Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
Quinto Canal

Crítica: Se eu Ficar (2014)

Overall Score
4

História

Personagens

Banda-Sonora

Edição/Cinematografia

Aspectos Técnicos

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  • Se eu Ficar (2014)
  • If I Stay
  • De: R. J. Cutler
  • Com: Chloë Grace Moretz, Mireille Enos e Stacy Keach
  • 106 Minutos
  • Distribuído por: NOS Audiovisuais

Crítica:

No mesmo ano em que “A Culpa é das Estrelas” chegou aos cinemas pelo mundo fora e depois de conquistar audiências de todas as idades com a enternecedora história de dois jovens com cancro que se apaixonam e que vivem momentos inexquecíveis, Gayle Forman vê o seu livro “Se eu ficar” ser adaptado ao grande ecrã. O responsável por esta adaptação é o realizador R. J. Cutler que, procurou adaptar “Se eu ficar” de uma forma cativante para todo o público sem esquecer os jovens leitores por todo o mundo que desejavam uma adaptação fiel ao livro de Forman. É mais um romance entre jovens que talvez perde o impacto por estrear depois de “A Culpa é das Estrelas” mas que pouco ou nada tem a ver com a história de John Green… O romance em “Se eu ficar” serve apenas para complementar toda a trama que se assemelha a uma montanha russa sem fim, repleta de altos e baixos. Com Chloë Grace Moretz, Mireille Enos, Jamie Backley e Stacy Keach, “Se eu ficar” é uma história apaixonante e poderosa que promete conquistar os corações dos espectadores.

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“Se eu ficar” é a história de Mia Hall, uma jovem pacífica e talentosa que sempre achou que não pertencia à sua família… Enquanto o pai era uma estrela de rock e a mãe era uma mulher vibrante e apaixonada por música tal como o pai, Mia encontrou o seu talento no mundo da música clássica por entre as cordas de um Violoncelo. Tímida e pouco social, Mia começou a praticar num velho Violoncelo e desde aí a sua paixão pelos sons e pela música nunca parou de crescer, tocando todos os dias no instrumento até atingir a perfeição. Para além do seu talento musical, Mia dedicava o seu dia-a-dia aos amigos e à família mas, um dia, quando ela achava que a sua rotina diária nunca iria mudar, surge um rapaz bem parecido chamado Adam… Uma estrela de rock, tal como o pai de Mia, que a observava há vários dias enquanto ela praticava violoncelo depois das aulas. Depois de um encontro, o amor surgiu e nos tempos que se seguiram, Adam e Mia viveram momentos inesquecíveis. Mas quando parecia estar a andar no bom caminho para Mia, as coisas mudam do nada e no mesmo dia que ela esperava receber uma carta da Julliard, a universidade dos seus sonhos e que Adam ia tocar num dos maiores concertos da sua banda, “Shooting Star”, ela e a sua família têm um acidente de carro fatal… E a partir desse momento, Mia vê-se entre a vida e a morte, sem saber que decisão tomar relativamente ao seu futuro e sabendo que essa decisão vai afectar para sempre a vida dos seus amigos e familiares…

Para um grande fã de romances como eu, a história de “Se eu ficar” funciona e adequa-se perfeitamente aos meus gostos… Aliás, eu estava tão curioso com a história que decidi dar uma vista de olhos no livro de Gayle Forman antes de assistir ao filme. Após a leitura, Gaye Forman não me desapontou e cheguei à conclusão de que o filme tinha potencial para cativar e apaixonar os espectadores mas, foi só quando saí do cinema, que me apercebi que ler o livro ajudou-me a compreender melhor a história e melhorou toda a minha curta experiência no mundo da jovem Mia Hall. Na minha opinião, o livro e o filme combinados acabam por se completar mutuamente pelo que aconselho vivamente a dar uma espreitadela no livro de Gayle Forman se forem adeptos de leituras juvenis. Mesmo com alguns elementos da história original em falta, o filme “Se eu ficar” é uma boa adaptação e devo dizer, que ao contrário da regra, o filme capta o livro quase de forma perfeita, não deixando para trás nenhuma demonstração de sentimentos. É óbvio que existem alguns detalhes e momentos que se realçam mais no livro, como o plano de Adam para invadir a UCI e estar perto de Mia que, foi sem qualquer dúvida, muito mais engraçado e empolgante na versão de Gayle Forman. Os sentimentos e as emoções expressas pelas personagens também acabam por sofrer com o processo de adaptação e é por estes motivos que, mais uma vez, dou o voto da minha perferência ao livro, ainda que tenha sido uma luta renhida visto que não existem quase nehumas diferenças entre ambas as histórias.

