitos visuais são medíocres. Confesso que a caraterização dos infetados é bastante boa e assustadora e que ocasionalmente um ou outro efeito é realmente bom. Mas a presença dos macacos infetados computadorizados foi muito má. Aquilo doeu de ver de tão péssimo que foi. Mas não só. Os ratos, famosas cobaias de experiências científicas, foram também mal criados e nota-se claramente a presença de uma figura computadorizada.

Helix é uma aposta interessante com uma premissa viciante e incerta. Não sei até onde pode ir mas pelo que foi mostrado até agora o caminho pode ser longo, se a história se mantiver cativante. Contudo, muita coisa tem que mudar para ser uma série de excelência e penso que o futuro será generoso para esta produção. Preparem-se para ficarem aborrecidos, assustados, intrigados e, principalmente, viciados em Helix à medida que se vai descobrindo a fórmula de criação de super-humanos.

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