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Esta semana trago-vos um jogo indie que me tem roubado imensas horas de vida – inclusive estive a jogá-lo mesmo antes de vos trazer este texto (apenas para vos proporcionar uma melhor experiência de leitura obviamente…). The Binding of Isaac baseia-se numa história que muitos de nós já conhecemos e que nos foi transmitida ao longo dos diversos anos de catequese. Os criadores aplicaram-lhe um twist, adaptando-a aos tempos modernos e voilá, está criado um dos jogos mais viciantes/irritantes/nunca-mais-te-jogo que conheço.

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Vou então contextualizar um pouco a história para aqueles que durante esses anos de catequese andaram mais distraídos ou que simplesmente não são dados à religião. Foi pedido a Abraão que testasse a sua fé em Deus sacrificando o seu filho Isac. Abraão acede ao pedido, mas quando está prestes a concretizá-lo, aparece um anjo que lhe ordena que em vez do seu filho, sacrifique um cordeiro. Como podem ver, a história como vem descrita na Bíblia já contém cenas interessantes e que por si só dariam uma bela história para um videojogo. No entanto a Team Meat (conhecidos pelo seu jogo anterior, Super Meat Boy) resolveu dar a esta história um lado mais moderno e contemporâneo. Sendo assim, a história de The Binding of Isaac conta como o protagonista Isaac vive uma vida pacata e feliz com a sua mãe. Enquanto o pequeno brinca, a mãe é espectadora assídua de canais católicos e uma fanática religiosa. Certo dia, a mãe ouve uma voz que lhe diz que o seu filho foi corrompido pelo mal e que precisa de ser salvo – morto portanto. A mãe após várias tentativas, finalmente dirige-se ao quarto de Isaac com um cutelo, mas ele apercebe-se do que está prestes a suceder e escapa através de um alçapão que o leva para a cave da sua casa. E que cave tão interessante tem o nosso amigo Isaac.

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Ao longo deste RPG (role-playing game) dividido em vários níveis, exploramos as diversas divisões de cada um deles. Em todos eles encontrámos um ambiente obscuro e cavernoso. Além de inimigos que sinceramente nem sei bem como vos posso descrever. Imaginem algo muito estranho… Como uma mistura de cérebro e brócolos tímido e a chorar. Já está? Pronto, é um dos inimigos. Além deste “ser” temos ainda moscas, fetos, cabeças e um sem número de objetos não identificados a tentarem nos matar com todo o tipo de projéteis incomuns. No final de cada nível há ainda os bosses que são constituídos por criaturas como uma viúva negra de aspeto verdadeiramente grotesco ou até uns gémeos que cospem algo que não sou capaz de vos descrever. Há ainda mini-bosses onde temos de enfrentar os pecados mortais – há inclusive uma clara alusão ao Bomberman.

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Apesar do número de níveis parecer pouco, e recordo-vos que se trata de um jogo indie, todos eles são gerados de forma aleatória portanto nunca – ponham um grande ênfase no nunca pois já tenho várias horas de jogo e só eu sei o quanto me martirizo por um certo nível me ter corrido bem e de o ter desperdiçado a morrer com uma simples mosca – se vão repetir. Isto confere um elemento de frescura e de novidade enorme ao jogo e que nos faz sempre ter aquele sentimento de “só mais um, esta é a última”. Toda a jogabilidade de The Binding of Isaac é baseada num simples elemento – a sorte. Podem-nos calhar áreas com uma série de itens úteis e que nos salvam a vida ou cheias de inimigos onde não recebemos uma única recompensa. No momento em que ficamos sem corações e morrermos é mesmo game over. Não há checkpoints nem saves (fãs dos jogos retro, lembra-vos algo?). Já conseguem imaginar a frustração certo? Tem tanto de viciante como de frustrante mas podem acreditar, é fantástico.

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Existem diversos finais e apesar de passarem o jogo numa hora – se o passarem de todo – ainda terão imenso para explorar. Para nos ajudar na nossa jornada existem diversos power-ups que nos conferem poderes e upgrades. Desde itens para alterar o aspeto de Isaac até upgrades para as nossas lágrimas – a nossa arma – há de tudo, incluindo a roupa interior da mãe até ao seu batom…E Isaac faz sempre questão de colocar tudo em si próprio, portanto imaginem o aspeto fantástico com que ele fica.

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Os gráficos são meio cartoonish e roçam entre o grotesco e o cute. Até o som ajuda ao aspeto enigmático com os seus potentes riffs de guitarras intercalados com suaves melodias. Aconselho vivamente a experimentarem The Binding of Isaac e ajudarem esta criança na sua jornada. Podem exprimentar gratuitamente a Demo (jogo flash) aqui e se gostarem poderão adquirir a versão full na Steam aqui.

Já conheciam este jogo? Ficaram curiosos?

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