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Relativamente ao elenco, Chloë Grace Moretz, a Hit-Girl de “Kick-Ass” e a Carrie do remake do filme de Brian de Palma, veste a pele de Mia Hall e acaba por ser o grande destaque de todo o filme pelo seu talento e pela sua performance que absorve o espectador. Como actriz principal, Chloë surpreende pela positiva e demonstra o seu talento ao representar uma jovem presa no limiar entre a vida e a morte entregando toda a emoção e todos os sentimentos necessários. Foi uma maravilha poder vê-la a roubar todas cenas do filme e a sua personagem deu-lhe um ar mais inocente e apaixonado que se destingue claramente dos seus trabalhos anteriores. E, ao demonstrar de uma forma cativante os seus medos e dúvidas, Chloë transforma-se no centro de tudo e demonstra ser uma das jovens actrizes mais talentosas do momento. Mas para que toda a tragédia funcione é necessário o auxílio de todas as personagens que, sendo amigos ou familiares, dão-lhe todo o apoio e procuram ajudá-la a tomar a difícil decisão que tem entre as mãos. O avô e a avó de Mia, por exemplo, estão constantemente a apoiá-la e a confortá-la com palavras de apreço e de ternura que se tornam por vezes inspiracionais e tocantes. A única coisa que não me afectou acabou por ser a química entre Adam e Mia que se torna, na minha opinião, um pouco forçada e nada natural. Mesmo com os momentos íntimos que eles partilham senti a falta de qualquer coisa extra que pudesse dar um maior impacto à história de amor.

A música em “Se eu ficar” é outro grande ponto a favor, com algumas baladas e músicas de rock que, bem combinadas, tornam-se empolgantes e surpreendentes. Desde os solos de Violoncelo até às covers de músicas Pop dos dias de hoje, a banda-sonora de “Se eu ficar” tornou todo o filme ainda mais especial estando em constante harmonia com todos os momentos da trama. Por um lado, temos os solos de Violoncelo que são poderosos e soam de uma forma mágica aos ouvidos dos espectadores e por outro temos a energia contagiante da banda de rock de Adam… Todas as músicas funcionam perfeitamente e penso que isto é realemente muito importante tendo em conta que toda a história gira à volta da música e da importância desta para as nossas vidas.

Mas mesmo com tanta coisa boa a referir, devo dizir que a história de “Se eu ficar”, cativante, empolgante e enternecedora, fica um pouco àquem da magia de “The Spectacular Now” e de “A Culpa é das Estrelas”. Consegue inspirar e apaixonar mas falha em surpreender por ser um pouco prevísivel e repleta de clichés.

No entanto, “Se eu ficar” torna-se no fim, comovente, tocante e fantástico ao ser uma bonita história dedicada a jovens que ensina príncípios e procura dar a conhecer o verdadeiro poder da música e do amor. É um filme leve e enternecedor que se torna eficaz e memorável não pela sua história mas pela grande performance de Chloë e pelas músicas que dão vida a toda a trama e tornam-na nalgo absolutamente arrebatador. Garante entertenimento e não deixa de ser uma grande história sobre crescer e sobre felicidade e amor. O filme acaba por ser mais uma lição de vida do que um mero romance e consegue cativar o público-alvo com uma grande banda-sonora e uma história comovente. “Se eu ficar” é quase como que um filme obrigatório para os fãs de romances… É sobre a vida, a morte… É sobre fazer as escolhas certas e marca o espectador com uma história mágica e comovente sobre a influência do amor nas nossas vidas.

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