Quarta-feira, 24 de Maio de 2017
Quinto Canal

Só Séries: «13 Reasons Why» – És um dos motivos ou a vítima?

A Netflix lançou em Março a série 13 Reasons Why e rapidamente se tornou um sucesso. E apesar de parecer a típica produção americana que retrata o ambiente escolar dividido em vários escalões sociais, a verdade é que a mensagem por detrás desta série é demasiado forte.

Inspirada no livro homónimo escrito por Jay Asher, 13 Reasons Why (ou Por Treze Razões) é protagonizada por Clay Jansen (Dylan Minnette), um adolescente que um dia ao chegar a casa tem à sua porta um conjunto de cassetes gravadas por Hannah Backer (Katherine Langford), sua amiga e que se tinha suicidado há poucas semanas. Cada lado das cassetes corresponde a um motivo que levou à sua morte e Hannah apresenta 13 razões porque se suicidou. Ela deixou instruções a Tony (Christian Navarro) para que as cassetes passassem por todos os que são lá mencionados e que caso isso não acontecesse, um outro conjunto de cassetes seria divulgado aos professores da escola.

És um dos motivos ou és a vítima?

Esta pergunta é o mais importante a reter desta série. E a verdade é que quantos de nós não assistimos a situações no âmbito escolar em que alguém foi profundamente humilhado e ficámos impávidos a assistir a isso? Quantos de nós não perpetuámos rumores na expectativa de nunca sermos alvo de algum?

13 Reasons Why

Através do relato que faz dos acontecimentos que levaram ao seu suicídio, Hannah mostra toda a dor que aquelas pessoas a fizeram passar e como que coisas simples levaram a afastamentos profundos. 13 Reasons Why mostra não só a fragilidade de relacionamentos na adolescência mas também a vulnerabilidade a que cada um está sujeito. É que todos os estereótipos apresentados na série são descompostos, uma vez que cada um dos “motivos” tem os seus próprios segredos.

O que torna 13 Reasons Why numa das melhores séries do momento é sem dúvida a mensagem forte que quer passar de que devemos fazer mais e nos importar mais por quem está à nossa volta. Todos os “motivos” poderiam ter feito algo mais para ajudar Hannah mas no final ninguém fez o suficiente. E apesar de parecer tudo demasiado cliché, a verdade é que esta série é igualmente brilhante em todos os outros aspectos.

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Começando por falar na realização, é de louvar a mestria como são apresentados os acontecimentos que Hannah vai relatando, sempre mostrados em flashbacks. São introduzidos de forma fluída na história e muitas vezes deixam o espectador a ponderar em que timeline está aquilo a acontecer. Uma dica? Os flashbacks primam por ter cores quentes enquanto que os acontecimentos atuais têm tons mais frios (a subtileza do uso das cores é simplesmente brilhante). Sendo uma série da Netflix seria de esperar que não existisse qualquer tabu ou restrição e a série corresponde às expectativas. Em alguns episódios é exibida uma mensagem no início a avisar das imagens fortes que serão mostradas. A brutalidade de algumas cenas é de facto algo que dá ainda mais destaque à série.

A banda sonora é algo que também precisa de ser realçado, uma voz que foge aos hits atuais, utilizando alguns clássicos que fizeram sucesso no tempo em que se ouviam cassetes (mais uma referência subtil). Por último, resta-me falar do elenco que foi escolhido a dedo. Cada ator interpreta de forma fenomenal as suas personagens e proporcionam momentos muito emotivos ao longo dos episódios.

Apesar do final do livro ser diferente do da série, a verdade é que acho que a mensagem de 13 Reasons Why  não seria tão forte se se tivesse mantido fiel ao original. É uma série que tanto jovens como pais deveriam de ver e analisar, porque muitas vezes ignoramos os pedidos de ajuda que nos vão sendo dados, desvalorizando pequenos gestos que para os outros podem significar tudo.

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SOBRE O AUTOR

Licenciada em Ciências da Comunicação pela Escola Superior de Educação e Comunicação da Universidade do Algarve, desde cedo adquiri um enorme interesse por séries. Tento ver um pouco de tudo e apresentar aqui no Quinto Canal o que se passa no panorama televisivo.