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Entrevista – Rui Massena: «Não é simples ganhar audiências com música»

Contando já no seu currículo com diversos projetos musicais, Rui Massena juntou-se recentemente à prestigiada editora de música clássica Deutsche Grammophon, para juntos lançarem o seu novo álbum, intitulado de III, e que foi assim editado com o selo desta importante casa discográfica alemã. De forma a dar a conhecer melhor o seu trabalho, o Quinto Canal esteve à conversa com o artista, para trazer assim até aos nossos leitores mais uma entrevista exclusiva, a não perder a partir de agora.


De forma resumida, como se define o Rui Massena para quem não o conhece o seu trabalho?

Sou Maestro e Compositor. As minhas composições são instrumentais, com o piano a guiar a música. Gosto que os ambientes sejam tranquilos, propícios a uma boa companhia.

Como surgiu o gosto pela música clássica na sua vida?

O meu gosto é pela Música. A música clássica vem porque os estudos de música fazem-se através das grandes obras da história da música, da mesma forma que na literatura fazem o estudo das grandes obras literárias, só para dar um exemplo. Mas gosto mesmo é de música. A arte dos sons.

Ser maestro sempre foi um sonho da sua vida, ou surgiu de forma inesperada?

Ser maestro surgiu do gosto de fazer música em conjunto. A música como meio para comunicarmos entre nós. Divertíamo-nos muito, num grupo onde a música nos unia e divertia. Dirigi coros e orquestras de forma amadora até sentir que precisava de aprender a profissão a sério.

Quais são as suas maiores referências na música clássica?

Como intérpretes: Daniel Barenboim, Claudio Abbado, Carlos Kleiber, Leonard Bernstein, Maurizio Pollini, Kissin, Maxim Vengerov, entre muitos outros.

Depois do Ensemble em 2016, lançou no início do mês o seu novo disco, III. Quais são as principais novidades que podemos encontrar neste álbum?

É um disco mais progressivo. Instrumentos que nos levam a outros mundos sonoros. A conjugação dos sons eletrónicos com os acústicos. Um mundo tranquilo mas, para mim, desafiante.

Como tem sido a receção do público a este novo trabalho?

Ainda estou a perceber o impacto da música nas pessoas, mas é verdadeiramente ainda muito cedo. A música instrumental tem um tempo diferente da vocal. Sei que tenho mais pessoas a ouvir a minha música mas só no decurso do tempo é que perceberei quanto gostam da minha música. Recebo mensagens de Facebook e Instagram a mostrar quanto é que num determinado momento aquela canção foi importante. Adoro.

Havendo cada vez menos exposição e promoção da música clássica em rádios e não só, como explica o sucesso que tem conquistado cada vez mais tanto em Portugal como além fronteiras?

A música que faço não é clássica. É música instrumental que se referencia em alguma música de períodos da história da música ocidental. Faço música que pertence a um movimento chamado de “ neo-clássico “ que pretende abrandar estes tempos rápidos que vivemos. Mas é uma música sem esse sentido histórico e pesado. São melodias e harmonias simples. Tento simplificar ao máximo o que para mim é o verdadeiro desafio.

Além da música clássica, que outros géneros musicais costuma ouvir?

Ouço música de acordo com a situação. Continuo a ouvir as grandes sinfonias e a conhecê-las cada vez melhor, ouço música Portuguesa que cada vez tem melhor qualidade e muitas músicas do mundo.


” Não é simples ganhar audiências com música. “


Passando da música para a televisão, acredita que poderia haver um maior destaque do mundo musical no pequeno ecrã?

Acredito que poderia e deveria mas não é simples ganhar audiências com música. Se a lógica mudar, e vai mudar, a música é de importância fundamental para a sociedade. Toda a música, e não apenas a comercial ou popular. Estamos reféns apenas do que é popular e ficamos amputados de um festim de sabores com o que fica escondido. Mas há espaço para tudo porque senão a minha música não era ouvida.

Já participou em diversos programas televisivos, tais como o Got Talent Portugal, Nota Alta ou ainda o Música Maestro. Que principais diferenças encontra entre o público da televisão, e o público que o acompanha nos espetáculos?

O público da Televisão não tem rosto. É um público coletivo. O dos meus concertos eu consigo vê-lo.

Tem previsto algum projeto televisivo para o futuro?

Sim. Para já mantenho no ar o Nota Alta, no Porto Canal, uma conversa sem preocupação de audiências, e apenas com a de fazer serviço público, entrevistando pessoas que com muito trabalho tem construindo um país mais rico e plural.

No que toca a espetáculos, onde é que o público o poderá ver e ouvir em breve?

Dia 1 de Fevereiro de 2019, no Coliseu do Porto, vou apresentar o novo disco, e 18 de Abril no Casino do Estoril.

 

 

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