Quarta-feira, 22 de Novembro de 2017
Quinto Canal

Crítica: Frank (2014)

Overall Score
3

História

Personagens

Banda-Sonora

Edição/Cinematografia

Aspectos Técnicos

frank

Frank (2014)

  • Título Original: Frank
  • Realizado por: Lenny Abrahamson
  • Com:  Michael Fassbender, Domhnall Gleeson, Maggie Gyllenhaal
  • 95  Minutos
  • Distribuído por: NOS Audiovisuais

Estou prestes a escrever a minha crítica àquela que foi provavelmente uma das experiências mais estranhas que tive a oportunidade de ver e que me levou a ir ao cinema duas vezes para construir a minha opinião. Só ao fim da segunda sessão fui capaz de escrever e de me expressar quanto ao filme… O sonho de um homem normal com uma vida estável (Domhnall Gleeson) vai levá-lo a uma jornada invulgar na qual irá desistir do emprego, conhecer uma mulher terrível (Maggie Gyllenhaal) e um homem que gosta de fazer sexo com manequins e Michael Fassbender coberto por uma máscara engraçada e estranha ao mesmo tempo. Consegui chamar a sua atenção? Espero bem que sim… Bem-vindo ao mundo peculiar de Frank!

Existem tantas razões para gostar de Frank como para odiar… É como se o filme estivesse dividido em dois actos distitnos que  quebram toda a emoção desenvolvida aos poucos. O primeiro acto, sem dúvida, é engraçado ao ponto de me ter feito soltar gargalhadas em ambas as sessões com piadas extremamente engraçadas e apelativas misturadas no meio de músicas improvisadas que se tornam verdadeiramente especiais. Em conjunto com algumas das personagens  mais estranhas que alguma vez conheci até hoje, toda  a experiência permance na minha cabeça pelos incidentes particulares e pelas grandes performances do elenco. Maggie Gyllenhaal é Clara, uma mulher apaixonada por Frank que procura dar o seu melhor todos os dias junto dele, lado a lado, ao compor músicas extravagantes sobre as coisas mais estranhas que possa imaginar. Está constantemente a contestar o talento e a dedicação de Jon (Gleeson) porque acredita que, tendo em conta a situação de Frank, é melhor para ele permanecer desconhecido. Jon é um rapaz simpático com um emprego estável que sempre sonhou fazer parte de uma banda. Quando se junta à banda de Frank para começar a gravar um novo álbum, começa a publicar vídeos e histórias sobre as suas novas experiências. Em conjunto com todos os membros da banda, Jon descobre como investigar os recantos escondidos da sua mente ao fazer coisas pouco usuais (no que diz respeito a gravar um álbum) como construir instrumentos ou participar em jogos infantis. É realmente uma experiência engraçada que é apenas possível graças ao centro de todas as atenções da história, Frank. Como cantor principal, Frank destaca-se por ser capaz de encontrar inspiração nas coisas mais comuns para compor músicas fantásticas. Constantemente a cobrir a sua cara com uma máscara, Frank começa a relacionar-se com Jon ao contar-lhe as suas experssões faciais. Um bom homem com um bom coração… Frank é a base de uma banda que não se preocupa com a popularidade e que quer apenas fazer músicas fantásticas. Quando finalmente estão terminadas as gravações, Jon consegue conhecer o seu eu criativo e convence a banda a mostrar o talento de todos os membros num concerto no Texas. Infelizmente, o que parecia ser uma viagem normal, acabou por mudar radicalmente quando a estabilidade na banda se desmornou.

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E é a partir daí que, depois de ter sido atacado por personagens peculiares, boas piadas e músicas indie, o filme revela a sua natureza e a energia do primeiro acto torna-se em melancolia e tristeza na parte dois. De repente parei de rir e o filme começou a atingir-me com eventos inesperados e tristes o que acabou por arruinar um pouco toda a experiência. Quando se entretém alguém da forma como Frank faz ao início, não se deve esperar que o espetador alinhe numa mudança rápida de ambiente e que se perca no meio de lágrimas subitamente. Tornar uma história engraçada numa mais série tem de ser muito bem feito para funcionar e infelizmente, para Frank, a mudança foi demasiado abrupta. De repente, Jon vê-se perdido no meio de uma espécie de pesadelo em conjunto com Frank simplesmente por ter sonhado em chegar ao topo quando isto não era possível para o cantor da banda. O segundo acto é então dedicado à revelação da história de Frank e é neste momento que as personagens que começámos a gostar começam a revelar-se de uma forma série que estraga toda a diversão criada até ao momento. Sim, existe alma e coração em Frank mas a mudança abrupta de ambiente não contribuiu para o bem do filme.

A performance de Fassbender é de elevada qualidade e destaca-se do resto do filme, ao mostrar todo o seu talento como cantor e actor. As músicas do filme, desde “I love you all” às composições de Frank e Jon, funcionam na medida em que ainda hoje surgem do nada na minha cabeça. Quanto a Gleeson, a primeira e última vez que o vi foi em Dá Tempo ao Tempo pelo que não sabia o que esperar da sua performance. A personagem é engraçada e entrega energia e entusiasmo à história, o que contrasta na perfeição com a performance mais “dark” e maléfica de Maggie Gyllenhaal. Fantástica no seu papel, a atitude de Maggie permitiu-lhe criar uma onda de más energias à volta do filme que tornou tudo mais interessante.  Contudo, tal como disse anteriormente, a história perde o impacto no acto dois do filme (o que representa metade deste). O potencial é claro, o sentimento está lá e apesar das coisas más que mencionei atrás, Frank é, no geral, agradável e acaba por ser uma das experiências mais estranhas que terá a oportunidade de ver nas salas de cinema.

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