Senhora dos palcos, apaixonada pelo ballet e pela representação, Lídia Franco já habituou os portugueses a vê-la dentro e fora do pequeno ecrã. Começou com o sonho de bailarina mas hoje em dia é uma referência na arte de representar. Com largos anos de uma sólida carreira, já fez de tudo e tudo brilhantemente.

Defende a sua profissão com todo o seu talento. Estudou, aprendeu e ensina a representar. Em breve quer estrear-se atrás das câmaras mas enquanto tal não sucede percorre o país com Oscar e a Senhora Cor-de-Rosa. Nunca está parada e quando está é mau sinal…

O 5º Canal esteve à conversa com Lídia Franco e revela-lhe agora todos os pormenores para mais uma entrevista exclusiva.

[divide]

I


Quem é Lídia Franco?

Pessoa do sexo feminino. Actriz. Sempre a tentar observar cada dia como se fosse a primeira vez.

Iniciou a sua carreira como bailarina, na Companhia Portuguesa de Bailado, mas o seu futuro passou pela representação. Onde ficou a vontade de abraçar o bailado?

O Ballet é um sacerdócio e é também uma técnica que não se compadece com paragens. Todos os dias se tem que praticar e tentar aperfeiçoar horas e horas a fio…Quando por alguma razão se é obrigado a parar, é muito difícil recuperar e dependendo dessa paragem forçada pode tornar-se impossível continuar. Foi mais ou menos isso que me aconteceu. Os bailarinos clássicos, tal como os atletas de alta competição ficam geralmente com lesões no corpo. Foi o meu caso. É por isso que por muito que queira, não posso voltar a dançar.

Quando ingressou no British Theatre Association em Londres já estava decidida a deixar o bailado e a abraçar a vida de actriz? Foi-lhe difícil rumar a Londres?

Sempre gostei de teatro. Desde miúda que eras espectadora assídua. A minha avó, a escritora Alice Ogando foi também actriz, encenadora e directora do teatro que naquele tempo se fazia na emissora nacional. Quando ainda não existia televisão o público seguia com muita atenção o teatro radiofónico e quando por vezes era necessário uma voz de criança, lá ia eu contracenar com os grandes actores: Eunice Muñoz, Raul de Carvalho, etc… Daí que a minha passagem do ballet para o teatro acabou por ser natural. Claro que a minha formação tinha sido feita na escola de Ballet do Teatro Nacional de S. Carlos por isso em seguida comecei a fazer aulas de voz, de mímica e pantomina (em Paris), de interpretação (em Londres), etc…e sempre…pois a formação do actor continua até ao fim da vida. É trabalhar, praticar, estudar, investigar, aprender com a vida e nunca esperar resultados…Trabalhar sempre!

II

Já passou pelo Teatro, Televisão e Cinema. Sendo todas as áreas diferentes, qual é que considera essencial para o crescimento enquanto actor?

O teatro é a arte do actor. O cinema é a arte do realizador. A TV é uma indústria onde por vezes se consegue introduzir um pouco de arte.

Havendo uma nova geração de actores que ingressou directamente na televisão e que por lá se tem mantido, sente o seu lugar ameaçado na caixinha mágica?

Há jovens talentosos que começaram directamente na televisão e que se tiverem paixão por ser actores e consequentemente, estudarem, investigarem, etc. etc. etc. podem vir a ser bons actores. Para mim, tal como para qualquer actor, não há nada melhor que contracenar com bons actores. Como dizem os Ingleses: “Acting is Reacting”.

Recebeu inúmeros prémios, mas considera que em Portugal não se dá o devido valor às pessoas galardoadas. Porquê?

Felizmente até aqui escapei à “Distribuição Anual ao Kilo” das condecorações nacionais e que consequentemente perderam o valor que tinham quando eram distribuídas apenas por aqueles que realmente se distinguiam. Neste momento há apenas um ou dois prémios sérios em Portugal. Todos os outros são “pura ficção”: distribuídos entre os amigos e colaboradores.

Está em cena com o monólogo Óscar e a Senhora Cor-de-Rosa. Como tem sido a adesão dos portugueses?

Continuo em digressão nacional com o maravilhoso monólogo de Eric-Emmanuel Schmitt Óscar e a Senhora Cor-de-rosa. A reacção do público é absolutamente Fantástica!

Sente que o público gosta de si? O que lhe dizem?

No teatro tenho sentido que o público gosta das emoções que lhe transmito. No cinema  não tenho sentido quase nada pois quase que não há cinema em Portugal. Na TV sinto-o através dos técnicos com quem trabalhamos e por vezes na rua há pessoas que vêm ter comigo para me falar do meu trabalho, o que é sempre muito agradável.

Já percorreu vários países com as suas peças. É diferente ser actor lá fora?

Tudo o que diz respeito à cultura e à arte é diferente fora de Portugal! Não será por isso que o país está como está?

Recentemente disse a uma publicação que ficou descontente com o final da sua personagem na novela Rosa Fogo. O que queria ter explorado mais na personagem?

As novelas, entre outras coisas têm a possibilidade de informar o público sobre vários problemas da nossa Sociedade. No caso desta Personagem com a terrível doença de Alzheimer, a própria Associação Portuguesa de Alzheimer depois de me ter ajudado a compreender mais sobre a doença, achou que eu estava a fazer um bom trabalho e associou-se à produção da novela para dar ainda mais informações, conselhos, etc. Por isso esperávamos mais desenvolvimento .

III

Participou na novela brasileira, Xica da Silva. Gostava de repetir a experiência e voltar a gravar no Brasil?

Se me convidarem para voltar ao Brasil irei a correr, não só pela qualidade de trabalho como pela qualidade de vida! Se em Portugal quando perguntamos a alguém como está, este invariavelmente responde: Vamos andando mais ou menos…tem que ser…. No Brasil, responde sempre (mesmo que esteja mal) TUDO BEM!

 Com tantos anos de carreira, qual o momento que mais a marcou até agora?

O melhor momento é sempre o presente onde se insere também  a procura de novos texto para o futuro.

Já teve o papel que considera ser o da sua vida?

O papel da nossa vida está sempre a ser feito

Não tem nenhum contrato de exclusividade com nenhum dos canais generalistas. Se lhe fosse proposto algum, aceitava?

Dependendo das condições, agora era capaz de aceitar um contrato de exclusividade.

Em televisão o formato novela ainda é a grande aposta dos canais. Gostava que houvesse mais variedade de géneros?

O ideal era que os canais de televisão tivessem vontade e possibilidade de investir em série, telefilmes, etc. Formatos que poderiam ser feitos com mais tempo e mais cuidado.

Em Março a GFK passou a assumir o controlo pela medição de audiências. Preocupa-se em saber o resultado dos produtos que integra?

Embora não me interesse directamente  pelas audiências, sei que isso conta muito para os investidores. Por exemplo no teatro interesso-me em saber se tenho publico pois sem público não há comunicação. Não há teatro.

Depois de Rosa Fogo, já tem novos projectos para televisão?

Por enquanto continuo em digressão nacional com o monólogo Óscar e a Senhora Cor-de-rosa e continuo também a dar aulas de teatro e sempre à procura de novos textos para tentar levar à cena!…E à espera de ter férias.

Uma mensagem para os leitores do 5º Canal!

Observem cada dia como se fosse a primeira vez! E um Abraço.

[divide]

Obrigado e muita sorte para o futuro!

DEIXE O SEU GOSTO E PARTILHE:

Artigos Relacionados